Estudante cearense é premiada nos EUA por pesquisa que mapeou feminicídios
A estudante Yanna Francisca Nogueira Queiroz, de 16 anos, levou uma pesquisa desenvolvida no interior do Ceará para um dos maiores eventos científicos estudantis do planeta.
A estudante Yanna Francisca Nogueira Queiroz, de 16 anos, levou uma pesquisa desenvolvida no interior do Ceará para um dos maiores eventos científicos estudantis do planeta e voltou premiada dos Estados Unidos.
Aluna da Escola Deputado Joaquim de Figueiredo Correia, em Iracema, a jovem conquistou o 4º lugar na categoria Ciências Sociais e do Comportamento da Regeneron International Science and Engineering Fair (ISEF), considerada a maior feira de ciência e engenharia do mundo voltada para estudantes.
A pesquisa apresentada por Yanna analisa o avanço dos feminicídios no Ceará e utiliza inteligência artificial para identificar padrões, traçar perfis das vítimas e até localizar casos que podem não aparecer nos registros oficiais.
Cruzamento de dados e notícias
O trabalho começou ainda no Ensino Médio e se aprofundou ao longo dos últimos anos. Ao lado do orientador Helyson Lucas Bezerra Braz e da coorientadora Sebastiana Vicente Bezerra, Yanna analisou casos de feminicídio registrados entre 2022 e 2025 no Ceará.
Para isso, ela criou uma ferramenta digital baseada em técnicas de inteligência artificial e processamento de linguagem natural. O sistema foi treinado com mais de cinco mil notícias e passou a identificar automaticamente informações como:
- idade das vítimas;
- cor da pele;
- relação com o agressor;
- local dos crimes;
- contexto das ocorrências.
Depois, os dados foram cruzados com estatísticas oficiais e transformados em mapas e indicadores. O levantamento identificou 174 vítimas no período analisado.
Mulheres negras foram maioria das vítimas
Segundo a pesquisa, a maior parte dos casos envolvia mulheres negras.
As faixas etárias mais atingidas ficaram entre 18 e 50 anos. Em quase metade dos crimes, os suspeitos eram companheiros ou ex-companheiros das vítimas.
A Região Metropolitana de Fortaleza apareceu como a área com maior concentração de ocorrências.
A estudante defende que a tecnologia pode ajudar autoridades a compreender padrões da violência e criar políticas públicas mais eficientes de prevenção.
Do interior do Ceará para o mundo
A trajetória do projeto começou em feiras científicas escolares do Ceará e ganhou espaço nacional na Feira Brasileira de Ciências e Engenharia (Febrace), realizada na Universidade de São Paulo (USP).
O trabalho foi escolhido como o melhor projeto do Ceará na feira e garantiu vaga para a competição internacional nos Estados Unidos.
Foi a primeira vez que Yanna saiu do interior cearense para apresentar uma pesquisa fora do estado.
Agora, ela subiu ao palco diante de estudantes de mais de 60 países e colocou a ciência produzida em escola pública brasileira entre os destaques mundiais.
Ciência virou rotina escolar
Além da pesquisa sobre feminicídios, Yanna já participou de estudos sobre incêndios florestais e aplicações terapêuticas do óleo de tilápia.
A estudante aprendeu programação em Python e utiliza ferramentas como Google Colab para desenvolver os projetos científicos.
Na escola onde estuda, a iniciação científica já virou tradição. Professores e alunos participam constantemente de feiras nacionais e internacionais, transformando a pesquisa em parte da rotina escolar.
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