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'Espero que eu não tenha que retornar antes', diz Bolsonaro sobre férias em Santa Catarina

Presidente é alvo de críticas por estar de folga na praia enquanto milhares seguem desabrigados pelas chuvas na Bahia

30 dez 2021 16h31
| atualizado às 16h41
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BRASÍLIA - Criticado por estar de férias em São Francisco do Sul (SC) enquanto milhares seguem desabrigados na Bahia em razão de enchentes, o presidente Jair Bolsonaro (PL) disse que espera não precisar voltar para Brasília antes de 3 de janeiro, data prevista para seu retorno oficial ao trabalho.

"Espero que eu não tenha que retornar antes", afirmou o presidente em vídeo divulgado pelo portal santa-catarinense ND Mais, enquanto conversava com algumas pessoas na praia. Nesta terça-feira, Bolsonaro foi passear de moto aquática com a filha Laura, de 11 anos, que também o acompanha na viagem.

Bolsonaro tem sido criticado por estar de férias mesmo diante da situação de emergência causada pelas chuvas no sul e no sudoeste da Bahia desde novembro. O presidente chegou a ir ao Estado em 12 de dezembro e sobrevoou as regiões afetadas, mas não retornou ao local desde as chuvas mais recentes.

Já são 20 pessoas mortas, 31.405 desabrigadas, 31.391 desalojadas e 358 feridos. De acordo com a Defesa Civil da Bahia, o número de municípios atingidos chegou a 116. A hashtag "BolsonaroVagabundo" está entre os assunto mais comentados do Twitter nesta terça-feira.

Bolsonaristas, porém, têm defendido o descanso do presidente na companhia da primeira-dama Michelle, com a justificativa de que ministros estão nas regiões afetadas, como João Roma (Cidadania), pré-candidato ao governo da Bahia, Rogério Marinho (Desenvolvimento Regional), Marcelo Queiroga (Saúde) e Milton Ribeiro (Educação). O assessor especial da presidência Tercio Arnaud Tomaz compartilhou nas redes sociais notícias de 2010 quando o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) também teria enviado ministros para as enchentes de Angra dos Reis (RJ), em vez de comparecer pessoalmente.

Na tentativa de conter os efeitos das chuvas, o governo editou hoje Medida Provisória (MP) liberando R$ 200 milhões para reconstrução de estradas afetadas. Os recursos, porém, não vão apenas para a Bahia, mas também para outros quatro Estados: Amazonas, Minas Gerais, Pará e São Paulo.

Dos R$ 200 milhões, apenas R$ 80 milhões serão destinados aos municípios baianos. "R$ 80 milhões não dão para recuperar as (estradas) da Bahia", disse o governador da Bahia, Rui Costa (PT). Após pressão de parlamentares do Estado, o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), garantiu que o governo vai adotar medidas emergenciais para atender os municípios.

Estadão
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