Escamas de pirarucu, açaí e mais: exposição leva a Londres moda feita com materiais da Amazônia
A mostra '(re)weaving Amazonia' destaca a inovação e criatividade de designers da região e bordados de povos indígenas como os Sateré-Mawé e os Yawanawá
No meio de Londres, um pouco da Amazônia é apresentada por meio da moda brasileira. É a exposição (re)weaving Amazonia, que está em cartaz esta semana na Coal Drops Yard, em King's Cross, na zona noroeste da capital britânica.
A mostra, cujo objetivo é refletir sobre como a moda pode ser parte da solução da crise climática a partir de práticas sustentáveis, apresenta peças de marcas e designers brasileiros feitos com materiais naturais da região amazônica.
"Minha ideia foi trazer essa diversidade e riqueza da Amazônia", explica a curadora Lilian Pacce. Ela fundou a iniciativa Brazil Creating Fashion for Tomorrow, ao lado de Camila Villas e Marilia Biasi, com a intenção de destacar designers e inovadores brasileiros que são guiados por valores socioambientais.
Pelo terceiro ano consecutivo, a BCFT realiza uma exposição em Londres durante a London Climate Action Week (a Semana da Ação Climática de Londres). Neste ano, o tema é inspirado também pelo fato de que Belém, no Pará, será a sede da 30ª Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP30).
"Procuramos mostrar que a Amazônia não é só uma fonte de matéria-prima. Você vai lá, extrai, usa e joga fora. A Amazônia também são as pessoas. As pessoas que estão lá é que vão fazer a Amazônia ficar de pé. A Amazônia também é inovação, é criatividade. Os designers, os estilistas amazônicos são muito criativos", diz Lilian.
As peças vão de vestidos impressionantes a acessórios como bolsas, botas, colares e anéis. Escamas de pirarucu, látex, couro ecológico feito a partir de restos de cacau e sementes de açaí são alguns dos materiais usados na confecção.
Outro detalhe é que algumas roupas foram feitas com bordados tradicionais de povos indígenas amazônicos, como os Sateré-Mawé e os Yawanawá, que colaboraram com as marcas Fit e Farm, respectivamente.
A única designer não brasileira presente na exposição é a renomada estilista inglesa Vivienne Westwood - um dos primeiros grandes nomes da moda a levantar a questão da Amazônia -, que abre a mostra com um modelo de 2013. Em seguida, estão criadores e marcas como Maurício Duarte, Alexandre Herchcovitch, Flávia Aranha e Normando.
Segundo a curadora, os primeiros dias da exposição foram intensos, com a presença de pessoas do mundo todo. A abertura contou com a participação de Sonia Guajajara, Ministra dos Povos Indígenas do Brasil, André Corrêa do Lago, diplomata e presidente da COP 30, e Kerry McCarthy, Ministra do Meio ambiente do Reino Unido.
Lilian diz que a BCFT já tem colhido frutos. No ano passado, a exposição destacou o papel das mulheres na cadeia de produção da moda e incluiu criações da estilista Flávia Aranha feitas a partir de jarina, uma semente amazônica conhecida como marfim vegetal.
Na ocasião, as criações impactaram Helena Palmeira, mestranda na Central Saint Martins, importante escola de artes, moda e design em Londres. A designer decidiu mudar seu trabalho de conclusão de curso para focar em jarina e, agora, apresenta as próprias peças na mostra (re)weaving Amazonia.
Para a curadora, tudo isso mostra como o uso de práticas sustentáveis pode colocar a moda como uma aliada na luta contra as mudanças climáticas. "Se a gente não tiver essa preocupação, a moda não sobrevive. A moda vai virar um grande vilão, mas ela pode ser a solução", afirma.
(re)weaving Amazonia
- Até 29 de junho, das 11h às 18h (no horário local)
- 79-81 Coal Drops Yard, Kings Cross, Londres, N1C 4DQ.
- Gratuito