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Entenda por que o advogado de Vorcaro abandonou a defesa do banqueiro em meio a tratativas de delação

Saída de advogado renomado acontece após Polícia Federal rejeitar proposta de delação premiada e expõe crise em estratégia jurídica

22 mai 2026 - 13h39
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O cenário jurídico em torno das investigações do Banco Master sofreu uma alteração drástica com a saída do advogado José Luis Oliveira Lima da defesa do empresário Daniel Vorcaro. O anúncio da mudança foi confirmado pelo próprio profissional, conhecido no meio jurídico como Juca, que afirmou ao blog de Andréia Sadi que a decisão ocorreu "de comum acordo". A movimentação ocorre pouco mais de dois meses após ele assumir o caso, em março, e expõe o desgaste nas negociações para fechar um acordo de colaboração com as autoridades. O banqueiro está detido desde 4 de março sob a suspeita de comandar um amplo esquema de fraudes contra o Sistema Financeiro Nacional.

À esquerda, o advogado José Luis Oliveira Lima, o Juca. À direita, Daniel Vorcaro, dono do Banco Master
À esquerda, o advogado José Luis Oliveira Lima, o Juca. À direita, Daniel Vorcaro, dono do Banco Master
Foto: Reprodução; Jornal Nacional/ Reprodução / Perfil Brasil

Polícia Federal recusa proposta por omissão de dados

A renúncia do defensor coincide com o momento em que a Polícia Federal comunicou formalmente a rejeição da primeira proposta de delação premiada apresentada pelo banqueiro. Na avaliação dos investigadores da corporação, o documento enviado continha omissões graves sobre fatos que já foram descobertos ao longo das apurações em andamento. As autoridades consideraram que a peça carecia de robustez e funcionava mais como um instrumento de defesa do que como uma revelação efetiva do esquema. A corporação apontou que as informações deixaram de fora detalhes sobre transações financeiras envolvendo políticos investigados, a exemplo do senador Ciro Nogueira.

Enquanto a polícia manifestou sua contrariedade, a Procuradoria-Geral da República decidiu manter as tratativas em andamento e devolveu os termos para que os advogados façam os complementos necessários. Apesar disso, cresce o clima de ceticismo em Brasília quanto à viabilidade desse entendimento. Caso o procurador-geral da República, Paulo Gonet, opte por rejeitar definitivamente o acordo, os defensores perderão qualquer margem para recorrer aos demais ministros do Supremo Tribunal Federal, uma vez que o órgão ministerial detém a exclusividade da titularidade da ação penal.

Relator do supremo resiste a homologar acordo sem provas

A insatisfação com os termos apresentados pela banca anterior não se restringe aos policiais, estendendo-se também ao gabinete do ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal. O magistrado sinalizou nos bastidores que mantém uma postura rígida e que não aceitará qualquer tipo de seletividade no fornecimento de dados pelo investigado. Ele tem enfatizado a interlocutores que a colaboração premiada é um benefício que atende primordialmente ao interesse de quem está preso, reforçando que os investigadores possuem meios próprios para apurar os crimes sem depender da fala do empresário.

O clima entre o ministro e o grupo de advogados vinha se deteriorando após discussões acirradas sobre o conteúdo da proposta. Fontes informaram que o ministro foi alertado pelos investigadores de que um único aparelho celular apreendido já está fornecendo todas as informações cruciais necessárias para o inquérito, enquanto o ex-banqueiro demonstrava relutância em confirmar episódios que se tornaram públicos com as operações ostensivas. A percepção geral na corte é de que um eventual acordo chancelado pela atual gestão da procuradoria sem fatos substancialmente novos seria visto como um recuo institucional sem justificativa técnica.

Pressão do cárcere faz empresário elevar oferta financeira

Diante do isolamento e das seguidas negativas, relatos indicam que o banqueiro não suporta mais as pressões decorrentes do período de permanência na prisão. Após uma postura inicial focada na blindagem de seus aliados políticos e empresariais, ele indicou disposição para ampliar consideravelmente o escopo do que pretende relatar. Para tentar destravar as negociações com os procuradores federais, o empresário estaria disposto a elevar o valor oferecido como ressarcimento e multa em uma eventual delação. A proposta financeira saltaria de R$ 40 bilhões para R$ 60 bilhões devolvidos aos cofres públicos.

A condução dos trabalhos agora permanece sob a responsabilidade do advogado Sérgio Leonardo, que mantém uma antiga relação de confiança com o cliente, enquanto um novo nome não é anunciado para preencher a vaga deixada. Em paralelo ao impasse da delação, a banca anterior formalizou uma solicitação de transferência do preso, que atualmente se encontra em uma cela na Superintendência da Polícia Federal no Distrito Federal. O pedido visa transferi-lo para o 19º Batalhão da Polícia Militar, estrutura situada dentro do Complexo Penitenciário da Papuda e apelidada de Papudinha, sob a alegação de que as instalações atuais na sede policial não atendem às condições adequadas para a custódia.

Perfil Brasil
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