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Entenda como funcionava o monitoramento da Interpol na Itália que ajudou na prisão de Deolane

Polícia Civil e Ministério Público apontam que influenciadora atuava na lavagem de dinheiro

25 mai 2026 - 13h39
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Uma investigação conjunta da Polícia Civil e do Ministério Público de São Paulo resultou na prisão preventiva da influenciadora digital e advogada Deolane Bezerra Santos. A captura ocorreu em um condomínio de luxo localizado em Barueri, na Região Metropolitana de São Paulo. As autoridades da justiça acusam a famosa de envolvimento com lavagem de dinheiro, associação com o tráfico de drogas e de integrar o Primeiro Comando da Capital. Durante o avanço das investigações sigilosas, a criadora de conteúdo digital passava uma temporada de mais de 20 dias na cidade de Roma, na Itália.

A influenciadora e advogada Deolane Bezerra
A influenciadora e advogada Deolane Bezerra
Foto: Reprodução/Redes Sociais; Reprodução/TV Globo / Perfil Brasil

Ela estava hospedada em um edifício de alto padrão na badalada região da Piazza di Spagna, onde as diárias cobradas superam o valor de R$ 15 mil. Nas redes sociais, ela compartilhava frequentemente os vídeos dos momentos de lazer com seus seguidores. No entanto, as autoridades brasileiras e a Interpol monitoravam todos os passos da advogada no exterior. A polícia chegou a elaborar estratégias detalhadas para efetuar a prisão em território italiano. Apesar disso, ela retornou ao Brasil na véspera da deflagração oficial da operação e acabou detida assim que desembarcou em São Paulo.

Entenda o suposto esquema financeiro descoberto pela polícia

Para os membros da acusação do caso, a influenciadora digital funcionava de forma estratégica como um tipo de caixa do grupo criminoso. De acordo com as explicações apresentadas pelo promotor de Justiça Lincoln Gakiya, os investigados na operação utilizam pessoas públicas com grande número de seguidores na internet para pulverizar e ocultar o dinheiro de origem ilícita.

Um relatório detalhado produzido por peritos da área financeira da polícia indica que uma quantia de R$ 13,6 milhões circulou pelas contas bancárias pessoais da advogada entre os anos de 2018 e 2022. Além disso, outros R$ 14 milhões transitaram por três empresas que estão registradas em seu nome. Os investigadores apontam que a origem de todos esses valores é considerada espúria. O motivo dessa afirmação é que quase não foram encontrados pagamentos decorrentes de contratos de publicidade durante o período de afastamento do sigilo bancário da influenciadora. As autoridades também identificaram a existência de empresas fantasmas registradas em nome dela no interior paulista. Essas firmas de fachada ficavam perto do presídio de Presidente Venceslau e dividiam o mesmo endereço comercial com dezenas de outras organizações suspeitas.

As conexões com as lideranças e os bilhetes da prisão

A atual operação policial representa o desdobramento de uma linha de investigação que teve início ainda no ano de 2019. Naquela ocasião, agentes públicos apreenderam diversos bilhetes manuscritos dentro de uma cela na penitenciária de Presidente Venceslau. Os papéis recolhidos continham ordens expressas das principais lideranças da facção. As mensagens eram assinadas pelos irmãos Marco Willians Herbas Camacho, conhecido popularmente como Marcola, e Alejandro Camacho Júnior, chamado de Marcolinha.

As pistas iniciais coletadas levaram os policiais civis até uma empresa de transportes que funcionava estrategicamente ao lado da unidade prisional. Esse estabelecimento servia para lavar o dinheiro arrecadado e apoiar as ações do tráfico internacional de cocaína. Em dezembro de 2021, uma fase da operação apreendeu telefones celulares na residência de Ciro César Lemos e de sua esposa. Os dois apareciam formalmente nos documentos como os proprietários oficiais da transportadora. Nos diálogos descobertos nos aparelhos eletrônicos, o empresário falava de forma aberta sobre a proximidade com os irmãos Marcola e Marcolinha. Os relatórios policiais indicam que, em 17 de março de 2021, Paloma Camacho, filha de Marcolinha, orientou o homem sobre os repasses financeiros da transportadora. O esquema era operado por esse casal de laranjas em contato com Everton de Souza, o Player, apontado como gestor financeiro da família.

Perfil Brasil
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