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Entenda como a redução de aulas da CNH impacta o custo das empresas

Entenda por que a facilidade para tirar a habilitação profissional está obrigando o setor de transportes a criar centros de treinamento próprios

13 abr 2026 - 16h41
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A recente mudança nas normas de trânsito que reduziu a carga prática mínima para categorias profissionais de 20 para 10 horas está gerando um efeito colateral no setor logístico em 2026 . Embora a medida tenha sido desenhada para desburocratizar o acesso e baratear a Carteira Nacional de Habilitação (CNH), ela acaba transferindo a responsabilidade da formação final para as transportadoras. Como o condutor agora chega ao mercado com menos horas de volante em autoescola, as empresas estão sendo obrigadas a assumir a capacitação prática desses profissionais para garantir a segurança nas estradas. Segundo o Jornal do Carro do Estadão, essa realidade exige que as transportadoras reforcem programas internos de integração e treinamento.

CNH
CNH
Foto: Marcello Casal jr/Agência Brasil / Perfil Brasil

À época da entrada em vigor das novas regras, em dezembro de 2025, o então ministro dos Transportes, Renan Filho, defendeu a modernização do processo. "O cidadão agora tem alternativas. Essas alternativas vão melhorar a formação de condutores e facilitar a vida das pessoas. Vai desburocratizar, digitalizar, modernizar o processo", afirmou. Na prática, o custo para tirar a CNH caiu drasticamente, saindo de uma média de R$ 3,2 mil para valores a partir de R$ 700. Essa queda de quase 80% no preço estimulou um aumento de 25% na procura pela habilitação em estados como São Paulo logo no início deste ano, mas acendeu um sinal amarelo entre os veteranos do setor.

O caminhoneiro aposentado Divino Rugiano, da Grande São Paulo, vê com cautela a formação mais curta para quem pretende conseguir a CNH para veículos pesados. "Dez horas é pouca experiência para pegar um caminhão e ir para a estrada. É muito perigoso", alerta Rugiano. Para ele, o preparo nas autoescolas tornou-se insuficiente para a realidade das rodovias brasileiras. "O certo é o motorista [iniciante] fazer as primeiras viagens acompanhado de um profissional mais experiente para aprender melhor", sugere o veterano. Esse acompanhamento, que antes era desejável, tornou-se quase obrigatório dentro das frotas para evitar o aumento de sinistros e danos mecânicos causados por imperícia.

Essa mudança de cenário desloca o investimento que antes era feito pelo cidadão na autoescola para dentro do balanço financeiro das empresas de transporte. Com motoristas menos experientes, as transportadoras precisam elevar seus custos operacionais com instrutores próprios e períodos de adaptação mais longos. O caminhoneiro Rafael Praso, de Minas Gerais, nota que a facilidade atual é muito superior ao que enfrentou no passado. "Na minha época, eu tinha que fazer 15 aulas, era um processo demorado. Hoje está muito fácil, a pessoa tira a carteira em pouco tempo e já está pronta", observa. No entanto, o desafio do setor em 2026 é garantir que essa agilidade não comprometa a produtividade e a segurança em um mercado de margens cada vez mais apertadas.

Perfil Brasil
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