Encontro com vice de Trump foi o último compromisso de Francisco antes de morrer
J.D. Vance lamentou a morte do pontífice em mensagem nas redes sociais
O último encontro do papa Francisco com uma autoridade pública foi com o vice-presidente dos EUA, J.D. Vance, na manhã de domingo, 20. O pontífice morreu nesta segunda, 21.
Vance é um católico que se converteu na idade adulta. Ele teve um breve encontro privado com o papa no domingo de Páscoa.
O vice de Trump chegou a Roma na sexta-feira e, no sábado, encontrou-se com o Secretário de Estado e o Secretário para as Relações com os Estados e Organizações Internacionais do Vaticano.
Durante "conversas cordiais", as partes expressaram satisfação com as "boas relações bilaterais existentes" e um "compromisso comum" com a proteção da liberdade religiosa, afirmou o Vaticano em um comunicado.
"Houve uma troca de opiniões sobre a situação internacional, especialmente em relação aos países afetados por guerras, tensões políticas e situações humanitárias difíceis, com atenção especial aos migrantes, refugiados e prisioneiros", completa o texto.
Declaração
Após o anúncio da morte do papa, J.D. Vance postou no X (o antigo Twitter) que "seu coração está com os milhões de cristãos de todo o mundo".
"Fiquei feliz em vê-lo ontem, embora ele estivesse obviamente muito doente. Mas sempre me lembrarei dele pela homilia proferida nos primeiros dias da pandemia de covid-19. Foi realmente muito bonito", concluiu o vice-presidente dos EUA.
Última aparição
No domingo, Francisco fez a última aparição pública na Praça de São Pedro, no Vaticano, para desejar "Feliz Páscoa" a milhares de fiéis.
Francisco saiu em uma cadeira de rodas e acenou da sacada da Basílica de São Pedro para a multidão que o aplaudia.
Num microfone, ele disse: "Queridos irmãos e irmãs, Feliz Páscoa".
Na sequência, o tradicional discurso de Páscoa do pontífice foi proferido por um membro do clero.
Após a bênção, o papa foi conduzido pela praça.
Ao passar pela multidão, a procissão parou várias vezes enquanto bebês eram trazidos para receber bençãos.
A aparição de Francisco no Domingo de Páscoa era muito aguardada.
Em março, ele recebeu alta do hospital após cinco semanas de tratamento para uma infecção que o levou a uma pneumonia severa.
A bênção pascal do papa, que foi proferida por um membro do clero enquanto o pontífice estava sentado, com aparência frágil, dizia: "Não pode haver paz sem liberdade religiosa, liberdade de pensamento, liberdade de expressão e respeito pela opinião dos outros."
"Que grande sede de morte, de matar, vemos nos muitos conflitos que assolam diferentes partes do mundo", afirmou Francisco em seu último discurso.
O texto também lembra o povo de Gaza, em particular a população cristã da região, pois o conflito "causa morte e destruição" e cria uma "situação humanitária deplorável".
"Expresso minha proximidade com os sofrimentos de todo o povo israelense e palestino", dizia a mensagem.
"Peçam um cessar-fogo, libertem os reféns e venham em auxílio de um povo faminto que aspira a um futuro de paz."
O papa também encorajou todas as partes envolvidas na guerra na Ucrânia a "prosseguirem seus esforços para alcançar uma paz justa e duradoura".
(Com Ansa, BBC e RFI)
