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EMBEDAR VÍDEO Por que urnas sem voto para Flávio não indicam fraude eleitoral

3 nov 2026 - 20h41
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Resumo
Alegações de fraude baseadas em urnas com votação zerada para Flávio Bolsonaro configuram desinformação. O fenômeno de seções unânimes é recorrente desde 2002 para diversos candidatos e estatisticamente irrelevante, representando apenas 0,02% do total de urnas em 2026, a maioria em redutos lulistas que somaram meros 14 mil votos. Portanto, esses casos isolados não apontam fraude e jamais teriam capacidade de reverter a desvantagem de 4,4 milhões de votos, confirmando a segurança do sistema eleitoral.

Redes bolsonaristas propagam desinformação recorrendo a casos isolados de seções unânimes. Mas votos depositados são poucos, e casos parecidos ocorreram em todos os pleitos desde 2002.O senador Flávio Bolsonaro (PL) não teve nenhum voto em 106 urnas no segundo turno presidencial. E tem gente usando isso para dizer que teve fraude eleitoral.

"[Urna] zerada? Como assim? É fake news? Acabou de sair a notícia quentinha. É o que mais vai rodar agora na rede social", diz um influenciador para a câmera num vídeo que roda no TikTok.

Essa é uma tática de desinformação: usar um dado real para tirar uma conclusão falsa que, à primeira vista, parece bombástica.

"Explica isso, Lula. Explica isso para a gente", pede outra influenciadora.

Estatisticamente irrelevante

Então vamos olhar para os números.

O Brasil tem quase meio milhão de seções eleitorais (são mais de 497 mil). Do total, apenas 0,02% das seções tiveram votos só no presidente Luiz Inácio Lula Silva (PT) ou só em Flávio Bolsonaro no segundo turno, segundo análise do Paris Group, que usa dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

A grande maioria dessas urnas, de fato, teve votos só para o Lula. Isso aconteceu, principalmente, em áreas rurais ou indígenas do Norte e do Nordeste, onde Lula mantém bases sólidas de apoio há anos e venceu em 2026.

Só que esse fenômeno é estatísticamente irrelevante para o resultado das eleições.

Somadas, todas essas seções eleitorais deram 14.860 votos para Lula, ainda segundo o Paris Group. Até o presidenciável mais nanico de todos, Rui Costa Pimenta (PCO), teve votação maior do que isso no primeiro turno (15.024 votos).

Flávio Bolsonaro teve 4,4 milhões de votos a menos que Lula no segundo turno.

Fenômeno não é inédito

Urnas com votos em um só candidato sequer são novidade. Isso vem acontecendo pelo menos desde 2002, segundo a Justiça Eleitoral.

Tanto candidatos de esquerda quanto de direita já foram unanimidade entre os eleitores de uma única seção eleitoral.

Em 2022, foram 141 urnas sem voto para Jair Bolsonaro, e duas sem voto para Lula, aponta ainda o Paris Group.

Mas o recorde mesmo foi em 2018. Quando o candidato à presidência pelo PT, Fernando Haddad, recebeu todos os votos de 328 seções eleitorais.

Mesmo assim, ele perdeu para Jair Bolsonaro. Porque todas essas urnas contabilizaram, juntas, só 36 mil votos.

A questão é que, agora que a desinformação está bombando na internet, as redes bolsonaristas recorrem a esses casos isolados para alavancar teorias conspiratórias e, assim, questionar a derrota de Flávio Bolsonaro.

Mas tanto a Justiça Eleitoral quanto observadores internacionais atestam que o sistema de votação brasileiro é seguro. E que, portanto, o resultado das urnas é soberano.

ht/as (ots)

Deutsche Welle A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas.
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