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Em carta, governadores do NE respondem discurso de Bolsonaro

Chefes do Executivo se dizem 'frustrados' com pronunciamento do presidente e afirmam que "agressões e brigas não salvarão o país"

25 mar 2020
16h53
atualizado às 17h09
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Governadores do Nordeste em reunião em julho de 2019.
Governadores do Nordeste em reunião em julho de 2019.
Foto: Reprodução/Twitter.com/Costa_Rui / Estadão Conteúdo

Os governadores dos nove estados da região Nordeste aprovaram nesta quarta-feira (25) uma carta na qual se dizem ¨frustrados¨ com a agressividade do presidente Jair Bolsonaro em pronunciamento feito na véspera, cobram do presidente uma coordenação nacional no enfrentamento dos efeitos econômicos do coronavírus, defendem a união no combate à doença e refutam disputas políticas neste momento de crise.

¨Agressões e brigas não salvarão o país. O Brasil precisa de responsabilidade e serenidade para encontrar soluções equilibradas¨, diz a carta.

Assinam o documento os governadores Rui Costa (PT, Bahia), Renan Filho (MDB, Alagoas), Camilo Santana (PT, Ceará), Flávio Dino (PC do B, Maranhão), João Azevedo (Cidadania, Paraíba), Paulo Câmara (PSB, Pernambuco), Wellington Dias (PT, Piauí), Fátima Bezerra (PT, Rio Grande do Norte) e Belivaldo Chagas (PSD, Sergipe).

Na terça-feira (24) Bolsonaro fez um pronunciamento em rede de rádio e TV no qual defendeu o fim de medidas de combate ao vírus como a suspensão das aulas nas escolas, minimizou os efeitos da doença e responsabilizou governadores e imprensa por medidas duras que podem ter reflexos negativos na economia.

Na manhã desta quarta-feira (25) o presidente e o governador de São Paulo, seu possível adversário nas eleições de 2022, protagonizaram um bate-boca durante videoconferência com os governadores do Sudeste.

A postura de Bolsonaro em relação aos líderes dos estados fez com que os governadores, inclusive ex-aliados do presidente, fechassem uma aliança inédita contra o governo federal.

Apesar de divulgarem a carta, governadores do Nordeste avaliam que não é hora de adotar a mesma linha de enfrentamento utilizada por Doria. Para alguns chefes do Executivo nordestino, o jogo político favorece a narrativa de Bolsonaro de que não é a pandemia do novo coronavírus que está em questão, mas uma luta de poder. Em reunião na tarde desta quarta-feira, os governadores sinalizaram que seguirão firmes contra o posicionamento do presidente, que passou a defender um "isolamento vertical", ou seja com restrições apenas para idosos e pessoas com doenças.

O grupo considera que, neste momento, é melhor reagir com tranquilidade e evidenciar que o foco neste momento é apenas o controle da covid-19. Alguns governadores argumentam que Bolsonaro usa a disputa política como estratégia para criar um clima de tensão. A narrativa também é considerada um modo de Bolsonaro se colocar como "vítima" de uma ação coordenada com cunho político-eleitoral.

Medidas baseadas na ciência

Na carta aprovada nesta quarta-feira, os mandatários do Nordeste defenderam equilíbrio entre o combate à doença e a preservação da economia mas disseram claramente que a prioridade é salvar vidas. Eles afirmam que vão manter as medidas restritivas, seguindo orientações de autoridades em saúde pública, contrariando a posição de Bolsonaro. Estas medidas serão reavaliadas conforme o desenvolvimento da linha de contágios.

¨Vamos continuar adotando medidas baseadas no que afirma a ciência seguindo orientação de profissionais de saúde, capacitados para lidar com a realidade atual. Vamos manter as medidas preventivas gradualmente revistas de acordo com os registros informados pelos órgãos oficiais de saúde de cada região. É um momento de guerra contra uma doença altamente contagiosa e com milhares de vítimas fatais. A decisão prioritária e a de cuidar da vida das pessoas, não esquecendo da responsabilidade de administrar a economia dos estados. É um momento de união, de se esquecer diferenças políticas e partidárias. Acirramentos só farão prejudicar a gestão da crise¨, dizem os governadores do Nordeste.

Além disso, eles cobram que o governo federal assuma a coordenação das ações de proteção à economia em nível nacional e adote medidas urgentes em relação à população mais exposta economicamente, como os trabalhadores informais.

¨Entendemos que cabe ao governo federal ação urgente voltada aos trabalhadores informais e autônomos. Agressões e brigas não salvarão o País. O Brasil precisa de responsabilidade e serenidade para encontrar soluções equilibradas. Ao mesmo tempo, solicitamos a necessidade urgente de uma coordenação e cooperação nacional para proteger empregos e a sobrevivência dos mais pobres. Ficamos frustrados com o posicionamento agressivo da Presidência da República, que deveria exercer o seu papel de liderança e coalizão em nome do Brasil, diz o documento.

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Estadão
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