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Terceira via foi 'capturada' pelo caciquismo político, diz pré-candidato do Novo à Presidência

Luiz Felipe d'Ávila afirma que líderes partidários não querem discutir o País e 'estão preocupados' apenas com tamanho da bancada: 'O que dá dinheiro é eleição para deputado'

27 abr 2022 15h53
| atualizado às 17h22
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O pré-candidato à presidência pelo Novo, Luiz Felipe d'Ávila, afirmou nesta quarta-feira, 27, que a discussão da chamada terceira via, que se coloca como alternativa à polarização entre o presidente Jair Bolsonaro (PL) e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), foi sequestrada por um "caciquismo político que não vai a lugar algum". A declaração foi dada durante sabatina realizada pelo Uol/Folha.

"A discussão da 3ª via foi capturada pelos caciques partidários. E os caciques partidários não querem saber em discutir projeto de País. Estão preocupados em quantos deputados vão eleger. Porque o que dá dinheiro ao partido hoje é eleição de deputado federal", disse.

Questionado se o partido Novo foi chamado para participar das discussões da 3ª via, d'Ávila respondeu que a legenda foi convidada, mas se excluiu do debate por discordâncias de projetos ao Brasil.

"Qual é o slogan da 3ª via? Ser nem Lula nem Bolsonaro? Isso não vai ganhar a eleição. O que vai ganhar a eleição é se a 3ª via for a única via para geração de renda, emprego, retomada do crescimento econômico e salvar a democracia das garras desses populistas", declarou o pré-candidato.

MDB, PSDB, União Brasil e Cidadania negociam o lançamento de um candidato único à presidência. A previsão é de que o nome seja divulgado no próximo dia 18. Os líderes das siglas se reuniram em Brasília, mas ainda não bateram o martelo sobre os critérios para escolha do candidato.

Felipe d'Ávila disse ainda que Ciro Gomes, pré-candidato ao Planalto pelo PDT, é o único candidato que tem um plano a ser implementado no Brasil. Apesar de discordar das propostas do pedetista, d'Ávila reforça que ele "pelo menos apresentou plano".

"Eu discordo do plano dele. Não acho que é com o nacional desenvolvimentismo que vamos fazer o Brasil crescer. Aliás, é a forma do fracasso. Há 40 anos estamos implementando esse nacional desenvolvimentismo e o Brasil só empobreceu", disse durante sabatina. "Pelo menos Ciro Gomes apresentou plano", completou.

Durante a sabatina, Felipe d'Ávila disse que é uma decepção ver o "meu amigo" Geraldo Alckmin (PSB) se aliar a Lula - Alckmin é pré-candidato a vice na chapa petista ao Planalto. "Alckmin defendeu as reformas do Estado, defendeu a abertura da economia. E o que Lula é? Lula representa exatamente o oposto. Um partido e um presidente que sabotaram todas as reformas modernizadoras do Estado, criou o maior escândalo de corrupção da história do Brasil", disse o pré-candidato do Novo. "Agora Geraldo Alckmin presta sua história, sua reputação, para validar justamente um candidato que representa o oposto dessa agenda modernizadora que o Brasil precisa", completou.

Durante a entrevista, d'Ávila voltou a defender medidas que promovam a abertura da economia brasileira como solução ao desemprego e à alta da inflação. "Todos os países ficaram ricos porque abriram a economia e se tornaram competitivos no comércio internacional", explicou. O pré-candidato defendeu, ainda, o restabelecimento da política do teto de gastos que, segundo ele, foi desrespeitada por esse "governo irresponsável".

Questionado sobre o Auxílio Brasil em 400 reais, o pré-candidato do Novo concordou com a manutenção do valor, mas criticou a falta de critérios na seleção dos beneficiados pelo programa. "Você não deveria dar 400 reais para um jovem solteiro e uma mulher com 2 filhos. Tá errado. Precisa ter focalização no programa", disse.

A oposição articula elevar o benefício a R$600. Como mostrou o Broadcast Político, a Medida Provisória (MP) que estabelece o valor do Auxílio Brasil em R$400 pode ser votada nesta quarta, 27, no plenário da Câmara.

Estadão
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