Rodrigo Garcia diz ter sido vítima de 'compra falsa de seguidores'
Em petição, campanha conta que candidato ganhou 13 mil seguidores no Instagram em 'movimentação anormal', e recebeu punição da rede
O governador de São Paulo e candidato à reeleição, Rodrigo Garcia (PSDB), afirmou nesta sexta-feira, 9, ter sido vítima de "compra falsa de seguidores para prejudicar a minha pré-campanha" em julho. Segundo ele, a Justiça Eleitoral orientou que recorresse à Comum. O tucano afirmou que a campanha ainda discute qual a melhor medida a ser tomada.
"A Justiça Eleitoral não quer discutir isso", declarou. "Fui vítima de uma falsa compra de seguidores a pretexto de ajudar a minha campanha e isso prejudicou a minha campanha. A gente está insistindo que a Justiça Eleitoral debata esse tema, porque acreditamos que isso pode ajudar a termos eleições mais limpas no mundo virtual."
No pedido feito ao Tribunal Eleitoral Regional de São Paulo (TRE-SP), a campanha de Garcia diz que, entre os dias 20 e 21 de julho, quando ainda era pré-candidato, notou "movimentação anormal na evolução de seguidores" do perfil dele no Instagram - ele haveria ganho 13 mil seguidores. Com isso, alega que por "suposta violação das diretrizes da rede social", foi lesado com "redução em mais de 50% no engajamento de sua página". A petição é movida contra "usuário anônimo".
Os advogados pleitearam, então, que a empresa responsável pelo Instagram, a Facebook Serviços Online Brasil LTDA, apresentasse informações acerca dos perfis que passaram a seguir a página naquele intervalo de dias, e apontasse "quais deles seriam falsos ou robôs". Além disso, pediu a retomada do engajamento orgânico do perfil.
Rodrigo Garcia em evento de entrega de tecnologia para forças de segurança em frente ao Palácio da Polícia Civil, no Centro Foto: Leon Ferrari/Estadão - 09/09/2022
Relator do caso, o juiz Regis de Castilho Barbosa Filho indeferiu a petição e julgou extinto o processo sem julgamento do mérito. O magistrado argumentou que o pedido narra questões de ordem contratual e não eleitoral. Também aponta que a campanha de Garcia tentou expandir o sentido de norma eleitoral sobre impulsionamento de conteúdo, para "abarcar hipóteses não previstas expressamente".
O Estadão buscou tanto o TRE-SP quanto o Instagram para que comentassem o caso. Nenhum deles se manifestou até a publicação da reportagem.
O professor de Direito Eleitoral, Alberto Rollo, avalia que, por haver prejuízo à campanha, a Justiça Eleitoral tem "a obrigação de definir e decidir também esse tipo de questão no momento eleitoral".
"Ele (Garcia) reclama que houve diminuição dos engajamentos e que (a restrição da rede) impossibilitou novos engajamentos. Isso é um prejuízo na campanha. Depois se quiser entrar com uma ação de indenização e cobrar R$ 1 bilhão de danos morais, é um outro problema, mas a campanha é agora", fala.
Rollo conta que, no escritório que trabalha, houve caso semelhante. Um candidato teve a página hackeada e entrou na Justiça Eleitoral. A resposta foi, também, de que se tratava de uma questão contratual. Eles recorreram e, após a empresa ser intimada, a situação se resolveu. A tendência, avalia, é que cada vez mais situações do tipo ocorram, conforme a internet se consolida como meio de campanha.
Por isso, argumenta, a Justiça Eleitoral precisa estar "preparada" para lidar com esse tipo de caso. "Se a lei me garante usar a internet como ferramenta de propaganda eleitoral, a Justiça Eleitoral tem a obrigação de garantir que essa ferramenta seja corretamente utilizada."
Segurança
Nesta sexta, Garcia participou de evento simbólico de entrega de equipamentos à Polícia Civil, no Centro. Ali, anunciou a entrega de 10 mil pistolas Glock 9mm aos policiais civis, 37 drones e 30 viaturas para a Polícia Técnico-Científica, e 48 unidades de resgate para o Corpo de Bombeiros, com investimento de R$ 43 milhões.
A pouco menos de um mês do primeiro turno, também anunciou a autorização para concurso público para a contratação de 3,5 mil policiais civis e técnico-científicos. Segundo o governo, é o maior concurso da "história da Polícia Civil de São Paulo".
Garcia voltou a engrossar o discurso contra o crime no Estado. "Aqui a glamourização é da polícia", falou. "Aqui quem vai amarelar é o crime, não a polícia de São Paulo."
Ele chegou a fazer um "trocadilho" em relação à prisão de Anderson Lacerda Pereira, o Gordão, um dos traficantes mais procurados do Brasil. "Conseguimos concluir ontem a transferência desse último traficante que foi preso pela polícia de São Paulo, conhecido como Gordão. Ele vai ficar 'gordinho' dentro do sistema penitenciário."