Queda de Flávio era esperada no PL e partido não deve tentar emplacar Michelle, avalia analista político
Após desgaste com caso Daniel Vorcaro e recuo nas pesquisas, Deividi Lira afirma que legenda deve manter Flávio Bolsonaro na disputa
A queda nas intenções de voto do pré-candidato à Presidência, senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), era esperada por dirigentes do Partido Liberal (PL) após a divulgação de mensagens entre o senador e o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, nas quais Flávio pede recursos ao empresário para custear o filme em homenagem ao pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), intitulado Dark Horse.
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A avaliação do analista político e consultor de marketing político Deividi Lira, mestre em Sociedade, é de que os dirigentes do partido não devem mudar a estratégia nem tentar emplacar outro nome, como o da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL).
Na última sexta-feira, 22, Flávio caiu de 35% para 31% nas intenções de voto no primeiro turno e de 45% para 43% em um eventual segundo turno contra o presidente Lula (PT), segundo pesquisa Datafolha. No mesmo período, Lula subiu de 38% para 40% no primeiro turno e de 45% para 47% no segundo turno. A queda ocorre após a divulgação das mensagens entre Flávio e Daniel Vorcaro.
“O PL considera a queda dentro do esperado. Agora o próximo passo é tentar apagar o fogo. Em contrapartida, Lula ganha um fôlego, principalmente pelas medidas econômicas anunciadas e pelo sucesso do encontro com Trump. Ele ainda surfa nessa crise de Flávio”, diz Lira.
O analista político acredita que o presidente deve apostar em trazer o assunto à tona durante a campanha para desgastar Flávio.
Apesar de acreditar que o PL seguirá com Flávio como candidato, Lira chama atenção para o fato de que 64% dos entrevistados avaliam que o senador agiu mal ao se relacionar com Vorcaro. “Houve um certo desconforto em uma ala do PL”, afirma.
Ao mesmo tempo em que o Datafolha mostrou a queda de Flávio, o nome de Michelle Bolsonaro foi testado na pesquisa divulgada na sexta-feira. A ex-primeira-dama apareceu com 43% das intenções de voto em um eventual segundo turno contra Lula, o mesmo percentual atribuído a Flávio. A diferença é que Lula pontua 48% contra Michelle, um ponto porcentual acima do registrado no cenário contra Flávio.
No primeiro turno, entretanto, Michelle aparece abaixo de Flávio, mesmo sem o filho do ex-presidente na disputa, somando 22% das intenções de voto.
“O plano vai ser seguir com o Flávio. Porque, em uma projeção de primeiro turno, Michelle vai bem pior. Para o segundo turno, ela melhora. Observamos que, mesmo sozinha, ela não resolveria esse cenário, porque o eleitorado bolsonarista não visualiza a indicação de que ela seria a candidata apoiada por Jair Bolsonaro”, afirma Lira.
O analista acredita que Michelle será candidata ao Senado pelo Distrito Federal.
Apesar de registrar o mesmo porcentual de Flávio contra Lula em um eventual segundo turno, Lira avalia que Michelle teria maior capacidade de converter votos de eleitores independentes, por apresentar menor rejeição.
“Além disso, ela conversa com mulheres pelo PL Mulher, tem muitos votos de evangélicos, pois frequenta cultos e igrejas neopentecostais, e também dialoga com homens de direita. Ela conseguiria converter esses votos. Lula deveria se preocupar mais com Michelle em um possível segundo turno”, afirmou.
Lira também entende que o perfil da ex-primeira-dama é diferente do de Flávio, sendo mais conciliador e negociador. “Ela consegue ter melhor diplomacia do que Flávio e o próprio Jair Bolsonaro”, disse.
No entanto, o analista avalia que Flávio dialoga melhor com empresários e representantes do agronegócio. “Se ela quisesse emplacar uma campanha, deveria começar a dialogar com esses setores, porque é um segmento que Lula também não tem”, afirmou.
Encontro com Trump
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, irá aos Estados Unidos para uma reunião com o presidente Donald Trump. O encontro deve ocorrer a convite do americano, segundo informações da pré-campanha do senador.
Lira avalia que o encontro não deve surtir efeitos significativos nas próximas pesquisas, mesmo em caso de repercussão positiva entre apoiadores bolsonaristas.
“Trump tem noção de que mantém um bom relacionamento com o atual presidente Lula e também enfrenta outras prioridades, como a guerra no Irã. Então, deve priorizar isso antes de articular um possível apoio a Flávio”, afirmou.
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