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Pré-candidatos criticam governador após onda de ataques em Minas Gerais

Fernando Pimentel, que vai tentar a reeleição, disse que casos de ônibus queimados são reação dos criminosos a um sistema prisional rigoroso

12 jun 2018
05h04
atualizado às 09h34
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BELO HORIZONTE - Pré-candidatos de oposição ao governo de Minas Gerais criticaram a declaração do governador Fernando Pimentel (PT), que vai tentar a reeleição, na qual ele atribui os recentes ataques a ônibus e estabelecimentos comerciais a um sistema prisional "mais rigoroso" no Estado "que a média brasileira".

"Estamos pagando o preço do nosso sistema prisional ser mais rigoroso do que a média brasileira. Aqui nós não afrouxamos o sistema carcerário para organização criminosa nenhuma", afirmou o pré-candidato petista em coletiva de imprensa, na segunda-feira passada.

Segundo balanço divulgado pela Polícia Militar de Minas Gerais na segunda-feira, 11, foram registrados 66 ataques a ônibus em 37 municípios do Estado desde o último domingo, 3. A maioria dos alvos são cidades do Sul de Minas e Triângulo Mineiro. Ao todo, 90 pessoas foram presas, além da apreensão de 26 menores de idade, por envolvimento com os ataques.

Logo no começo da semana, o governador Fernando Pimentel (PT), pré-candidato a reeleição, confirmou que os ataques foram coordenados por uma facção criminosa. A suspeita é de que uma célula do Primeiro Comando da Capital estaria atuando no território mineiro.

O o ex-prefeito de Belo Horizonte, Márcio Lacerda, pré-candidato do PSB ao governo de Minas, criticou a atuação do governador. Segundo ele, os atos de vandalismo "são uma demonstração da paralisia do governo frente a atuação do crime organizado, que provocou um desmantelamento da coordenação das forças policiais para combater a criminalidade". "Gerar emprego, principalmente para os jovens. Além de uma presença mais ostensiva da polícia nas ruas, é necessário realizar um trabalho de inteligência para combater os altos escalões do crime organizado", afirmou.

Já o pré-candidato do DEM, Rodrigo Pacheco, declarou qual seria a orientação do seu plano de governo para a área de segurança pública. "Bandido não pode ter vez. Se alguém que quiser cumprir pena para se ressocializar, ele tem que fazer isso dentro de presídios que tenham condições de recuperar pessoas. Mas o sujeito que quer viver no mundo do crime deve ter a força do Estado sobre ele". O deputado federal também afirmou que pretende melhorar o efetivo da Polícia Militar e tornar a Polícia Civil mineira uma "polícia de elite".

O senador Antônio Anastasia (PSDB), que tenta retornar ao Palácio da Liberdade, usou as redes sociais para se posicionar mas foi um dos poucos que não criticou diretamente o governador petista. "Identificar os responsáveis e punir com rigor. Ações integradas e trabalho de inteligência. É o que a sociedade mineira espera nesse momento. Não podemos permitir que a bandidagem continue levando medo e temor à população", afirmou.

O PSOL, partido da pré-candidata Dirlene Marques, relembrou a morte da vereadora Marielle Franco, no Rio de Janeiro, em março, e criticou a política de privatização de unidades prisionais, praticada pelo governo mineiro. "Temos um sistema penitenciário e de segurança pública que dentre tantos problemas, a falta de agentes penitenciários e uma estrutura de ressocialização que não permite ter dignidade e direitos garantidos", afirmou o partido, em nota.

O empresário Romeu Zema, que tenta chegar ao Palácio da Liberdade pelo partido Novo, foi um dos mais incisivos nas críticas às políticas públicas praticadas em Minas Gerais. "Nossos presídios ficaram incontroláveis.Um governo que não consegue controlar seus presídios, não é um governo. É um desgoverno. Enquanto não garantirmos a segurança nestes locais, não teremos segurança nas ruas". Zema também declarou que pretende investir em Parcerias Público-Privadas para administrar presídios mineiros.

Para o pré-candidato da Rede, João Batista Mares Guia, essa é uma questão de Estado e da sociedade, e não apenas das polícias. "A melhor resposta à segurança é uma revolução na educação básica, com escolas em tempo integral", afirmou. Mares Guia defendeu uma diferenciação entre "bandido barra-pesada" e "criminoso ocasional", sendo que estes poderiam ser encaminhados para centros de recuperação.

O sociólogo e pesquisador do Centro de Estudos de Criminalidade e Segurança Pública (CRISP), Victor Neiva, refutou a declaração do governador, de que Minas tem um sistema prisional rigoroso. Ele confirmou a existência de uma célula do PCC nas cadeias na Região Metropolitana de Belo Horizonte, mas disse que a atuação do grupo em território mineiro ainda é incerta.

"É um cenário muito preocupante, de superlotação nas unidades prisionais, um baixo efetivo de agentes penitenciários e uma fragmentação muito grande da população prisional. Tem a formação de grupos muito específicos e grupos que desenvolvem entre si rivalidades e conflitos", afirmou o cientista político. Ele acredita que segurança pública será um dos temas mais presentes nas campanhas eleitorais deste ano.

Estadão Conteúdo

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