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Jovem marcada com suástica sofreu homofobia, diz polícia

Vítima de 19 anos foi agredida por três homens por usar uma bandeira do arco-íris com os dizeres "Ele Não"

10 out 2018
22h14
atualizado às 22h25
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Uma jovem de 19 anos foi atacada por três homens e teve a barriga marcada com traços semelhantes a uma suástica - símbolo do nazismo - na noite de segunda-feira, 8, no bairro Cidade Baixa, região Central de Porto Alegre. Segundo o delegado responsável pelo caso e a advogada da jovem, ela teria sido vítima de homofobia em razão de um adesivo com a bandeira do arco-íris na mochila que ela usava quando foi atacada e pelos xingamentos proferidos pelos agressores durante a ação. O caso ganhou repercussão nas redes sociais nesta quarta-feira, 10.

Responsável pelo caso, delegado Paulo César Jardim, considerado especialista em neonazismo no Rio Grande do Sul, disse não reconhecer uma suástica no ferimento no corpo da vítima. "Eu não vi uma suástica. Ali o que tem um símbolo antigo, milenar, budista, que foi historicamente corrompido", disse. Questionado pela imprensa se não seria contraditório um símbolo budista em uma agressão, o delegado voltou a negar. "Aí vamos partir do se, da adivinhação…", disse.

Foto: IstoÉ

Em razão do pedido da jovem de não querer a representação criminal, o delegado afirmou que a investigação está "temporariamente suspensa".

A vítima, que não teve o nome revelado, relatou em depoimento que voltava do cursinho na segunda-feira à noite quando, após descer do ônibus, foi seguida por três homens. Segundo o delegado, ao verem a bandeira do arco-íris, e que continha a inscrição "Ele Não" - em referência ao movimento de mulheres contra Jair Bolsonaro, candidato do PSL à Presidência da República - os agressores passaram a xingar a vítima com "palavras homofóbicas". Ao responder, ela foi agredida com socos e foi segurada por dois deles, enquanto outro marcava o símbolo na barriga da vítima com um objeto perfuro-cortante.

"Foi um crime fundamentado na homofobia", afirmou a advogada da jovem, Gabriela Souza. Segundo a defensora, a vítima não quer dar prosseguimento para uma representação criminal e fez o boletim de ocorrência "apenas ter uma segurança jurídica em função da publicação nas redes sociais". O boletim de ocorrência foi registrado na terça-feira, dia seguinte ao fato. O delegado confirma a versão. "Eu, a advogada e ela não temos dúvida de que foi crime de homofobia", disse Jardim.

Estadão Conteúdo

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