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Hora a hora: as 'falhas' tecnológicas no dia da votação

Ministro Luís Roberto Barroso disse que houve uma tentativa de invasão, mas que não afetou o sistema de totalização dos votos e, muito menos, as urnas eletrônicas; problemas de divulgação aconteceram mais tarde

16 nov 2020
16h27
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BRASÍLIA - Uma série de problemas nos sistemas da Justiça Eleitoral foram relatados no domingo de eleição.

Veja abaixo quais foram e o que disse o Tribunal Superior Eleitoral:

8h - APLICATIVO E-TÍTULO FICA INDISPONÍVEL

Início da votação em todo o País. Eleitores relatam dificuldade para fazer download e utilizar o aplicativo e-Título. Entre as funcionalidades que ficaram indisponíveis no aplicativo estavam a consulta ao local de votação e a justificativa de ausência para quem estava fora do seu domicílio eleitoral.

Página inicial do e-Título
Página inicial do e-Título
Foto: Reprodução/TSE / Estadão

13h - TSE CULPA QUEM DEIXOU PARA 'ÚLTIMA HORA'

Tribunal Superior Eleitoral admite instabilidade no aplicativo, mas atribui a sobrecarga causada pelo grande volume de usuários que tentaram baixar o aplicativo "simultaneamente" e na "última hora". O presidente da Corte Eleitoral, ministro Luís Roberto Barroso, orienta eleitores a insistirem para conseguir acessar a ferramenta.

15h - TENTATIVA DE ATAQUE HACKER E VAZAMENTO DE DADOS

Em entrevista, Barroso relata uma tentativa de ataque hacker ao sistema do TSE durante a manhã do dia de votação, mas diz que foi "totalmente neutralizado". O ministro também descarta relação entre o episódio e a divulgação de dados de funcionário da Justiça Eleitoral. Pouco antes, um grupo de hackers expôs dados do TSE em links para download, o que levantou suspeitas sobre a segurança do sistema. Segundo Barroso, tratavam-se de dados antigos, sem nenhuma relação com as eleições.

17h - SISTEMA QUE MOSTRA APURAÇÃO 'ENGASGA'

Com o fim do horário de votação em todo o País, TSE inicia da apuração dos votos. Após as primeiras informações na maioria das cidades, o sistema do TSE "engasga" e para de atualizar os dados. Em São Paulo, por exemplo, a apuração ficou paralisada em 0,39% das urnas apuradas por um longo período e só voltou a avançar após as 21h.

19h - TSE ATRIBUI LENTIDÃO A SISTEMA QUE SOMA OS VOTOS

O TSE divulga uma nota em que admite a falha e atribui o atraso para a divulgação dos resultados da eleição a uma "lentidão no processo de totalização dos votos" (soma dos votos). A Corte Eleitoral volta a negar relação entre a demora para mostrar os dados e a tentativa de ataque cibernético ocorrida pela manhã. A falha no sistema, até então inédita desde a adoção da urna eletrônica, inflamou a militância digital bolsonarista, que voltou a colocar em xeque a lisura do sistema eleitoral do País — sem apresentar provas.

21h - PROBLEMA EM SUPERCOMPUTADOR

Em nova entrevista, Barroso detalha a mudança na forma de totalização de votos feita neste ano que, em suas palavras, "muito possivelmente" motivou o atraso na divulgação. Desta vez, ao invés de 27 data centers espalhados nos tribunais regionais eleitorais (TRES) de todo o País, a totalização dos votos passou a ser feita apenas no TSE. Ainda de acordo com Barroso, a demora na apuração foi causada por um "problema técnico" em um dos núcleos de processadores de contabilização, que ele chamou de "supercomputador". "Foi falha de hardware, colmo se tivesse dado um problema no motor do carro", afirmou. Na ocasião, ainda disse que desde o primeiro momento não teve "simpatia" com a decisão, mas frisou que a mudança já estava estabelecida quando assumiu a presidência da Corte, em maio do ano passado.

0h - RELATÓRIO DA PF RECOMENDOU MUDANÇA

Após o fim da apuração em todo o País atingido às 23h55, Barroso minimiza o atraso e afirma que a centralização no próprio TSE foi "recomendação da perícia da PF em nome de se prover maior segurança à totalização". A medida, segundo ele, foi tomada para garantir a integridade das informações em caso de eventuais ataques ao sistema da Corte. Como revelou o Estadão, um dia antes da falha técnica atrasar a divulgação dos votos, o secretário de tecnologia da informação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Giuseppe Janino, participou de um evento em que prometeu "mais estabilidade" e "melhor aproveitamento do processamento" na divulgação dos dados. "Foi decisão técnica decorrente de recomendação da PF e embora tenha dito que não tinha simpatia pela medida, eu também a teria tomado, porque era recomendação técnica de relatório minucioso da PF a esse respeito", disse Barroso.

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Estadão
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