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Especialistas em educação dizem a Onyx que novo governo não pode perseguir professores

Viviane Senna, que participou do encontro, era cotada para assumir ministério em governo Bolsonaro

14 nov 2018 18h32
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Viviane Senna, irmã de Ayrton Senna e presidente do instituto que leva o nome do piloto, e outros especialistas em educação que participaram de um encontro nesta quarta-feira, 14, em Brasília, com o futuro ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, deixaram claro que o governo Jair Bolsonaro não pode ter como pauta a perseguição de professores. Quem estava presente afirmou que a conversa foi técnica, com apresentação do cenário educacional brasileiro para o futuro ministro. Não se falou sobre o cargo de ministro da Educação no encontro entre Lorenzoni e Viviane - o instituto, em nota, disse que não está nos planos dela assumir a pasta.

Ela foi enfática em afirmar que Bolsonaro deveria adotar como grandes causas a alfabetização de crianças na idade certa e a valorização do professor no País. Segundo as últimas avaliações nacionais, mais da metade das crianças de 8 anos não sabem ler e escrever de maneira satisfatória. Só 13% chegaram ao nível considerado desejável de alfabetização. Estudos internacionais têm mostrado que a qualidade do professor é determinante para o desempenho do aluno e até para sua vida adulta.

Estavam presentes ainda a presidente executiva do Movimento Todos Pela Educação, Priscila Cruz, o professor do Insper Ricardo Paes de Barros e o diretor do Instituto Ayrton Senna, Mozart Neves. "Foi dito que não se pode ter pautas negativas com professor nesse momento. Não pode fazer perseguição com professor", contou Priscila.

O grupo deixou claro que não há como melhorar a qualidade da educação no País sem um plano completo para melhorar carreira docente, o que inclui formação e salário.

Viviane também deixou claro que o novo governo precisa por em prática políticas educacionais que tenham evidência de sucesso nacionalmente e internacionalmente. O grupo não se referiu diretamente a ideias de Bolsonaro para a área, como a defesa do projeto Escola sem Partido, que combate uma suposta doutrinação de professores, a ampliação de colégios militares e a implementação da educação a distância no ensino médio. Nenhuma dessas propostas foi adotada em países que se tornaram modelo para a educação no mundo. "Temos que ter pauta propositiva e não pauta bomba", afirmou Priscila.

O nome de Viviane tem aparecido como possível ministra da Educação no governo Bolsonaro. O Instituto Ayrton Senna, no entanto, divulgou nota afirmando que "não está nos planos dela aceitar o cargo". "Eu acredito que a Educação é um desafio de toda a sociedade e não só do poder público. Cada um de nós, pessoas civis, temos a nossa parcela de contribuição. Por isso, venho dedicando esses últimos 25 anos de minha vida nesse compromisso", disse ela, em nota.

Viviane havia sido chamada por Onyx para um encontro e foi ela quem sugeriu o formato e convidou os outros participantes. A reunião começou com uma apresentação do cenário brasileiro na educação feita por Paes de Barros. Em seguida, Priscila falou do Educação Já, um plano elaborado pela sociedade civil, com a liderança do Todos pela Educação, que recomenda 7 medidas prioritárias para a próxima gestão federal. Entre elas, estão a alfabetização das crianças, a efetivação da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), um novo modelo de ensino médio e a valorização do professor. Segundo quem estava na reunião, Onyx elogiou o trabalho da sociedade civil e disse concordar com as medidas propostas.

Estadão
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