Corrida presidencial: Lula larga na frente, mas indecisos e rejeição podem mudar o cenário das eleições
Líderes de institutos de pesquisa apontam que eleitores não alinhados e reviravoltas na campanha serão decisivos no pleito deste ano
O cenário para as próximas eleições presidenciais começa a se desenhar com uma vantagem inicial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas os especialistas alertam que a disputa permanece aberta. Durante o Almoço Empresarial promovido pelo LIDE em São Paulo, líderes dos principais institutos de pesquisa do país apontaram que os eleitores não alinhados ao lulismo ou ao bolsonarismo serão a chave para definir o resultado das urnas.
Eleições 2026: Institutos de pesquisas mostram cenário político
O ex-governador João Doria recebeu, entre os convidados, o CEO da Quaest, Felipe Nunes. Ele explicou que a melhora na percepção da economia impulsionou a competitividade do governo. Contudo, ele destacou que o quadro ainda exige cautela e observou que "hoje, os modelos clássicos da ciência política apontam que Lula começa com uma condição de favoritismo maior do que os seus concorrentes. Isso está demonstrado. Mas essa parece ser uma eleição muito difícil de cravar. Os fundamentos favorecem o presidente, a agenda de preocupação favorece a oposição. Os independentes começam a se mover, mas ainda não estão completamente definidos".
Complementando essa leitura, o presidente de honra da ABRAPEL, Antonio Lavareda, ressaltou que levantamentos representam a fotografia do momento. Além disso, afirmou que viradas históricas são comuns durante as campanhas, lembrando que "pesquisas não são bola de cristal, não servem para fazer projeção absoluta sobre o futuro, mas são extremamente importantes, sobretudo para a sociedade acompanhar a correlação de forças, os fatores envolvidos, as principais preocupações da população e a distribuição do apoio nos segmentos demográficos e nas regiões do país".
Rejeição, redes de apoio e o peso de São Paulo
Análises estruturais mostram um cenário intrigante no qual a erosão de certas bases de apoio convive com a liderança nas intenções de voto. O CEO da AtlasIntel, Andrei Roman, destacou o desgaste do governo em regiões tradicionais como o Nordeste, ao mesmo tempo em que Lula mantém a vantagem sobre o principal nome da oposição, Flávio Bolsonaro. Avaliando as constantes oscilações do eleitorado, Andrei Roman pontuou que "geralmente, quando você tem a estrutura apontando de uma forma totalmente diferente dos fatores conjunturais, isso é uma receita de volatilidade eleitoral".
A movimentação nos estados também deve alterar a dinâmica geográfica da votação. O presidente do Paraná Pesquisas, Murilo Hidalgo, avalia que a definição do pleito pode migrar de Minas Gerais para o Sudeste de forma mais ampla, prevendo que "dessa vez, ao nosso ver, a eleição vai ser decidida no estado de São Paulo. São Paulo vai decidir quem é o próximo presidente". Para ele, temas como segurança pública e a pauta da corrupção terão grande peso nas oscilações de votos até o dia da eleição.
Por fim, a diretora do Datafolha, Luciana Chong, reforçou que o nível de desmobilização e o desconhecimento espontâneo de candidatos continuam elevados. Ultrapassam os índices de pleitos anteriores. Diante do alto índice de rejeição registrado pelos dois principais concorrentes, a executiva analisou o comportamento do eleitorado observando que "acaba se tratando de uma eleição de rejeição. Muitos eleitores votam em Lula não por considerarem as suas propostas as melhores, mas para combater Bolsonaro. E muitos votam em Flávio também para combater a liderança de Lula". Segundo a especialista, a decisão final estará concentrada em públicos estratégicos, como as mulheres, os idosos e, principalmente, a fatia dos eleitores indecisos.
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