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Cinegrafista que filmou confronto em agenda de Tarcísio pede demissão da Jovem Pan

Tiroteio ocorreu no último dia 17, em Paraisópolis, em São Paulo; áudio mostra equipe de Tarcísio pedindo para cinegrafista apagar imagens

27 out 2022 - 18h48
(atualizado às 20h35)
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Tarcísio de Freitas deixa Paraisópolis após troca de tiros interromper agenda
Tarcísio de Freitas deixa Paraisópolis após troca de tiros interromper agenda
Foto: TV Globo

O cinegrafista que divulgou o áudio em que um dos integrantes da equipe de campanha do candidato ao governo de São Paulo Tarcísio de Freitas (Republicanos) o pressiona a apagar um vídeo pediu demissão da Jovem Pan um dia depois da veiculação do áudio. A informação é da Carta Capital.

Marcos Andrade deu uma entrevista à Folha de S. Paulo, na quarta-feira, 26, afirmando que a campanha do candidato pediu para que a emissora o demitisse, mas a equipe do ex-ministro da Infraestrutura nega. 

O caso ocorreu no último dia 17, na comunidade de Paraisópolis, na zona sul de São Paulo. O ex-ministro da Infraestrutura estava cumprindo agenda no Polo Universitário de Paraisópolis e teve que interromper por causa de um tiroteio. Nas redes sociais, Tarcísio disse ter sido alvo de "ataque de criminosos", mas afirmou que todos da sua comitiva estavam bem e que um "bandido foi baleado". Um suspeito foi morto na ocasião. 

O cinegrafista conseguiu gravar as partes mais explícitas do confronto. No áudio divulgado, o profissional foi questionado sobre o que ele tinha filmado e houve a ordem para que ele apagasse as imagens.

"Você filmou os policiais atirando?", pergunta um integrante da campanha. "Não, trocando tiro efetivamente, não. Tenho tiro da PM pra cima dos caras", responde o cinegrafista. O membro da campanha ainda pergunta se ele teria filmado as pessoas que estavam no local em que o evento de Tarcísio foi realizado. "Você tem que apagar", diz o segurança.

Pedido de demissão

Marcos Andrade contou à Folha que "houve comunicação da equipe com a empresa cobrando uma postura da empresa de desligamento". Segundo o cinegrafista, a Jovem Pan sugeriu que ele gravasse um vídeo para o candidato, mas não sabia se seria para a campanha. “Mas é de um jeito para eles ficarem bem com esse pessoal. Aquela conversa de que seria legal. Em nenhum momento eles me coagiram a gravar nada", revelou.

Em nota à Folha, a Jovem Pan declarou que exibiu todas as imagens feitas durante o tiroteio e que o trabalho do cinegrafista permitiu que a emissora fosse a primeira a noticiar o ocorrido no local. 

“Não houve contato da campanha do candidato Tarcísio com a direção da emissora com o intuito de restringir a exibição das imagens e, por consequência, o trabalho jornalístico", afirmou. 

Posicionamento da equipe de Tarcísio

Após a divulgação do áudio, a equipe de Tarcísio se manifestou, negando qualquer impedimento de veiculação das imagens. Segundo o posicionamento, houve apenas um pedido para que não fossem enviadas imagens que expunham as pessoas que estavam no local, incluindo jornalistas.

De acordo com a campanha do ex-ministro da Infraestrutura, há uma "grave tentativa de descontextualização do episódio em Paraisópolis e de interpretação equivocada do áudio divulgado". "Em primeiro lugar, o cinegrafista, bem como outros jornalistas que estavam em situação de risco, foram colocados na van da equipe de Tarcísio para garantir a sua segurança na saída do local. Nesse momento, foi pedido que não fossem feitas imagens internas do carro e nem na chegada da base de trabalho da equipe para que ninguém fosse exposto dada a gravidade do ocorrido", esclareceu.

Ainda de acordo com a nota divulgada, ao chegar na base, um integrante da equipe perguntou ao cinegrafista se ele havia filmado aqueles que estavam no local e se seria possível não enviar essa parte do vídeo "para não expor as pessoas que estavam lá". "O questionamento foi feito na chegada da base, após o tiroteio, em frente a todos que lá estavam, incluindo jornalistas de outras emissoras", pontua.

Segundo reportagem da Folha, a equipe de campanha disse que “não houve qualquer pressão da campanha para que o cinegrafista fosse demitido”. 

O posicionamento diz que, no dia do ocorrido, o cinegrafista fez um vídeo “emocionado” dentro da van, “agradecendo o Tarcísio por tê-lo tirado do local do tiroteio”. “No dia seguinte, na chegada a uma sabatina da Jovem Pan, o próprio cinegrafista fez questão de receber e agradecer Tarcísio mais uma vez, além de tirar fotos e dizer que toda a família estava muita agradecida pelo que havia sido feito por ele", afirma a campanha.

Fonte: Redação Terra
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