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Campanha de Alckmin baterá em proposta de 'nova CPMF' de Bolsonaro

Anunciado como ministro da Fazenda em caso de vitória do PSL nas eleições 2018, Guedes disse que pretende adotar um imposto incidente sobre movimentações financeiras

19 set 2018
20h56
atualizado às 22h29
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BRASÍLIA - Após a crise instalada no comitê tucano com a queda nas pesquisas de intenção de voto das eleições 2018, o candidato do PSDB à Presidência, Geraldo Alckmin, comemorou nesta quarta-feira, 19, o polêmico plano do economista Paulo Guedes, guru econômico da campanha de Jair Bolsonaro (PSL), para recriar um imposto nos moldes da CPMF. Na propaganda eleitoral de TV que irá ao ar a partir desta quinta-feira, 20, Alckmin vai explorar o tema e o que chama de "contradições" do adversário.

Anunciado pelo próprio Bolsonaro como ministro da Fazenda em caso de vitória do PSL, Guedes disse a portas fechadas, para um pequeno grupo de investidores, que pretende adotar um imposto incidente sobre movimentações financeiras, a exemplo da antiga CPMF, conforme publicado pelo jornal Folha de S.Paulo. O novo tributo teria o objetivo de financiar a Previdência.

A proposta deu munição para ataques dos rivais e expôs divergências na campanha de Bolsonaro. Internado no Hospital Albert Einstein, onde se recupera de duas cirurgias sofridas após um atentado, no último dia 6, o candidato do PSL não escondeu a contrariedade com o rumo da discussão e escreveu no Twitter que sua equipe trabalha em um programa para redução da carga tributária.

"Chega de impostos é o nosso lema! Somos e faremos diferente", afirmou Bolsonaro nas redes sociais. Vice na chapa do capitão reformado, o general Hamilton Mourão (PRTB) também se mostrou contrário à criação de novos impostos. "É um tiro no pé", disse ele.

Improviso

Coordenador da campanha de Alckmin, o presidente do DEM, ACM Neto, afirmou que a proposta apresentada por Guedes é uma "clara contradição" com o discurso do candidato na área econômica. "Em primeiro lugar, a criação da CPMF, o imposto do cheque, é uma pauta do PT", argumentou ACM Neto, que também é prefeito de Salvador. "Está evidente que Bolsonaro não tem projeto para o País e as coisas ali são feitas na base do improviso. Ninguém sabe qual a reforma tributária que ele pretende fazer."

Em entrevista ao site BR-18, Guedes disse que, caso Bolsonaro chegue ao Palácio do Planalto, a alíquota do novo imposto poderá ficar entre 0,40% e 0,50% sobre cada transação financeira. O economista negou que pretenda criar uma única alíquota de Imposto de Renda, de 20%, para as empresas e para as pessoas físicas, como foi divulgado. Afirmou que o plano é reduzir para 20% as duas maiores alíquotas do IR de Pessoa Física, de 27,5% e de 22,5%, e aumentar para os mesmos 20% o imposto de quem recebe como Pessoa Jurídica, hoje em 17,5%.

A estratégia da campanha de Alckmin para tentar sair das cordas consiste em bater em Bolsonaro e no ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad (PT), isolado na segunda posição nas pesquisas, e pregar o medo entre os eleitores, sob o argumento de que o País não pode dar um "salto no escuro". A ideia da equipe tucana é dizer que, se o Brasil for comandado por Bolsonaro ou "pelo PT", viverá um período de ingovernabilidade, podendo até mesmo experimentar um novo processo de impeachment, como ocorreu com Dilma Rousseff, presidente cassada em 2016.

Estadão
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