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Aécio defende revista de ataques e pede repúdio “nas urnas”

O presidenciável do PSDB encerrou em São João Del Rey, terra do avô e ex-presidente Tancredo Neves, a campanha de segundo turno; candidato criticou ataques à sede da editora Abril, que publica a "Veja", e defendeu "liberdade de expressão e de imprensa"

25 out 2014
15h33
atualizado em 29/10/2014 às 11h46
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O candidato do PSDB à Presidência da República, Aécio Neves, afirmou neste sábado, em São João Del Rey (interior de Minas Gerais), que ações de vandalismo na sede da editora Abril, em São Paulo, na noite passada, e a tentativa do PT de barrar a circulação da revista Veja neste fim de semana configuram “atentado contra a democracia e contra a liberdade de expressão” e merecem ato de repúdio “nas urnas”.

<p>Em visita ao túmulo de Tancredo e dona Risoleta, no cemitério São Francisco de Assis, com a irmã Andréa e a mãe, Maria Inês</p>
Em visita ao túmulo de Tancredo e dona Risoleta, no cemitério São Francisco de Assis, com a irmã Andréa e a mãe, Maria Inês
Foto: Janaina Garcia / Terra

Aécio encerrou a campanha de rua com uma visita à cidade-natal de seu avô, o ex-presidente Tancredo Neves, na qual venceu a candidata à reeleição, Dilma Rousseff (PT), com 54% a 31% dos votos. No Estado, porém, Dilma venceu.

O tucano falou com a imprensa no Solar dos Neves, residência da família, e em seguida visitou o túmulo do ex-presidente e da avó, ao lado da mãe, Maria Inês Neves da Cunha, e da irmã e uma das coordenadoras de sua campanha, André Neves.

A sede da editoria Abril foi alvo de atos de vandalismo, ontem à noite, um dia depois de publicar reportagem segundo a qual o doleiro Alberto Youssef relatara que tanto a candidata do PT quanto o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) saberiam de desvios na Petrobras revelados na última semana por um dos ex-diretores da estatal, Paulo Roberto da Costa.

O PT considerou a reportagem uma tentativa de “golpe eleitoral”. Também na noite passada, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) concedeu liminar à campanha de Dilma proibindo a revista de fazer propaganda em qualquer meio de comunicação da reportagem, que ganhou a capa da publicação.

“Assistimos ontem e hoje (com a decisão do TSE) a um atentado contra a democracia e a liberdade de expressão”, disse, para completar: “Ao tentar invadir e depredar a fachada de um importante veículo de comunicação, os manifestantes não atingem aquele veículo, mas o que tempos de mais valioso, que é a liberdade de expressão no Brasil, a liberdade de imprensa. A democracia vive disso, das manifestações, e as contrárias têm que ser respeitadas”, declarou.

Ainda segundo o candidato, “o alvo foi errado”. “Porque o que essa revista e hoje outros veículos fazem é na verdade comunicar”, declarou. “Isso deve receber o repúdio de todos os brasileiros da forma mais veemente possível, e uma boa forma de demonstrar esse repúdio é indo às urnas amanhã para valorizar a democracia e apontar um novo caminho para o Brasil”, discursou.

<p>Solar dos Neves, no centro histórico de São João del Rey, onde o candidato deu entrevista coletiva</p>
Solar dos Neves, no centro histórico de São João del Rey, onde o candidato deu entrevista coletiva
Foto: Janaina Garcia / Terra

Aécio ainda fez uma avaliação sobre a campanha deste ano e, indagado sobre momentos piores e melhores, destacou, respectivamente, a morte do presidenciável Eduardo Campos (PSB) em acidente aéreo no dia 13 de agosto e a campanha de rua por cidades como Salvador, Rio e Porto Alegre nos últimos 20 dias.

O tucano ainda agradeceu os apoios políticos do segundo turno – dentro os quais, PSB, PSC e PV – e os afunilou na figura de Marina Silva, pessebista e terceira colocada que acabou declarando apoio e voto a sua candidatura.

“Agradeço a tantos companheiros de tantas forças da sociedade através da minha amiga Marina Silva: posso dizer que sua presença na política oxigena e fortalece a boa política e nos traz esperança”, declarou. Sobre a figura do ex-presidente Lula – que chegou a chamar o tucano, em campanha, de “filhinho de papai” --, Aécio foi irônico: “Ele saiu dessa campanha muito menor do que entrou, mas como sou um homem generoso, vou ficar com os elogios rasgados que ele fez a mim ao longo de todo o nosso convívio como governador de Minas”, definiu.

"Institutos de pesquisa terão que se reciclar"
Após a morte de Eduardo Campos e o nome de Marina ter sido colocado como cabeça de chapa, as pesquisas de intenção de voto do primeiro turno colocaram Aécio na terceira colocação praticamente até às vésperas da votação, no dia 5 de outubro.

No segundo turno, apenas no final desta semana levantamentos conduzidos pelos institutos Ibope e Datafolha puseram Dilma à frente do tucano descolados de empate técnico – até então, Aécio aparecia à frente da petista, ainda que tecnicamente, nos votos válidos, estivessem empatados.

Questionado no encerramento da campanha, hoje, se confia em algum instituto de pesquisa, Aécio desconversou.

“Todos os institutos terão que se reciclar e tentar compreender internamente o que aconteceu, porque os erros foram grosseiros”, disse. “Mas não me abalei em momento algum – nem me iludi quando elas (pesquisas) me puseram em condição confortável, nem me desesperei quando me trouxeram em situação mais desconfortável. Mas tenho um instituto, mas tenho a percepção e a sensibilidade de ver que estamos crescendo e acho que podemos vencer com uma margem surpreendente”.

Aécio vota amanhã em Belo Horizonte e passa o dia ao lado da família na capital mineira. Conforme o TSE, os números da corrida presidencial só devem ser divulgados a partir das 20 horas.

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Fonte: Terra
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