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Você sabia? Por que será difícil embalsamar corpo de Chávez?

Especialista afirma que o embalsamamento de Chávez deveria ter sido feito muito antes, nas primeiras horas após a morte

16 mar 2013 14h18
| atualizado às 14h18
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<p>A televisão oficial mostrou imagens do caixão semidescoberto após a morte do líder venezuelano</p>
A televisão oficial mostrou imagens do caixão semidescoberto após a morte do líder venezuelano
Foto: EFE

O presidente interino da Venezuela, Nicolás Maduro, anunciou, no dia 7 de março, que o corpo do ex-presidente Hugo Chávez seria embalsamado, assim como o de outros líderes políticos. Chavéz morreu na terça-feira, dia 5, aos 58 anos, vítima de um câncer na região pélvica. No dia 13, entretanto, Maduro admitiu que o corpo de Chavéz pode não ser embalsamado, pois o processo deveria ter começado antes.

Na verdade, muito antes. De acordo com Marivaldo Amaro da Silva, técnico em anatomia e necropsia e coordenador da equipe de Tanatopraxia de um grupo de funerárias no Nordeste, o procedimento de embalsamar o corpo deve se iniciar, preferencialmente, duas horas após a constatação do óbito.

"É para se ter um melhor resultado do procedimento", argumenta. Silva explica que o processo começa geralmente uma a duas horas após a morte, e se torna permanente ou fixo entre seis a doze horas, apresentando mudanças significativas em várias partes do corpo.

A origem

A técnica de embalsamar os corpos para preservá-los remonta aos tempos do antigo Egito. "Entre as múmias famosas, destacam-se as dos faraós Tutancâmon, Seti I e Ramsés II, embora a primeira múmia egípcia conhecida, apelidada de "Ginger", remonta a cerca de 3300 a.C", elucida Silva. Também existem registros de que o embalsamamento era feito, anteriormente, no norte do Chile, com a tribo chinchorro.

Foi no Egito que se principiou a retirar os órgãos do corpo durante o processo. O cérebro era retirado pelo nariz e jogado fora. O restante dos órgãos, exceto o coração, eram removidos e armazenados em recipientes conhecidos como vasos canópicos. Em seguida, o corpo era coberto com natrão, um tipo de sal, onde ficava cerca de 35 a 40 dias, para secar. Só depois o corpo era enfaixado, o que garantia a estrutura e a conservação do cadáver.

O procedimento

A fim de preservar o corpo, o embalsamento deve ser realizado logo após a constatação do óbito. De acordo com Silva, que exerce a função de tanatopraxista (preparação e tratamento de corpos) há 14 anos, o primeiro passo é avaliar o estado do corpo e definir os procedimentos técnicos que serão realizados. Depois de retirada a roupa e feita a lavagem, com água e sabão, o embalsamador faz a modelagem da face, para a apresentação estética, e localiza as principais artérias, para injeção do líquido embalsamador, e veias, para a drenagem.

Após cerca de 60% a 70% do sangue ser drenado e do líquido embalsamador ser introduzido, por meio da bomba injetora, fecham-se as incisões e realizam-se a necromaquiagem e restauração facial, quando necessária. Então se veste e se acondiciona o corpo na urna funerária. O procedimento leva de três a seis horas, dependendo do estado do corpo.

O embalsamador cuida de todas as etapas da preparação para o velório e o enterro. No cenário de trabalho desse profissional, mesa em aço inox, bomba injetora, pinças, tesouras, cânulas, agulhas, facas e outros instrumentos fazem parte da rotina diária. Conforme Silva, a técnica pode ser aplicada em todos os casos, de morte natural à violenta, desde que o sistema circulatório esteja preservado. "Exceto corpos carbonizados", aponta.

O embalsamamento é realizado quando há velórios prolongados ou quando o corpo precisa ser transportado de avião, em viagens nacionais e internacionais. Outra finalidade, segundo Silva, é auxiliar como estudo em faculdades de Ciências da Saúde. "A concentração e o volume dos produtos injetados muda conforme a necessidade do tempo de preservação do corpo", explica Silva, que já embalsamou casos de óbitos de acidentes aéreos, que precisaram ser transportados.

Entretanto, para embalsamar um corpo "para sempre", Silva diz que o recomendável, atualmente, é uma técnica de plastinação desenvolvida pelo Dr. Gunther von Hagens, em 1977. O Dr. Carlos Baptista, brasileiro residente há 25 anos nos Estados Unidos, é referência nessa técnica. Os preços para embalsamar um corpo variam entre R$ 300, apenas para ser velado, até R$ 3.500, quando o objetivo é manter o corpo exposto para sempre.

Famosos

Mesmo no período contemporâneo, bem depois dos faraós, Chávez não seria a primeira personalidade a ser embalsamada. Antes, diversos líderes, de diferentes áreas de atuação, passaram por esse processo. A ex-primeira dama argentina, Eva Perón, por exemplo. Mais conhecida como Evita, foi embalsamada em 1952. A princesa Diana e os Papas Pio XII e João XXIII são outros casos.

Na política, essa prática é ainda mais recorrente. Muitos presidentes e ditadores tiveram seus corpos preservados após a morte. Vladimir Lenin, artífice da Revolução Russa e primeiro mandatário da antiga União Soviética, foi embalsamado em 1924, e seu corpo permanece exposto em um caixão de vidro, na Praça Vermelha, em Moscou. Assim como o corpo do líder comunista vietnamita Ho Chi Minh, embalsamado em 1969, e Mao Tsé-Tung, líder comunista da Revolução Chinesa, embalsamado em 1976, que também possuem seus corpos expostos até hoje. O sucessor de Lenin, Josef Stalin, também teve seu corpo preservado, em 1953, mas seu corpo ficou exposto ao lado do de Lenin por menos de dez anos.

Os líderes comunistas da Coreia do Norte também seguiram esse caminho. Kim Il-Sung, o primeiro líder, foi embalsamado em 1994. Desde então, tem o seu corpo exposto em um mausoléu. O corpo de seu filho, Kim Jong-Il, que o sucedeu, teve o mesmo destino e foi embalsamado em 2011. 

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