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Por que os primeiros homens deixaram a África?

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A busca pelo "elo perdido", o primeiro Homo sapiens a habitar a Terra, aponta a região do altiplano do leste africano como sendo o berço da humanidade. "A região onde hoje está o Quênia e a Etiópia foi o cenário do que se costuma chamar de 'processo de hominização', isto é, como um ramo de antropóides superiores evoluiu até chegar ao gênero Homo e à espécie sapiens, que somos nós, ao longo de cerca de 6 milhões de anos", diz o doutor em arqueologia e professor da USP Paulo DeBlasis. "Todos os registros fósseis mais antigos, tanto culturais, como artefatos de pedra, como biológicos, provêm de lá, onde condições geológicas peculiares possibilitaram sua preservação", explica.

A famosa australopithecus Lucy, cujos restos foram encontrados na Etiópia em 1974, pode ter utilizado ferramentas de pedra
A famosa australopithecus Lucy, cujos restos foram encontrados na Etiópia em 1974, pode ter utilizado ferramentas de pedra
Foto: Getty Images

Mas, se os vestígios apontam para a África como o berço da espécie, quando e por que o ser humano deixou o continente? Para DeBlasis a resposta para a segunda pergunta tem a ver com a própria evolução do homem.

"(O homem deixou a África) devido a características evolutivas muito eficientes, como o desenvolvimento do polegar opositor, o bipedismo, uma maior capacidade mental e a habilidade de fazer e usar objetos para alcançar seus objetivos, entre outras, os ancestrais do homem tiveram grande sucesso adaptativo e se expandiram demograficamente, conquistando desta forma, de maneira progressiva, novos territórios. A espécie sapiens foi, certamente, a que mais se expandiu, alcançando os índices demográficos que vemos hoje e os mais recônditos rincões do planeta, inclusive a Antártida".

O professor Levy Figuti, também da USP, tem uma opinião bem parecida. "A propagação da espécie humana pode ser associada a uma alta capacidade adaptativa derivada da capacidade criativa em criar implementos que permitiram se proteger dos rigores do meio ambiente e acessar as mais variadas fontes de alimentação".

Quando?

Enquanto o local de surgimento do homem parece ser unanimidade entre os cientistas, o que se questiona agora é quando ele teria saído da África para ocupar outras regiões. A teoria vigente é que os primeiros humanos teriam migrado pela costa da África, em direção à do mar Mediterrâneo, por volta de 60 mil anos atrás. Mas um trabalho publicado recentemente na revista americana Science argumenta que essa migração pode ter acontecido de 100 mil a 125 mil anos, na península arábica. Segundo o estudo, os Homo sapiens teriam chegado ao local a partir do Chifre da África, já que naquela época o nível do mar era bem mais baixo.

A teoria, proposta por uma equipe internacional de pesquisadores, baseia-se em um conjunto de ferramentas encontrado no sítio arqueológico de Jebel Faya. Entre os artefatos destacam-se sílex talhados em ambos os lados para cortar ou cavar, machados sem empunhadura e raspadeiras.

Para os cientistas, a descoberta significa que o homem evoluiu na África há cerca de 200 mil anos e, a partir daí, começou a colonizar o resto do mundo. "Isso estimula uma nova avaliação sobre as formas pelas quais os homens modernos tornaram-se uma espécie global. Os donos das ferramentas encontradas em Jebel Faya eram anatomicamente iguais a você e a mim", disse o pesquisador que encontrou os artefatos, Simon Armitage, da Universidade de Londres. "Entender a evolução humana requer não apenas a documentação do aparecimento de novas espécies, mas também entender onde nossos ancestrais estavam e para onde foram. Isso é crítico para a compreensão da ecologia humana, do nosso impacto no meio ambiente e das raízes sociais e culturais", completou.

Para Paulo deBlasis, as evidências encontradas no leste da África não excluem outras regiões onde a hominização possa ter ocorrido, mas ainda assim, demais possibilidades se limitam a localidades próximas. "Não significa que necessariamente todo o processo ocorreu apenas ali. A evolução humana antiga pode ter ocorrido também em regiões próximas, como a área hoje desértica do Saara ou a zona equatorial da África central, onde o ambiente se transformou muito no período e as condições de preservação são muito menores", argumenta.

Fonte: Terra
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