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Pais que são mães: cavalo-marinho macho pode engravidar?

Veja curiosidades sobre machos que desempenham papeis de fêmeas no reino animal

12 mai 2013 09h06
| atualizado em 4/12/2013 às 16h55
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Cavalos-marinhos se reproduzem de uma maneira um tanto incomum no reino animal: os machos da espécie podem engravidar. O tema já gerou muitas investigações e debates. As pesquisas revelam que a atipicidade não muda em nada o papel dos machos após o nascimento dos filhos. No grupo dos peixes-cachimbo, no entanto, há algumas exceções em que o macho assume papéis da fêmea mesmo após a gestação. E os exemplos curiosos de gestação e incubação não param por aí: o pinguim-imperador colabora com sua parceira na tarefa de chocar o ovo, e o marsupial bandicoot tem a menor gestação entre os mamíferos, de até 15 dias.

Conheça 7 casos peculiares de gestação e incubação no Reino Animal

Cavalo-marinho
O que permite ao macho engravidar é uma bolsa incubadora na qual ele transporta os ovos depositados pela fêmea. O casal entrelaça as caudas alinhando um tubo chamado de ovipositor com a bolsa do macho, que seria similar à dos cangurus. Os óvulos são fecundados pelos espermatozoides e permanecem de quatro a oito semanas, até ficarem maduros. Quando os filhotes estão prontos para nascer, o macho se contorce em posição esférica para expulsar os cavalos-marinhos, que são transparentes e medem cerca de cinco milímetros individualmente.  Esse acasalamento da espécie sempre ocorre na primavera.

Os embriões desenvolvem-se em 10 dias até seis semanas, dependendo da espécie e condições de água. Na hora de dar à luz, o cavalo-marinho macho mexe a cauda até que seus filhotes nasçam. Segundo o biólogo Cláudio Gonçalves Tiago, do Centro de Biodiversidade Marinha da USP, tecnicamente não seria um gravidez completa. "O que acontece é que eles incubam os filhotes na barriga", explica o pesquisador.

Estudos de Alisson Scarrat, curador de peixes no Aquário de Baltimore, revelam outra curiosidade sobre a espécie. Os cavalos-marinhos são monogâmicos e, em geral, os machos acompanham as fêmeas em todos os momentos. “É um dos maiores casos de lealdade ao parceiro no Reino Animal”, afirma Scarrat.

O cavalo-marinho é apenas o mais conhecido do grupo de peixes gasterosteiformes. Apesar de abrigarem o filho, os machos pertencentes a esse grupo têm todas as outras características masculinas: produzem espermatozoides e hormônios específicos do próprio sexo.

Sapo-de-Darwin
Esse processo de concepção também apresenta características impressionantes entre os sapos-de-Darwin, descobertos pelo naturalista na Argentina. A fêmea choca aproximadamente 30 ovos, enquanto o macho a protege por duas semanas. Os embriões se desenvolvem durante esse período no meio ambiente até se transformarem em girinos. Como girinos não vivem em local seco, o macho os captura e os mantém em sua expansão bucal, conhecida como saco vocal. Quando ocorre a metamorfose, os sapinhos deixam a boca do macho e ganham vida. Esse fenômeno de reprodução, no entanto, pode não ocorrer por muito tempo, afinal os sapos-de-Darwin correm risco de extinção, devido ao desmatamento e às mudanças climáticas.

Peixe-palhaço
O peixe-palhaço, termo que designa espécies da subfamília Amphiprioninae, encarnado nas telas do cinema por Nemo, apresenta um sistema de gestação curioso. Dotado de cores chamativas e nado desajustado, o animal seria presa fácil para os predadores. Por isso, necessita de uma relação de mutualismo com as anêmonas-do-mar, cujos tentáculos venenosos o protegem dos inimigos. Uma camada de muco o reveste e o torna imune ao perigo das anêmonas. Protegido, o peixe-palhaço, que mede no máximo 5 centímetros, pode depositar seus ovos na base do hospedeiro. O que torna curioso esse processo é que essas espécies são hermafroditas. Caso a fêmea de um grupo seja removida, o macho dominante troca de sexo e assume seu papel. Então torna-se seu parceiro o maior macho que antes não era reprodutivo.

Pinguim-imperador
O pinguim-imperador, o maior dos pinguins (família Spheniscidae), também tem uma particularidade em relação à concepção de seus filhotes. Nessa espécie, o macho colabora com a fêmea na tarefa de chocar o ovo. As fêmeas põem um ovo no final do outono e depois o abandonam para passar o inverno no mar. Aí entra o macho, que o incuba por aproximadamente 65 dias. A fim de aguentar as intempéries, -40°C e ventos de até 200 km/h, o macho passa a maior parte do tempo dormindo, amontoado com outros pinguins, para poupar energia. Nesse período, o animal sobrevive à base da camada de gordura acumulada durante o verão. A fêmea retoma a tarefa no início da primavera, quando retorna.

No zoológico de Odense, na Dinamarca, ocorreu uma situação peculiar que chamou a atenção de cientistas. Embora a espécie seja conhecida pela monogamia, uma fêmea do zoológico produziu dois ovos com dois machos diferentes - e mais tarde abandonou os parceiros juntamente com os ovos. Os machos de imperadores, contudo, se revezaram para cuidar dos ovos e para recolher alimentos.

Dragão-de-Komodo
O dragão-de-Komodo, espécie que vive em risco de extinção na Indonésia, pode atingir até 3 metros e chegar a 70 quilos. Mas não é o seu tamanho, extraordinário para um lagarto, a característica que mais surpreende nesse animal. Em 2005, Sungai, que vivia no Zoológico de Londres, colocou ovos após estar apartada de qualquer companhia masculina por mais de dois anos. Um ano mais tarde, Flora, também na Inglaterra, em Chester, pôs 11 ovos não fertilizados.

Com análise de cientistas, descobriu-se que esses animais podem se reproduzir também de forma assexuada, por partenogênese. Nesse caso, os filhotes nascem sem o pai e têm de se empenhar em garantir a sobrevivência em ambiente hostil desde os primeiros passos. Como nesse tipo de reprodução as mães transmitem apenas um de seus cromossomas sexuais, Z ou W, apenas machos podem vir à luz. Aqueles ovos que recebem cromossoma Z tornam-se machos (ZZ), e aqueles que ganham cromossoma W não se desenvolvem (WW). Apesar dessa possibilidade reprodutiva, o dragão-de-Komodo encontra-se hoje na Lista Vermelha de União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais. Há apenas 5 mil desses lagartos na natureza.

Elefantes
As elefantas têm a gestação mais longa entre os mamíferos: 22 meses, quase duas vezes e meia maior do que a dos humanos. De acordo com cientistas alemães, em estudo publicado em 2012, na revista especializada Proceedings of the Royal Society B, a demora pode ser explicada não apenas pelo tamanho dos animais (filhotes nascem com até 110 quilos), mas por um número maior de corpos lúteos nos ciclos menstruais - cinco nos elefantes e um na maioria dos mamíferos. Esses corpos lúteos produzem progesterona e regulam níveis hormonais na gravidez para que o corpo da progenitora suporte o crescimento do feto. Depois dessa lenta gestação, os elefantes nascem com habilidades cognitivas complexas e vivem, em média, 60 anos. Mesmo assim, os elefantes ganham em agilidade de gestação quando comparados a salamandras alpinas, cuja gravidez pode durar até três anos e dois meses.

Bandicoots
No extremo oposto dos elefantes, estão os marsupiais bandicoots, da ordem dos Peramelemorphia. Por quê? Encontrados facilmente na Austrália, eles são conhecidos por possuírem a menor gestação entre os mamíferos: 12 a 15 dias. Isso acontece porque esses marsupiais nascem com desenvolvimento tenro. Com apenas 1 centímetro de comprimento ao nascer, os filhotes são cegos e não têm pelos. Precisam de semanas dentro da bolsa da mãe para atingir alguma independência e se aventurarem sozinhos sem amparo. Assim, a taxa de mortalidade entre os recém-nascidos é altíssima. Os que sobrevivem chegam, normalmente, até os três anos de idade.

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