Antes da Fuvest, vestibulanda tenta superar pressão da família
Fuvest: aluna tenta superar pressão da família e nervosismo
8 jan2012 - 14h01
(atualizado às 15h01)
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Vagner Magalhães
Direto de São Paulo
No intervalo entre a chegada ao local de prova e a abertura dos portões para o primeiro dos três dias da segunda fase Fuvest, alguns alunos não conseguiam esconder o nervosismo, seja pelo fato de acreditar que não estejam suficientemente preparados para o exame, ou pela pressão, ainda que subjetiva, da família.
A vestibulanda Ingrid Andrade, 17 anos, tenta uma vaga no curso de História da Universidade de São Paulo (USP)
Foto: Edson Lopes Jr. / Terra
Na espera para a prova, a vestibulanda Ingrid Andrade, 17 anos, confessou passar pelas duas situações. Disse que passou uma noite mal dormida e que estava insegura quanto aos seus conhecimentos. Ela tenta uma vaga em História da USP.
"Ontem eu fui a uma festa, mas não voltei muito tarde para casa. Eu acordei por volta das 5h. A gente fica com aquele medo de perder a hora. O que pega é que eu acho que não estou tão bem preparada para a prova. Se estivesse, estaria tudo numa boa", diz.
Ingrid diz que a pressão familiar também contribui para a sensação de insegurança. "Eu não teria problema de ficar mais um ano estudando para o vestibular. Mas a minha família quer que eu entre já agora na universidade", diz. No vestibular da Universidade Estadual Paulista (Unesp), ela acreditar ter feito uma boa prova.
No campus Villa Lobos da Universidade de Mogi das Cruzes (UMC), na Villa Leopoldina, não foram registrados atrasos. Os portões foram fechados às 13h04.
Exames
A segunda fase é constituída de três provas analítico-expositivas, obrigatórias para todos os candidatos promovidos a essa fase. A primeira prova (português e redação) compreende a elaboração de uma redação e 10 questões, de igual valor, de interpretação de textos, gramática e literatura. A prova vale 100 pontos, sendo 50 destinados à redação.
Na segunda-feira ocorre a segunda prova, constituída de 16 questões, de igual valor, sobre as disciplinas do núcleo comum obrigatório do ensino médio (história, geografia, matemática, física, química, biologia, inglês) e contém algumas questões interdisciplinares. Esta prova vale 100 pontos.
Na terça-feira, último dia de prova, serão 12 questões, de igual valor, de duas ou três disciplinas, a depender da carreira escolhida. Se forem duas disciplinas, serão seis questões em cada uma delas. Se forem três disciplinas, serão quatro questões em cada uma delas. Esta prova vale 100 pontos.
O vestibular da Fuvest vai selecionar 10.952 candidatos em 99 cursos da Universidade de São Paulo (10.852 vagas) e da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo (100 vagas).
Correção online
No final da tarde, o Terra, em parceria com os professores do Sistema COC de Ensino, fará a correção online de todas as questões do primeiro dia da segunda fase da Fuvest.
Os vestibulares tradicionais e o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) mobilizaram milhares de estudantes para as provas de seleção das universidades; o primeiro passo para entrar na universidade foi marcado pelo choro de quem perdeu a prova, pelo otimismo dos que acreditam na aprovação, pela luta de quem enfrenta uma doença rara, pelos beijos apaixonados dos namorados, pela alegria da conquista e pela tristeza por ter de tentar mais um ano. Veja a seguir histórias que marcaram as provas m 2011
Foto: Terra
Acompanhada por um médico e uma enfermeira, Kalyna Vieira Tavares, 18 anos, fez a prova do Enem de 2011 em uma sala especial no Rio de Janeiro; a jovem nasceu com uma doença rara, chamada de Síndrome de Von Recklinghausen , que provoca tumores pelo corpo e não tem cura. Apesar das dores, ela disse que se considera uma vencedora
Foto: Gabriel Macieira / Especial para Terra
O vestibular da Unesp, encerrado no dia 19 de dezembro foi palco de uma cena inusitada: candidato a uma vaga em música, Rodrigo Nunes Gonzalez, 18 anos, levou a tiracolo o seu contrabaixo acústico. 'Não posso deixar no carro porque empena e quebra com o calor', justificou
Foto: Aloisio Mauricio / Terra
Apesar de uma tolerância de cinco minutos no último dia de prova da segunda fase da Unesp, Uany Germana, 18 anos, chorou após não conseguir chegar a tempo de Taboão da Serra, mesmo saindo de casa com duas horas de antecedência
Foto: Aloisio Mauricio / Terra
Eliane Rocha Viana Neves, 34 anos, saiu ferida da prova do Enem em Teresina (PI); ela foi atingida por um ventilador que caiu do teto da escola onde fazia a prova, provocando cortes na cabeça e no braço
Foto: Yala Sena / Especial para Terra
Postulante a uma vaga em medicina na Unifesp, Carlos Augusto Correia de Lima, 17 anos, foi ao médico e chegou atrasado para o segundo dia do vestibular, em 16 de dezembro; o estudante, que estava com dor de garganta, tinha uma consulta marcada no Hospital São Luiz, em São Paulo, e chegou após as 14h. 'Tinha pensado em cancelar a consulta, mas desisti porque é muito difícil marcar horário', afirmou ao lamentar que terá que estudar mais um ano para a prova
Foto: Ricardo Matsukawa / Terra
No vestibular da UnB, aplicado no dia 10 de dezembro, o pai de um candidato atrasado entrou em cena para tentar convencer os fiscais a deixarem seu filho entrar para fazer a prova. Como o portão permaneceu fechado, Oscar de Souza lamentou o tempo perdido no trânsito
Foto: Luciana Cobucci / Terra
O choro após perder a prova é rotina nos maiores vestibulares do País; na prova da primeira fase da Fuvest, aplicada no dia 27 de novembro, quem passou por isso foi a estudante Patrícia Midori Ezawa, 18 anos, que chegou para o vestibular após o fechamento dos portões, às 13h. 'Achei que o portão abria às 13h. Estou ferrada, me preparei o ano inteiro', disse ao tentar conter o desespero
Foto: Ricardo Matsukawa / Terra
Nem mesmo o vestibular foi capaz de impedir que um estudante perdesse o jogo do seu time do coração. Cruzeirense fanático, Sérgio Filipe Ferreira, 18 anos, saiu mais cedo da prova da PUC-Minas, no dia 13 de novembro, para poder acompanhar a partida contra o Inter em Sete Lagoas
Foto: Ricardo Matsukawa / Terra
Jovens também aproveitam os vestibulares para protestar, como a estudante Jéssica Machado da Cunha, 20 anos, que fez prova da PUC-Minas em novembro. Em uma manifestação silenciosa, ela vestiu uma camiseta em apoio a um projeto de lei do senador Cristóvão Buarque (PDT). 'Filho de político na escola pública' era a frase estampada na roupa
Foto: José Guilherme Camargo / Especial para Terra
Candidatos que fizeram a prova do Enem em Salvador (BA) saíram com mais de duas horas de antecedência da prova para não perder o jogo entre Bahia e Vasco, que seria realizado na capital baiana. 'Confesso que eu fiz as provas só por fazer. Minha principal preocupação hoje é ver o Vasco jogar', disse Janmille de Sá
Foto: Maria Clara Dultra / Especial para Terra
Benoit Mota de Almeida, 17 anos, foi impedido de fazer a prova do segundo dia do Enem porque apresentou apenas a carteirinha de estudante aos fiscais do Recife (PE); o jovem disse que levou o mesmo documento do primeiro dia de prova, mas segundo o Inep, havia sido registrado em ata que o candidato apresentou a carteira de identidade na primeira prova
Foto: Celso Calheiros / Especial para Terra
Na última prova do Enem, três estudantes da religião adventista estavam cansados, pois no dia anterior ficaram cerca de dez horas dentro da sala de provas em Campo Grande (MS) já que não podiam começar os testes antes do anoitecer. Por causa da religião, os chamados sabatistas 'guardam o sábado' e não podem realizar nenhuma atividade até que o dia se encerre
Foto: Lucia Morel / Especial para Terra
No primeiro dia do Enem, os candidatos que realizaram as provas no Colégio Estadual Tourinho Dantas, na periferia de Salvador (BA), precisaram enfrentar o alagamento do rio Ipitanga, que passa na frente da unidade. Para ter acesso ao local, eles improvisaram uma ponte com cadeiras
Foto: Futura Press
Atrasos nas provas dos vestibulares e até do Enem são comuns, mas cada um tem seus motivos para justificar os minutos perdidos. O estudante Erick Castro, 19 anos, que faria o Enem em Curitiba (PR), chegou logo após o fechamento dos portões e não conseguiu convencer os fiscais. Ele disse que sofreu um acidente de moto pouco tempo antes e foi parar no hospital
Foto: Roger Pereira / Especial para Terra
O choro após perder a prova já se tornou rotina em muitas seleções. Foi o caso da estudante Ana Paula Lima, 25 anos, que virou atração entre os jornalistas ao chorar vendo o portão ser fechado à sua frente no primeiro dia do Enem. 'Eu não achava o endereço', disse a jovem de 25 anos que faria o Enem em Brasília (DF)
Foto: Luciana Cobucci / Terra
Por falta de identidade, Jacqueline Silva de Oliveira, 18 anos, foi impedida de fazer a prova da primeira fase da Unesp, no dia 6 de novembro. A jovem, que tentava uma vaga para medicina, não conseguiu segurar as lágrimas ao perceber que havia perdido o documento original no trajeto de metrô na capital paulista
Foto: Aloisio Mauricio / Especial para Terra
Enquanto a maioria dos estudantes aproveita os momentos antes das provas para relaxar, Sara Oliveira, 20 anos, estudou até o último minuto antes da seleção de inverno da UFTM, aplicada no dia 19 de junho em Belo Horizonte. Ela tentava ingressar, pela segunda vez, em medicina na instituição federal
Foto: José Guilherme Camargo / Especial para Terra
Em um dia programado por casais de todo o País para declarações de amor pelo Dia dos Namorados, o estudante Romualdo Braga, 21 anos, acompanhou a namorada Bruna Furtado, 21 anos, que fez no dia 12 de junho a prova da UnB. A menina lutava há três anos por uma vaga em medicina e recebeu o conforto e o incentivo do namorado, que já estuda na universidade
Foto: José Guilherme Camargo / Especial para Terra
O clima de romance também marcou o vestibular da Uerj, no Rio de Janeiro. Gastão Hallis, 24 anos, aguardava a namorada, Mariana Pereira, sair da prova com uma orquídea rosa em suas mãos para comemorar os dois anos de namoro
Foto: David Nomando / Futura Press
Com 16 anos e um histórico de já ter perdido uma fase programa de avaliação seriada, Alexandre Lima Ferreira projetava o desgosto de ter de contar à família que não conseguiu chegar a tempo de entrar para fazer o vestibular de inverno da UnB. 'Meu pai vai me matar', disse em um misto de frustração e culpa ao chegar às 13h25 para a prova que começou às 13h
Foto: Francisco Stuckert / Futura Press
Alegando ter sido prejudicada pela chuva e pelo trânsito, a irmã de uma candidata parou o carro no meio da rua na tentativa de agilizar a entrada da jovem, que não conseguiu liberação dos organizadores da prova da Unicamp em janeiro
Foto: Francisco Stuckert / Futura Press
Do lado de fora do prédio da Universidade Paulista (Unip), em São Paulo, Alna Edja de Queiroz Clemente aguardava ansiosa a filha Talita terminar a prova da Unicamp; a menina ficou dois dias internada no hospital e saiu direto para fazer o teste no dia 16 de janeiro deste ano
Foto: Ricardo Matsukawa / Terra
O estudante Diego Henrique Dantas, 19 anos, chegou duas horas e meia antes da prova da Unicamp, no dia 16 de janeiro; com um histórico de atrasos - ele já havia perdido a segunda fase da USP, em 2010, e da Unifesp, em 2009 ¿ o jovem não queria arriscar ficar de fora da seleção mais uma vez
Foto: Ricardo Matsukawa / Terra
Um estudante de 18 anos que prestaria a segunda fase do vestibular da Fuvest em janeiro de 2011 chegou atrasado e colocou a culpa no taxista que o trouxe para o campus da USP. Segundo Vittorio Rossi, o motorista que o serviu 'era novo no ponto' e se perdeu nas proximidades do Instituto Butantã