USP, Unesp e Unicamp caem em ranking internacional; veja a lista

Levantamento em países emergentes, realizado pela revista britânica 'Times Higher Education', mostrou que 17 universidades brasileiras perderam posições

15 jan 2019
15h14
atualizado às 17h38
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As universidades estaduais paulistas perderam posições no ranking que mede o desempenho de instituições de países emergentes. Divulgado nesta terça-feira, 15, o levantamento da revista britânica Times Higher Education (THE) mostra a Universidade de São Paulo (USP), a Estadual de Campinas (Unicamp) e a Estadual Paulista (Unesp) em colocações inferiores ao que foi registrado no ano passado.

O ranking de economias emergentes da THE analisou quase 450 universidades de 43 países, em quatro continentes. O levantamento feito pela revista britânica é uma das principais referências em reputação acadêmica. Trinta e seis instituições brasileiras aparecem no estudo - mais do que no ano passado, quando o País tinha 32. Mas 17 universidades brasileiras perderam posições no levantamento divulgado nesta terça.

A USP continua na melhor colocação entre as universidades brasileiras, na 15ª posição. No ano passado, estava em 14º e, desde 2017, não alcança o top 10 das universidades com melhores desempenhos. Em seguida, vem a Unicamp, que ficou em 40º lugar, perdendo sete posições em relação a 2018. A Unesp caiu para a 166ª colocação (em 2018, estava em 162º).

Enquanto isso, outras universidades brasileiras ganharam destaque. É o caso da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), que saiu da faixa de 201-250 e subiu para a 119ª posição, com melhoras em todos os indicadores, e da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), que subiu 23 posições, chegando à 127ª colocação.

Veja a classificação das universidades brasileiras

Brasil

Infogram

Para Ellie Bothwell, editora global de rankings da THE, o cenário brasileiro é de estagnação. A publicação britânica indica que o desempenho do País está ligado a cortes financeiros. "Como em muitos países da América Latina, o setor de ensino superior do Brasil está sofrendo sérios efeitos colaterais dos contínuos cortes de financiamento", apontou Ellie.

Também há maior competitividade. "Outras economias emergentes estão avançando em um ritmo mais acelerado, à medida que cada vez mais as vemos posicionando as instituições no centro de suas estratégias nacionais de crescimento econômico", disse Ellie. A China é a nação que conquista as melhores posições na tabela (4 das 5 primeiras) e tem a melhor representação: 72 instituições chinesas aparecem no ranking.

A primeira colocada da lista é a Universidade de Tsinghua, que tomou o lugar ocupado pela Universidade de Pequim no ano passado. Entre as 30 primeiras, também aparecem universidades russas, sul-africanas, turcas, indianas, entre outras.

Veja a lista das 30 melhores universidades de países emergentes

Emergentes

Infogram

Entenda os indicadores avaliados

O ranking de Economias Emergentes da revista britânica THE usa os mesmos 13 indicadores de desempenho analisados no ranking geral de universidades, que avalia mil instituições ao redor do mundo. Para a análise dos países emergentes, no entanto, esses indicadores são calibrados para refletir o contexto das universidades pesquisadas.

São levadas em consideração áreas como ensino (o ambiente de aprendizagem); pesquisa (volume, rendimento e reputação); citações (influência de pesquisa); perspectiva internacional (equipe, estudantes e pesquisadores); e rendimento da indústria (transferência de conhecimento).

Como as universidades de SP estão reagindo

De olho nos rankings internacionais, as universidades estaduais paulistas estão criando "núcleos de inteligência" para monitorar a própria performance acadêmica. Como o Estado mostrou em setembro do ano passado, esses núcleos são escritórios ou comissões que fazem a ponte com as agências responsáveis pelas principais avaliações e dão dicas práticas a pesquisadores sobre como melhorar a visibilidade das publicações científicas.

De modo geral, USP, Unesp e Unicamp têm boas posições ante as demais universidades da América Latina, mas ainda estão bem longe do topo de rankings mundiais, ocupado pelas elites britânica (como Oxford) e americana (Stanford, por exemplo). Também perdem para nações emergentes, como mostra o levantamento da THE, divulgado nesta terça-feira.

Procurada para comentar o levantamento desta terça-feira, a Unesp informou que vem desenvolvendo ações indutoras para aumentar a internacionalização e a visibilidade de sua produção científica. "Exemplo disso são os editais de apoio às revistas científicas da Unesp, com forte apelo à internacionalização, à inserção em bases de dados internacionais (que são fonte de coleta de dados nos rankings) e à produção em inglês."

A universidade também destacou a atuação da Comissão para Avaliação Institucional dos Rankings, "que realiza o monitoramento dos rankings analisando o desempenho da Unesp em cada quesito de avaliação, em séries históricas, procurando alertar os pesquisadores sobre eventuais alterações de posicionamento e as razões para tal".

Para o reitor da Unicamp, professor Marcelo Knobel, "os rankings são muito competitivos, e tem várias universidades em situação muito similar. Se analisarmos a pontuação, ela se manteve basicamente constante. Mas certamente outros passaram na nossa frente." Segundo ele, a Unicamp não toma os rankings como um objetivo.

"Acreditamos que o posicionamento no ranking deve ser uma consequencia do trabalho que realizamos para melhorar o ensino, a pesquisa e a extensão na Universidade. Temos estimulado parcerias estratégicas com algumas universidades em diferentes regiões do mundo, para ampliar a internacionalização de nossas pesquisas e publicações." Knobel pondera, ainda, que a Unicamp tem sofrido com a crise econômica. "Estamos fazendo o possível para que essa crise não tenha consequências em nossas atividades, que são fundamentais para o Estado e para o País."

Já a USP destacou, em nota, que, na 15ª posição do Emerging Economies Ranking, continua sendo a melhor universidade latino-americana, muito à frente das demais universidades da região. "Ressaltamos que também somos a melhor da América Latina no principal ranking do THE, o World University Ranking, que abrange todas as universidades do mundo."

Veja abaixo as posições ocupadas pelas universidades estaduais nos principais rankings nos últimos anos

Estadão

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