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Universidade precisa se aproximar do que alunos estão vivendo: 'Ensino deve passar por reengenharia'

Falta de interesse dos jovens e dificuldades de acesso ao ensino superior foram temas debatidos por especialistas no evento "Educação em Transformação", promovido pelo 'Estadão'

29 set 2025 - 18h04
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Diante de currículos que muitas vezes não interessam aos jovens ou estão desatualizados em relação ao exponencial avanço tecnológico e às demandas do mercado, aproximar o ensino superior do que os alunos estão vivendo se tornou essencial. A ideia foi defendida durante o painel "Quem quer fazer ensino superior?", como parte do ciclo de debates "Educação em Transformação", promovido pelo Estadão, no Museu do Ipiranga, em São Paulo, nesta segunda-feira, 29.

O Brasil possui uma taxa líquida de estudantes no ensino superior "baixíssima", com apenas 20% dos jovens de 18 a 24 anos matriculados, o que é metade da taxa observada em outros países da América Latina, comparou Marcio Sanches, reitor da Universidade Corporativa do Semesp. Já o abandono dos cursos atinge um índice de 58%. "O EAD tem trazido uma contribuição muito boa, mas sozinho não consegue resolver esse problema", diz.

Segundo o especialista, por volta de 70% dos alunos de EAD têm mais de 26 anos, enquanto uma grande parcela da população de 18 a 24 anos segue fora do ensino superior. "Isso demanda política de acesso, recurso… Não basta financiamento, porque o aluno que é cotista também precisa de apoio", afirma.

Painel mediado pela editora executiva do Estadão Luciana Garbin contou com Márcia Lima, João Mattar, Roseli de Deus Lopes e Marcio Sanches.
Painel mediado pela editora executiva do Estadão Luciana Garbin contou com Márcia Lima, João Mattar, Roseli de Deus Lopes e Marcio Sanches.
Foto: Taba Benedicto/Estadão / Estadão

Dentro desse auxílio à permanência, é preciso capacitar professores e realizar programas para melhorar a experiência do aluno na universidade, cujo desafio é aumentar a flexibilidade e diminuir a verticalização, sugeriu.

"Deveria ser obrigatório um curso de resolução de problemas, não importa a disciplina que você faz", defendeu a professora Márcia Lima, do Departamento de Sociologia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH-USP), mencionando cursos dessa modalidade existentes na Universidade de Harvard. "É preciso trazer para a experiência de sala de aula algo relacionado à vida cotidiana. Não precisa ter uma grande revolução curricular, mas aproximar os currículos do que as pessoas estão vivendo."

Para Roseli de Deus Lopes, diretora do Instituto de Estudos Avançados da USP (IEA-USP), essa mentalidade deve ser colocada em prática desde o ensino básico. "É preciso instigar, dar sentido. As crianças querem perceber propósito, conexão com o cotidiano", afirmou, relacionando a redução do número de estudantes de Engenharia ao desinteresse em matemática nos anos iniciais.

A especialista defende estimular a curiosidade das crianças pela criação de novas realidades e não apenas se contentar com o que já está pronto, algo que pode aproximá-las da carreira de Engenharia. Atrelar a carreira a problemas reais e a projetos para o País, como solucionar o déficit de saneamento básico, é crucial para que a sociedade enxergue o propósito da profissão e volte a valorizá-la.

É preciso ainda combater a atual desvalorização do conhecimento universitário e a "lacração" nas redes sociais, defende Lima. "Uma das coisas que eu sempre falo pros alunos em sala de aula, é: 'sua experiência, é muito bem-vinda, mas ela não faz você prescindir de aprender coisas', porque hoje em dia, a lacração da internet diz: 'eu já sei porque eu vivi'. Isso também é esvaziar o conhecimento."

Equacionando inclusão e qualidade de ensino

Pela primeira vez na história do País, em 2024, as matrículas em EAD superaram as matrículas em cursos superiores presenciais. Atualmente, a cada três ingressantes, dois escolhem cursos a distância, mensura João Mattar, presidente da Associação Brasileira de Educação a Distância (Abed).

O crescimento da EAD contribuiu para a inclusão, atendendo alunos mais velhos, trabalhadores e com família, que teriam dificuldade de frequentar o ensino presencial. No entanto, o desafio principal é equilibrar essa inclusão com a qualidade do ensino.

Mattar cita avanços na revisão do marco regulatório da EAD, publicada em maio, incluindo a criação do semipresencial, que visa maior atividade presencial para cursos específicos, e o fato de cursos como licenciatura não poderem mais ser 100% a distância.

Sobre a "disputa" entre presencial e EAD, a diretora do IEA-USP enfatiza que estar presente não garante qualidade e aprender a distância também não indica que o ensino é necessariamente ruim. Para equacionar o problema, ela sugere uma "reengenharia" do sistema educacional.

"O que é importante para o jovem se preparar para os desafios contemporâneos? A receita atual - seja EAD ou presencial - não dá conta de resolver", provoca Lopes. Para ela, repensar o sistema educacional envolve uma construção conjunta com os jovens, do ensino básico ao superior, garantindo a resolução dos problemas da comunidade e uma trajetória de sucesso aos estudantes.

Estadão
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