SP volta a liderar ranking do Ideb no ensino fundamental público, mas não entre escolas particulares

No ensino médio estadual, depois de ter piorado na última edição, Estado registrou as mais altas notas paulistas em Português e Matemática desde 2005, mas manteve-se no mesmo quarto lugar na lista nacional

15 set 2020
09h53
atualizado às 10h01
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O Estado de São Paulo voltou a crescer no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) e lidera os dois rankings do ensino fundamental público (1º a 5º ano e 6º a 9º ano) de 2019. No ensino médio estadual, depois de ter piorado na última edição, registrou as mais altas notas paulistas em Português e Matemática desde 2005, mas manteve-se no mesmo quarto lugar na lista nacional e não atingiu a meta para a etapa. Os dados foram divulgados nesta terça-feira pelo Ministério da Educação (MEC) e são de antes da pandemia do novo coronavírus.

No Ideb da rede particular, São Paulo não fica em primeiro em nenhum dos três rankings. Escolas privadas de Minas Gerais e Espírito Santo tiveram as melhores notas do País. O Ideb é o principal medidor de qualidade da educação brasileira e leva em conta o desempenho do alunos em provas de Matemática e Português no Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) e índices de aprovação e evasão.

Em 2017, última divulgação do Ideb, a nota de São Paulo do ensino médio público - que é de inteira responsabilidade do governo do Estado - tinha caído de 3,9 para 3,8. Agora foi a 4,3, um crescimento de 13%. No entanto, os paulistas não atingiram a meta estipulada pelo MEC, de 4,9. Apenas os Estados de Pernambuco e Goiás, primeiro e terceiro colocados no ranking respectivamente, atingiram os objetivos.

Nos anos finais do ensino fundamental público (6º ao 9º) as notas de Português e Matemática também foram as mais altas desde 2005 e o Estado pulou da quarta colocação para a primeira em 2019, empatado com o Ceará. A meta de São Paulo, no entanto, não foi atingida, enquanto o estado nordestino alcançou seu objetivo. As metas são feitas pelo MEC de acordo com a situação de cada Estado para que haja evolução em cada contexto. São consideradas as notas das redes estaduais e municipais dos Estados.

Já entre as crianças menores, de 1º ao 5º ano, as redes públicas paulistas mantiveram o desempenho da última edição. O Ideb foi o mesmo, 6,5, mas atingiu a meta para o ano.

O secretário estadual de São Paulo, Rossieli Soares, disse que o Estado "corrigiu a trajetória" e teve bons resultados. Sobre o fato de não ter atingido as metas tanto no ensino médio quanto nos anos finais do fundamental ele diz que esses objetivos foram calculados há muitos anos e não havia um histórico de quanto um Estado poderia crescer no Ideb. As metas foram criadas em 2005 pelo governo Lula. "Um crescimento linear não é possível, apesar dessas metas serem, sim, importantes", diz Rossieli, que foi ministro da Educação na gestão Temer.

Rede particular

Entre as redes privadas do País, Minas Gerais, Espírito Santo e Santa Catarina se revezam entre as primeiras colocações dos três rankings. São Paulo aparece na terceira colocação dos anos iniciais e finais do ensino fundamental (1º ao 9º ano). No ensino médio, está na quarta posição.

Apesar de terem notas mais altas, entre 6 e 8, no Ideb, as redes privadas raramente atingiram suas metas para 2019 nos Estados. Especialistas explicam que é mais difícil crescer quando se está em um patamar mais elevado, mas mesmo assim as notas das escolas particulares têm se mostrado quase estagnadas ao longo dos anos. No relatório divulgado pelo MEC ontem, é destacado o fato de ter diminuído a distância de desempenho entre as duas redes ao longo dos anos de Ideb.

Credita-se também à não evolução das particulares o fato de a população usar o Ideb para cobrar melhorias nas escolas públicas, já os pais de escolas privadas preocupam-se com o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Dessa forma, as escolas pouco se dedicam ao Saeb, exame cuja nota compõe o Ideb.

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