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Educação

Redação da Fuvest pergunta se mundo contemporâneo está fora de ordem

Taxa de abstenção na prova da segunda fase foi de 7,69%; apesar da pandemia, número é semelhante ao de anos anteriores

21 fev 2021
19h37 atualizado às 20h17
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19h37 atualizado às 20h17
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O tema da redação da segunda fase da Fuvest, realizada neste domingo, 21, foi uma pergunta: o mundo contemporâneo está fora da ordem? Os candidatos tiveram cinco textos de apoio que levavam a uma resposta afirmativa. Segundo professores de cursinho, o tema proposto permitia aos candidatos explorar questões políticas, socioeconômicas e ambientais, além da própria pandemia.

O primeiro dia da segunda fase para quem busca uma vaga na Universidade de São Paulo teve 7,69% de abstenção. Dos 33 mil candidatos aprovados na primeira fase, 2.563 não compareceram neste domingo. Apesar da pandemia, a taxa foi semelhante à registrada em anos anteriores. Em 2021, os candidatos disputam 11.147 vagas. Na segunda-feira, 22, os estudantes fazem as provas de disciplinas específicas.

Sobre a redação, a professora Maria Aparecida Custódio, do laboratório de redação do Objetivo, disse que o candidato poderia "ter abordado vários aspectos relacionados a aquilo que hoje chama a atenção no mundo: questões econômicas, questões sociais, questões políticas, questões relacionadas ao meio ambiente, entre outras que podem contribuir para o candidato conseguir responder a pergunta tema."

O professor de redação do Curso Anglo, Felipe Leal, destacou três pontos que poderiam ser abordados e sugeriu que o aluno fosse além dos textos base que foram apresentados. "Foi um tema bem típico da banca, um estímulo a visão política e autoral", disse. "Chama a atenção a questão econômica e ambiental. Há uma sugestão de maquinização do mundo, uma ordem que de certa forma submete a natureza e a todos nós, uma ordem desumanizadora. Faz também pensar em mudanças climáticas e na insuficiência que a ordem de hoje responde as questões urgentes do tempo. Essas questões podem ser relacionadas, a visão exploratória da natureza, como fonte de recursos apenas, provocando problemas ambientais. Mas a banca estimula que vá além da coletânea, poderia falar também de questões políticas."

Fabiula Neubern, coordenadora de redação do Poliedro, comentou que a redação pedia uma análise do atual contexto das relações políticas e econômicas. "O tema tem como pano de fundo o esgotamento do modo de produção capitalista que tem passado por reinvenção de suas dinâmicas de trabalho e econômicas."

"Também e, principalmente com a contingência da pandemia, o mundo se vê questionando o modelo de dominação da natureza e de comportamento de consumo ocidental para que novas propostas surjam. Nesse momento, há correntes que defendem o fim do capitalismo e outras, que sua dinâmica seja mais uma vez reinventada e que os agentes de mercado se voltem para uma economia verde."

Simone Motta, coordenadora de português do Colégio Etapa, elogiou a escolha do tema. "Foi bem atual. Foi uma redação que pedia do aluno uma posição bastante crítica em relação aos acontecimentos da atualidade, no sentido de discorrer sobre: o que se considera ordem e, por que, portanto, o mundo está fora dessa ordem." Na visão dela, "valorizou o candidato que sabe fazer a leitura dos textos e consegue aliar informações adquiridas sobre conhecimento de mundo."

PORTUGUÊS

A prova de português teve uma primeira parte com seis questões de linguagem envolvendo interpretação de texto e figuras de linguagem, para que o candidato demonstrasse conhecimento no sentido de palavras, formação de vocabulário. E uma segunda, de literatura, com mais quatro questões. "De maneira geral, a prova estava bem dividida, bem trabalhada, cobrou uma leitura atenta dos livros obrigatórios. Tinha questão de enredo do Nove Noites, por exemplo. Se o aluno não tivesse feito a leitura de fato não faz a resposta", destacou Simone.

"A parte de interpretação pedia respostas mais elaboradas. As perguntas eram aparentemente tranquilas, mas de fato demandavam análise focada no texto. Uma das questões tinha a capa de uma revista e tinha que fazer uma leitura da imagem em relação a linguagem verbal e estabelecer o ponto de contato. Foi uma prova bem no estilo da Fuvest mesmo. Dentro do que esperava que fosse acontecer", acrescentou Simone.

Henrique Braga, professor do Curso Anglo, destacou também a preocupação com temas atuais na parte de língua portuguesa. "Foi uma prova preocupada com atualidade, resultado de uma preocupação da banca em considerar o período de isolamento social, as dificuldades que os estudantes tiveram. Não está explicitado, mas não é difícil de entender essa preocupação."

O professor Serginho Henrique, do Objetivo, considerou "a parte de gramática mais fácil e literatura mais difícil". Ele também destacou que a Fuvest aproveitou para utilizar assuntos atuais em suas questões. "Tinha questão das queimadas, vício em smartphone, uma questão sobre processo de formação de palavra relacionada a barragem de Mariana, outra sobre tolerância e mais uma ligada à dificuldade do ensino a distância."

Paulo Oliveira, professor do Curso Anglo, considerou a prova de alta qualidade e que exigiu dos alunos habilidades sofisticadas de leitura e interpretação. "As questões os exploravam por sutilezas de significado e conhecimento profundo do enredo. A questão 7 de Quincas Borba, um texto difícil, que pede para o aluno decodificar um sofisma apresentado pelo personagem Camacho. A prova foi exigente e muito precisa na elaboração dos enunciados."

Estadão
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