Preço do material escolar tem alta de até 20%; saiba como economizar

Para reduzir despesas, pais podem fazer uma lista dos itens do ano anterior que podem ser reaproveitados

5 fev 2021
10h10
atualizado às 11h59
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SÃO PAULO - Diante do retorno às aulas presenciais, pais precisam ficar atentos no momento da compra do material escolar, seja em lojas físicas ou pela internet, opção que acabou sendo bastante procurada em razão do novo coronavírus.

Embora ainda não tenha estimativa da alta, a Associação Brasileira dos Fabricantes e Importadores de Artigos Escolares (Abfiae) afirma que as compras online cresceram no setor de materiais escolares. "Não temos números precisos, mas pelos depoimentos de muitos varejistas de papelaria ao longo do período de pandemia, esse formato de venda começou a ganhar espaço na preferência dos consumidores", disse, em nota.

Neste ano, a entidade estima alta de 8 a 10% nos preços dos materiais fabricados no Brasil devido ao reajuste de matérias-primas básicas como plásticos, papel e tintas. "Para materiais escolares importados como alguns artigos de escrita, mochilas e estojos, a elevação está em torno 20% maior ante ao ano anterior, por causa da variação cambial expressiva do dólar", pontuou a Abfiae.

A administradora Ana Cláudia Rocha, de 40 anos, mãe do Daniel, de 10, constatou o aumento dos preços. "Achei bem caro os materiais escolares, principalmente os cadernos. Em 2020, gastei R$ 170. Neste ano, gastei em torno de R$ 230, isso porque, diante da pandemia, nem levei meu filho para escolher os materiais", lembrou.

A mãe de Daniel, por exemplo, afirma que muitos utensílios do ano anterior estão sendo reaproveitados. "Se não fosse isso, gastaria ainda mais com a compra. Do ano passado, reaproveitamos lápis de cor, canetinha, giz de cera, lápis, borracha, apontador, régua e material de papelaria", disse.

Diante das incertezas de retorno impostas pela pandemia, ela não conseguiu programar a compra do que faltava com antecedência como nos anos anteriores. Desta vez, optou por comprar a mochila pela internet e o restante em loja física.

"Até costumo comprar parte do material pela internet, mas os materiais não iam chegar a tempo das aulas. Apenas a mochila, que custou R$ 200, consegui comprar online", disse a administradora. Seu filho está na quinta série do ensino fundamental e optou por participar das aulas presenciais.

Varejista de suprimentos de informática, material de escritório e papelaria do País, a Kalunga afirma que, embora ainda não seja possível falar sobre porcentual de crescimento, observou aumento significativo da compra virtual, especialmente no último mês. "Outra modalidade que ganhou adesão foi a opção do consumidor realizar a compra pelo site e retirar na loja física em até duas horas", disse, em nota.

Além disso, para amenizar o impacto no bolso dos pais no início do ano, a rede oferece descontos progressivos na compra de cadernos universitários, por exemplo, e facilidade de pagamento.

Lista antiga, de novo

No entanto, em razão da suspensão de aulas presenciais por 11 meses, a escola Luminova, que tem quatro unidades na capital paulista e uma na região metropolitana, optou por não solicitar uma nova lista de material escolar aos alunos já matriculados.

"Eles podem utilizar o mesmo do ano passado. Comprar apenas o que for necessário. E no protocolo de saúde e higiene pessoal, informamos aos familiares sobre a necessidade de máscaras extras para troca na escola. Dispenser para álcool gel tem à disposição em todos os ambientes da escola", disse, em nota.

Dicas no momento das compras

Para economizar, os pais podem fazer uma lista dos materiais do ano anterior que podem ser reaproveitados. "Régua, borracha e apontador do ano anterior, por exemplo, não há necessidade de comprar novos", aconselha Fernando Capez, diretor executivo do Procon-SP.

Ainda segundo ele, para a realização das compras, uma dica é procurar reunir pais e fazer compras coletivas. "Reunir vinte, trinta pais e fazer a compra coletiva, seja em loja física ou online, porque a negociação pode reduzir em até 30% o valor final das compras", disse Capez.

No caso de a compra ser individual, a pessoa deve realizar uma pesquisa de preços. "É fundamental. Em pesquisas anteriores, o Procon já observou diferença de quase 1.000% na variação de preços de determinados materiais de uma loja para outra. Faça consulta de preços também pela internet. E lembre-se de que na compra online, há direito de arrependimento no prazo de até sete dias", acrescenta o diretor executivo do Procon-SP.

Sete dicas para economizar na compra do material escolar

  • Faça uma lista do que precisa comprar, para não se perder e acabar se rendendo a compras por impulso.
  • Converse com outros pais, participe de grupos de Whatsapp e tente fazer compras conjuntos em livrarias, editoras e no atacado. Isso aumenta a probabilidade de conseguir preços menores.
  • Na lista de material escolar, os colégios não podem exigir a aquisição de qualquer material escolar de uso coletivo, como materiais de escritório, de higiene ou limpeza.
  • Realize pesquisas em estabelecimentos físicos e também online. Não deixe de pesquisar ações e feiras de troca de materiais escolares e livros didáticos organizadas pelas próprias escolas.
  • Junte o material escolar do ano anterior e veja a possibilidade de reutilizá-lo. É possível ainda reaproveitar livros didáticos do filho mais velho para o mais novo, se for o caso.
  • Sempre pergunte sobre a possibilidade de desconto à vista. Se tiver que pagar a prazo, calcule se as parcelas cabem no orçamento.
  • Diante da pandemia, muitos pais optaram por não levar os filhos neste ano às compras, mas se for levá-los, converse com eles antes e explique quanto poderão gastar. Caso contrário, será difícil não ceder aos desejos deles e gastar mais do que o planejado.

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