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Por admiração, jovens escolhem a mesma profissão dos pais

Por admiração, jovens escolhem a mesma carreira dos pais

1 ago 2011 - 11h22
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A expressão "tal pai, tal filho" costuma gerar desconforto entre universitários e também no meio profissional. A estigmatização de preguiçoso e a acusação de optar "pelo caminho mais fácil" fazem com que muitos estudantes vacilem na hora de contar que escolheram a mesma profissão dos pais, mas o fato de já ter um futuro praticamente garantido é algo que não pode ser desconsiderado, principalmente na atual concorrência do mercado de trabalho. Porém, especialistas apontam outra razão que levam filhos a seguir os passos dos seus pais: a admiração.

Fernando Rhoden escolheu Odontologia, a mesma profissão do pai
Fernando Rhoden escolheu Odontologia, a mesma profissão do pai
Foto: Arquivo Pessoal / Divulgação

Rafael Weiss, 20 anos, e Fernando Rhoden, 23 anos, optaram pela mesma carreira dos pais por acreditarem na profissão. Na faculdade e também no meio profissional ambos afirmam que adjetivos como "preguiçoso" ou expressões como "filhinho de papai" são comuns no dia a dia. Apesar disso, nenhum deles hesitou na escolha. A certeza de um futuro profissional garantido ajuda, mas, para os dois, o que mais importa é o fato de estarem fazendo o que gostam.

O carioca Weiss decidiu começar o curso de Administração, na PUC-Rio, por admirar o trabalho do pai. "Eu sempre gostei do fato dele ser seu próprio chefe e ter a sua própria empresa, apesar de ter começado do zero e ter suado bastante para fazer o negócio dar certo", conta. Para o estudante, a vida profissional não vai começar do zero e ele não descarta a possibilidade de assumir a empresa do pai, mas conta que também tem ideias próprias que quer colocar em prática. "Já estou abrindo a minha própria empresa, mas, como é em um ramo de jovens, eu não poderei atuar quando ficar mais velho", avalia.

Já Rhoden, morador de Bauru (SP), onde faz especialização em ortodontia, começou a faculdade com a certeza de que teria um consultório para trabalhar como dentista. Seguindo o exemplo do pai e do irmão mais velho, o estudante se formou em Odontologia e escolheu a área de especialização por identificação e paixão, mas também pensando nos negócios da família. "Na clínica do meu pai, ele, meu irmão e meu primo são cirurgiões buco-maxilo-faciais. A ortodontia, que foi o que eu escolhi, caminha junto à cirurgia, uma vez que precisa de um pré-tratamento ortodôntico. Encontrei uma lacuna que poderia preencher em nossa clínica", explica.

Apesar da vantagem, Rhoden afirma que a pressão por ser filho de um grande dentista caminha lado a lado com as facilidades. "Pressão sempre tem, mas nunca vinda por parte do meu pai, e sim, por outros profissionais que comentam que tenho que ser como ele", observa, afirmando que sempre se espelhou no modelo paterno. "Pra mim, ele é um herói, uma vez que não tinha nada e conseguiu sozinho ser muito reconhecido na profissão".

Segundo Geraldo de Almeida, professor e consultor em educação, histórias como a Rhoden e de Weiss têm se tornado cada vez mais comum, principalmente nas áreas de Direito, Jornalismo e Medicina. "Nesses trabalhos, os pais normalmente mostram para os filhos, desde pequenos, um tipo de profissional de destaque, que é difícil de superar". Além disso, Almeida explica que, apesar de muitas vezes essa escolha vir de uma pressão dos familiares, na maioria delas, a decisão parte do próprio estudante. "O que mais acontece é uma dificuldade de o aluno ver sua vida e seu sucesso fora do padrão estabelecido pela família. Mas acima disso, existe uma intensa admiração pela profissão paterna ou materna", diz.

Para o educador, essa vontade de seguir o modelo do adulto que se admira vai ao encontro da vantagem que a decisão traz no futuro profissional. Com o mercado de trabalho cada vez mais competitivo, ter a garantia de um bom emprego e de uma renda estável é uma oportunidade para poucos e que, para Almeida, deve ser aproveitada. "Essa é a principal vantagem de vestir a farda da profissão paterna. Além disso, o nome e a fama já estabelecidos podem poupar o estudante do longo caminho que o reconhecimento demanda", afirma.

Autor do livro E quando os filhos não podem ser aquilo que os pais sonharam?, Almeida aponta a dúvida do jovem profissional de saber se teria ou não sucesso sem o legado do pai como um dos pontos negativos de quem opta por esse caminho. Apesar disso, ele afirma que não pode haver uma estigmatização de que o estudante escolheu aquele trabalho só por causa dos responsáveis ou por preguiça. "Muita gente realmente quer ser advogado ou médico, como os pais. E isso não quer necessariamente dizer que a pessoa optou pelo caminho mais fácil", afirma. "O importante é perceber se o desejo é individual ou se é pela facilidade. Para isso, o aluno deve pesquisar e entender a profissão e, principalmente, se imaginar feliz nela mesmo sem as propriedades paternas", alerta.

Cartola - Agência de Conteúdo - Especial para o Terra Cartola - Agência de Conteúdo - Especial para o Terra
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