MG: aluno esquecido na sala de aula não quer voltar à escola
- Ney Rubens
- Direto de Betim
O estudante Gabriel Rodrigues Ferreira, 10 anos, que na noite de quarta-feira foi esquecido dentro da sala de aula, disse que não quer voltar mais para a escola onde o incidente aconteceu. De acordo com o boletim de ocorrência registrado pela Polícia Militar, a porta da sala teria sido trancada pela própria professora da 5ª série do ensino fundamental da Escola Municipal Olímpia Maria da Glória, que fica em Betim, na região metropolitana de Belo Horizonte.
"Ele está assustado, com medo", disse a mãe do garoto, a camareira Marília José Ferreira. O menino, que segundo a mãe é hiperativo, pulou do segundo andar do prédio, de uma altura de 4 metros, para escapar. Gabriel afirma que não viu quando a professora trancou a sala após o sinal tocar ao final da aula.
"Eu estava olhando um avião e distraí. Eu não ouvi nada, só ouvi o ruído da porta e depois quando fui guardar meus materiais só ouvi o barulho da chave", disse Gabriel. "Aí quando eu olhei para a janela e deu vontade de pular, aí eu pulei. Quando eu pulei foi como se tivesse pulado assim agachado, brincando como se tivesse brincando de sapo", disse.
O estudante foi socorrido por dois policiais militares que faziam vigilância da escola na hora do incidente. O menino foi levado a um hospital, e depois de receber atendimento, foi liberado. Ele teve apenas uma luxação nos pés, mas ficará afastado da escola por pelo menos uma semana porque ainda sentes dores.
"Eu fiquei sabendo por telefone que os dois policiais ligaram aqui na minha casa como se ele estivesse preso dentro da sala. Quando eu cheguei na escola, fiquei sabendo que ele tinha caído, que tinha pulado", disse a mãe.
Segundo Marília, o filho disse que gritou, mas ninguém apareceu e ele então pulou porque ficou com medo de ficar lá sozinho. "Eu já havia avisado aos professores que ele é uma criança especial, que precisa de maiores cuidados", afirmou a mãe de Gabriel, que disse que vai acionar o Ministério Público da cidade de Betim.
Na quarta-feira, o secretário de Educação de Betim, Carlos Roberto de Souza, visitou a família e prometeu apurar o caso. A professora que teria trancado a sala por distração também procurou a mãe de Gabriel para pedir desculpas.
"Eu tive um contato com ela. A professora me pediu desculpas falando que não foi proposital, que ela ela não o viu. Mas a desculpa dela em outra situação não valeria a pena né, porque ele poderia até não estar aqui comigo", disse a mãe do menino.