Manifestantes bloqueiam portão principal da USP
Andressa Tufolo
Direto de São Paulo
Centenas de pessoas participam nesta terça-feira de um protesto em frente à reitoria da Cidade Universitária da USP, na zona oeste de São Paulo. O ato é organizado por alunos, professores e funcionários da universidade que pedem, além da pauta oficial de reivindicações, a saída imediata da Polícia Militar do campus e a chegada da reitora, Suely Vilela, para negociar.
Os manifestantes distribuíram flores e bloquearam o portão principal da instituição com gritos de "Suely, a culpa é sua, hoje a aula é na rua". Um caminhão de som também deve chegar ao local para participar do ato.
Cerca de 50 policiais montaram uma linha de bloqueio do lado de fora do campus para fiscalizar a manifestação. Indignados, alguns estudantes jogaram rosas quando a PM se aproximou.
"Eles (Reitoria) se mudaram para a área de segurança nacional para fugir do debate", disse Ilan Lapyda, estudante da pós-graduação de Sociologia. "Não admitimos a PM no campus e nem a interrupção das negociações", afirmou o professor Elie Ghanem. Ele informou que, às 16h, a diretoria da assembléia dos docentes fará uma reunião para avaliar o silêncio da reitoria sobre as reivindicações. Já o funcionário Alexandre Fariol Filho exigiu o fim "das medidas de autoritarismo impostas pela direção, além de garantias de emprego e qualidade da saúde".
Entre outras reivindicações, a pauta pede a correção de salários em 16%, além da reposição das perdas com base na inflação dos últimos doze meses até abril último, e o pagamento de um valor fixo de R$ 200 para todos os trabalhadores, acertado em 2007 com a reitoria com base no aumento de arrecadação do governo, e que até hoje não foi incorporado aos salários.
Os manifestantes também pedem o fim de processos administrativos contra servidores e alunos que participaram de greves anteriores e a reabertura das negociações com o Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas (Cruesp).
As negociações entre o Cruesp e o órgão que representa funcionários, professores e estudantes das três universidades paulistas - Fórum das Seis - está parada desde 25 de maio. Na ocasião, um grupo de estudantes invadiu a reitoria após os reitores impedirem parte dos alunos e um sindicalista de participar da reunião. Na última quinta-feira, em resposta à permanência da PM, professores e alunos decidiram entrar em greve.
Em evento de inauguração de um centro de saúde em São Paulo, o governador José Serra falou que alguns estudantes da USP protestaram contra a ação da polícia na remoção de manifestantes da reitoria da universidade. O governador limitou-se a dizer que a Polícia Militar cumpriu uma ordem judicial.