Maioria de professores e alunos aprende sobre tecnologia por conta própria

Pesquisa TIC Educação, que mede interação das escolas com recursos digitais, mostra deficiência no ensino e na formação de professores

16 jul 2019
15h45
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SÃO PAULO - A maior parte dos professores e alunos brasileiros aprendem sobre tecnologia por conta própria, e geralmente não contam com aulas organizadas pelas escolas para lidar com ferramentas digitais. É o que mostra a pesquisa TIC Educação 2018, realizada no segundo semestre do ano passado, que entrevistou 15,5 mil pessoas da comunidade escolar no País - entre alunos, professores, diretores e coordenadores pedagógicos.

Apesar de sete em cada dez professores procurarem formas de aprimorar seu conhecimento sobre recursos digitais, segundo a pesquisa, apenas 30% haviam feito cursos de formação focados no uso da tecnologia para a aprendizagem ao longo do ano anterior à pesquisa. A maioria dos professores aprende a usar esses recursos sozinhos (92% nas escolas públicas e 86% nas particulares), em contatos informais com colegas da profissão (79% nas escolas públicas e 90% nas particulares), ou em vídeos e tutoriais disponíveis na internet (76% nas públicas e 74% nas particulares).

"Há um interesse dos professores por esse tema, eles têm buscado esse tema na internet, em vídeos, e com os colegas", diz a coordenadora da pesquisa TIC Educação, Daniela Costa. "Mas ainda falta um aprimoramento de oportunidades de formação estruturada para os professores."

O cenário se repete com os estudantes. Dos 11 mil alunos entrevistados, 78% diz que aprende a usar ferramentas digitais sozinho ou com tutoriais na internet. Apenas 44% aprenderam a usar recursos digitais com professores ou educadores na escola, e 26% buscaram cursos on-line.

A autonomia dos alunos cresce à medida em que ficam mais velhos, segundo os dados da pesquisa. No 5º ano do ensino fundamental, a maioria aprende sobre tecnologia com parentes (86%) e professores (49%), Entre os estudantes entrevistados, são os que menos aprendem sozinhos (69%). A proporção de estudantes que aprendem por conta própria cresce no 9º ano (vai de 69% a 83%) e, depois, no 2º ano do ensino médio (chega a 86%).

Tanto alunos como professores recorrem a seus próprios celulares para atividades pedagógicas na escola. Em alguns casos, os próprios professores levam seus computadores para usar nas aulas.

Os dados mostram desigualdades entre as escolas públicas e particulares no no uso da tecnologia. Enquanto 60% dos professores na rede privada citam os coordenadores pedagógicos como fonte de aprendizado sobre o tema, apenas 35% fazem o mesmo nas públicas, por exemplo.

"Nas escolas particulares, a presença de monitor de informática ou de um suporte técnico está muito mais presente do que nas escolas públicas. E também o suporte do próprio coordenador pedagógico é muito superior", comenta o gerente do Comitê Gestor da Internet no Brasil, Alexandre Barbosa.

Bullying

Situações como discriminação, assédio e bullying na internet já motivaram 38% dos professores a ajudar alunos a enfrentar problemas do tipo. Entre os professores da rede particular, 42% relataram ter lidado com esse tipo de caso. Nas escolas públicas, o índice foi menor - de 47%.

Em comparação com o ano anterior, na primeira vez que a pergunta foi incluída na pesquisa, os relatos de situações incômodas na iternet ficaram estáveis - foram de 40% para 38%. "Considerada a margem de erro, dá para dizer que há estabilidade nesse processo, e o importante é acompanhar a série histórica", diz coordenador de projetos de pesquisa Fabio Senne.

Estadão
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