Renúncia e Legalidade II: o fenômeno Jânio Quadros
- Voltaire Schilling
Revelando-se admirável administrador, cioso da verba pública, puritano e moralizador, e, por conseguinte, sem máculas de corrupção, Jânio Quadros, logo após ter sido prefeito de São Paulo (1953-1954), o primeiro a ser eleito desde 1930, conseguiu o feito de, praticamente sozinho, bater, em 1955, a máquina eleitoral do PSP (Partido Social Popular) de Ademar de Barros, um ex-cacique varguista que controlava politicamente o estado de São Paulo.
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O povo paulista o adorava, mesmo com suas costumeiras esquisitices e o seu jeito de falar estrambólico. Ideologicamente, Jânio Quadros era um poço de ambigüidades, oscilando entre os getulistas e os anti-getulistas, fazendo sempre questão de aparecer como um homem que estava acima dos partidos, fora da intrigalha que alimenta a rotina de um político convencional. Não era de direita, muito menos de esquerda.
O carisma e a vassoura
O símbolo da sua campanha era a vassoura, com a qual ele pretendia varrer a corrupção e a desordem instalada no país. A isso se somou seu inquestionável carisma, o que fez dele o mais prestigiado tribuno popular desde o desaparecimento de Getúlio Vargas. Logo, não foi difícil para ele bater o general Henrique Teixeira Lott, o principal adversário, da coligação PSD-PTB, no pleito de 3 de outubro de 1960.
Eleições de 3 de outubro de 1960
Candidato / Coligação / Total de votos
Jânio Quadros(UDN-PDC-PTN): 5.636.623 (48%)
Henrique T.Lott (PSD-PTB): 3.846.825 (32%)
Ademar de Barros (PSP): 2.195.709 ( 20%)Nota: na mesma eleição, João Goulart (PTB), concorrendo à vice-presidência, obteve 4.547.010, Milton Campos (UDN) conseguiu 4.237.419, e Fernando Ferrari (MTR), 2.137.382. Como a constituição de 1946 permitia que os vices concorressem em faixa própria, João Goulart assumiu como vice de Jânio Quadros, apoiado pela UDN, opositora do PTB. No Congresso a situação de Jânio não era boa, visto que a coligação PSD-PTB ficou 55% das cadeiras, além das 8% dadas ao PSP de Ademar de Barros.