Pico dignidade: Oração sobre a dignidade do homem

23 mai 2019
15h21
atualizado às 15h22
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Ao jovem Pico della Mirandola, filósofo neoplatônico, devemos a abertura para a individualidade, auxiliando ao nascente individualismo as condições éticas e psicológicas para que eles conseguissem libertar-se das amarras familiares, herança arcaica do feudalismo, que ainda represavam o homem do Renascimento. Para ele não temos uma natureza fixa determinada por Deus, assegurou na sua Oratio de Hominis Dignitate, o Discurso sobre a dignidade humana, de 1487.

Ao contrário, somos uma possibilidade aberta a várias alternativas, cabendo exclusivamente a nós como indivíduos, a nossa própria vontade, que norte dar a nós mesmo e ao nosso caminho. Deus não nos deu o destino, mas sim liberdade para forjar um. O texto de Pico foi uma antecipação do existencialismo de Sartre de cinco séculos.

Pico della Mirandola - discurso de Deus a Adão em “Discurso sobre a dignidade do homem”, 1496
Pico della Mirandola - discurso de Deus a Adão em “Discurso sobre a dignidade do homem”, 1496
Foto: Reprodução

“Eu não te dei” diz Deus a Adão, “ nem um lugar determinado, nem um aspecto próprio, nem qualquer prerrogativa só tua, para que obtenhas e conserve os aspectos e as prerrogativas que desejares, segundo a tua vontade e os teus motivos. A natureza dos astros está contida dentro das leis por mim escritas.

Mas tu determinarás a tua sem estar constrito a nenhuma barreira, segundo o teu arbítrio, a cujo o poder eu te entreguei, coloquei-te no meio do mundo.

Não te fiz celeste nem terreno, mortal nem imortal, para que, como livre e soberano artificie, tu mesmo te esculpiste, te plasmasse na forma que tiveres, escolhido.

Tu poderás degenerar nas coisas inferiores, que são brutas, e poderás, segundo o teu querer, regenerar-te nas coisas superiores, que são divinas”.

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Fonte: Especial para Terra
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