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Gloria Pires é alvo de crítica por 'selinhos' na filha: pais podem beijar os filhos na boca?

Internautas resgataram vídeo da atriz em momento de carinho com a caçula

14 jun 2024 - 05h00
(atualizado às 07h24)
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Gloria Pires foi alvo de criticas após beijos na filha
Gloria Pires foi alvo de criticas após beijos na filha
Foto: Reprodução/Twitter

Gloria Pires não estreou nenhum trabalho novo, mas virou assunto em todas as redes sociais após um vídeo em que ela aparece beijando a filha Ana Morais na boca ser resgatado pelos internautas. A atriz foi alvo de muitas críticas e levantou um debate sobre até onde pode ir o carinho entre pais e filhos.

Para alguns, beijar a boca do filho ou da filha pode ser entendido como mais uma demonstração de carinho e amor. Mas o assunto é cercado por muitas nuances. Não à toa é comum famosos serem criticados ao serem flagrados beijando seus herdeiros na boca. Gloria Pires não é a primeira a estar no centro desta questão, nomes como Thais Fersoza, Gabi Brandt, David Beckham, Jennifer López, Beyoncé e Will Smith também já foram julgados pelo Tribunal da internet. 

Em entrevista ao jornal Extra!, em 2023, Gloria Pires afirmou que o beijo é algo comum na família deles e que respeita o pedido dos filhos. Bento, o caçula, não gosta da prática.  "Faço isso desde que eram bebês. É assim: quem gosta, beija, quem não gosta, não beija. Meus filhos não são obrigados a aceitar. O Bento, por exemplo, quando fez 17 anos falou: 'Mãe, não quero mais que você me beije na boca'. Disse: 'Ok'. Não sei se essa repercussão é de pessoas radicais, mas acho que é uma opinião de quem não tem com quem dividir carinho."

O Terra conversou com especialistas para saber se a prática é ou não recomendada, bem como para entender de que forma o hábito impacta a formação das crianças. E, como aponta a psicóloga e psicanalista Juliana Hampshire, o costume pode os menores mais vulneráveis e suscetíveis à confusões sobre questões relacionadas ao consentimento.

"Desde cedo precisamos ensinar sobre autonomia e consentimento, isso é um fator de proteção à infância. Apesar de entendermos o beijo na boca do filho como um gesto inocente, transmitimos com ele que algumas pessoas adultas podem beijar na boca da criança", explica Hampshire, psicóloga e psicanalista.

Geralmente, o vínculo entre um adulto e uma criança é uma relação de poder, ou seja, existe uma hierarquia. Como explica a psicóloga, o adulto é entendido como aquele que sabe mais e, por isso, é alguém da confiança da criança. Porém, a maior parte dos abusos cometidos contra crianças e adolescentes são feitos por adultos de confiança, que frequentam a casa, que a família conhece e confia.

E como discernir quem são as pessoas confiáveis ou não? Como fazer com que os pequenos entendam ou identifiquem um possível pedido disfarçado de abuso? "Para que a criança possa começar a se reconhecer como sujeito autônomo, é fundamental que mães e pais possam transmitir que existe uma diferença entre eles e, apesar de parecer óbvio, isso nem sempre é vivido dessa maneira: meu filho não é uma extensão de mim. É outra pessoa e, mais que isso, outra pessoa no mundo", acrescenta.

A psicanalista ressalta que é preciso que os pais conversem rotineiramente com seus filhos para qualificar os tipos de violência e toques que o adulto (ou outra criança ou adolescente) não devem fazer. "Criar ferramentas para que elas possam identificar aquilo que gostam ou não, que pode ou não, e entender que seu corpo não pode ser manipulado ou invadido é fundamental", realça.

Outro risco do gesto praticado pelos pais é que as crianças podem acabar adotando a forma de carinho na hora de cumprimentar outras pessoas.

"A criança pode querer repetir o gesto com outras pessoas, o que pode levar o aumento da vulnerabilidade a potenciais situações de riscos", pontua a psicóloga clínica Ana Carolina Boesch. Segundo ela, a prática pode induzir os menores a acreditarem que todas as relações são iguais, ou seja, com as mesmas intimidades e expressões de afeto.

"Já em crianças maiores (de 5 a 10 anos), pode ser considerado um comportamento invasivo praticado pelos pais, e, ainda, estimular a sexualidade precoce", completa Boesch, que sugere que os pais não mantenham esse hábito. 

Caso a prática já faça parte da rotina familiar, a sugestão é romper com ela. "Nesse caso, é necessário o encaminhamento para psicoterapia, para que haja a reorganização da dinâmica familiar", recomenda a psicóloga.

Fonte: Redação Terra
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