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Especialistas: quase 200 línguas indianas estão ameaçadas

23 out 2009 - 14h44
(atualizado às 18h02)
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Quase 200 línguas da Índia correm o risco de desaparecer se os pais não fazem esforços para mantê-las em um sistema educacional que privilegia o híndi e o inglês, asseguraram hoje na capital indiana diferentes especialistas.

"Podemos ajudar, como linguistas, a preparar material para preservar essas línguas, mas na realidade depende das comunidades, que devem querer preservar sua língua", disse hoje à agência "Ians" o pesquisador da Unesco para línguas em perigo nos Himalaias, Jean Robert Opegnort.

Junto a outros linguistas, Opegnort participou de um seminário internacional de dois dias realizado em Nova Délhi e organizado pelo organismo indiano encarregado da conservação do patrimônio (Intach) para encontrar formas de proteger as línguas em perigo.

Segundo o Atlas das Línguas em Perigo do Mundo, elaborado pela Unesco este ano, na Índia há 196 línguas ameaçadas.

"Em áreas do Himalaia há pequenos números de falantes de línguas sino-tibetanas, que não contam com caracteres escritos e estão pobremente documentadas. Aqui os pais podem ter um papel essencial", disse Opegnort.

De acordo com o presidente da Intach, S.K. Mishra, o domínio do inglês em nível mundial, e do híndi em nível nacional, "está matando muitas línguas" e, por isso, os educadores devem fomentar a aprendizagem das línguas tradicionais nos primeiros períodos.

Embora o híndi seja o idioma materno de 25% da população da Índia, seu uso como língua oficial está fazendo com que as línguas tribais percam terreno também no âmbito doméstico, segundo a pesquisadora Lisa Lomdak.

Uma pesquisa oficial de 1962 assinalou que na Índia havia mais de 1.600 línguas, enquanto outro de 2002 as reduziu para apenas 122, segundo disse à Agência Ians há poucos dias o pesquisador G.D.

Prasad Sastry.

"Não existe então alguma coisa que não funciona se o Atlas da Unesco afirma que as línguas em perigo são 196?", disse Sastry, que criticou a "falta de vontade" do Governo para enfrentar este problema.

EFE   
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