Escolha do curso: conta mais salário ou prazer?
Escolher o curso significa bem mais do que definir uma profissão para se dedicar para o resto da vida. Representa também a eleição de uma atividade para garantir o sustento próprio e o da família ao longo dos anos.
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Por isso, a situação do mercado de trabalho nas profissões é um fator que acaba pesado na hora da escolha, o que, muitas vezes, impõe aos candidatos um dilema entre escolher o trabalho que gosta ou optar por uma faculdade não tão atraente, mas que possa garantir melhores salários ou o ingresso em um mercado promissor.
Silvio Bock, diretor da Nace Orientação Vocacional, afirma que o importante é o candidato refletir sobre o que é prioridade para si: buscar uma boa renda ou focar na realização profissional. "O que está por trás disso é uma questão de valores pessoais. Não existe resposta absolutamente certa, o necessário é compreender os dois lados", diz.
Nessa reflexão, Bock aconselha que o candidato tome cuidado com algumas ideias prontas sobre trabalho. Por exemplo, o conceito de que todo mundo que faz o que gosta sempre é bem sucedido. Quem aprecia sua profissão efetivamente pode tender a se dedicar mais, mas isso não significa uma garantia de bons resultados ou de superação de dificuldades de mercado. "É preciso pensar se é sempre verdade que quem gosta do seu trabalho chega lá", reforça.
Por outro lado, também é preciso analisar as chances de evolução de mercados de trabalho que hoje parecem pouco convidativos, mas que, no futuro, podem proporcionar boas oportunidades. Bock lembra o caso de cursos como o de Engenharia Civil, que até 2006 era apontado como uma área de trabalho saturada, mas que ganhou força com o crescimento do setor da construção a partir de 2007. "É necessário avaliar: será que daqui a cinco ou seis anos o mercado vai estar igual?", reforça.
A psicóloga especialista em Orientação Profissional Maria das Graças Rodrigues, da Vocatio - Orientação Vocacional Ocupacional, ressalta que, em meio a essa dúvida, o jovem não deve esquecer de considerar na escolha quais são seus talentos, interesses e limitações. "Tem que ter as habilidades requeridas pela profissão", observa.