Chile: protesto estudantil deixa 32 feridos e 54 detidos
Ao menos 32 policiais ficaram feridos, dois gravemente, e 54 manifestantes foram detidos nos confrontos desta quinta-feira em Santiago do Chile ao final de uma manifestação de estudantes, informaram as autoridades. "Há 32 carabineiros machucados produto de atitudes violentas ao final da passeata", disse à imprensa o chefe da polícia de Santiago, Sergio Gajardo.
Os estudantes chilenos voltaram a desafiar o governo e realizaram uma grande marcha pelas ruas de Santiago em defesa do fortalecimento da educação pública, que terminou em um violento confronto com a polícia. Pela terceira vez, em menos de um mês, milhares de estudantes, professores, pais e crianças ocuparam várias quadras da Avenida Alameda, no centro da capital, numa manifestação colorida, e que, tal como aconteceu nas outras duas vezes, resultou em incidentes com a polícia.
Quando a marcha já estava em andamento, longe do palácio presidencial, foram registrados confrontos, com a polícia usando gás lacrimogêneo e jatos d'água. Os manifestantes responderam com pedradas e paus, comprovou a AFP.
Segundo as autoridades, a passeata reuniu 30 mil pessoas; para os organizadores, a participação chegou a 80 mil. Ao contrário das manifestações de 14 e 30 de junho, não havia autorização oficial para passar diante da sede do governo. O subsecretário do Interior, Rodrigo Ubilla, afirmou que "eles estão brincando com fogo. A marcha não foi autorizada".
A convocação foi feita por líderes da Confederação de Trabalhadores do Chile (Confech) e do Colégio de Profesores, com concentração prevista na "Plaza Italia". "Vimos os líderes numa posição intransigente. Os estudantes têm que compreender que a rua não é só deles", afirmou por sua vez a porta-voz oficial do Executivo, Ena von Baer.
"Convocamos há dias para a manifestação na "Plaza Italia". Não entendemos por que tentaram mudar o nosso ponto de encontro. Isso para nós representa uma dificuldade tremenda", explicou o líder estudantil, Giorgio Jackson. De acordo com Jackson, todos defendem o fortalecimento da educação pública, num país que prevê um crescimento de mais de l6% para este ano, mas onde o Estado tem um papel secundário no sistema educativo - herdado da ditadura de Augusto Pinochet, que reduziu para menos da metade o aporte público à educação.
A manifestação foi convocada 10 dias depois de o presidente Sebastián Piñera propôr um "grande acordo nacional da educação", que inclui um fundo de 4 bilhões de dólares, mas que não trará uma reforma profunda para o sistema, tal como o desejam os estudantes.