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Chile: protesto estudantil deixa 32 feridos e 54 detidos

14 jul 2011 - 18h53
(atualizado às 19h47)
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Ao menos 32 policiais ficaram feridos, dois gravemente, e 54 manifestantes foram detidos nos confrontos desta quinta-feira em Santiago do Chile ao final de uma manifestação de estudantes, informaram as autoridades. "Há 32 carabineiros machucados produto de atitudes violentas ao final da passeata", disse à imprensa o chefe da polícia de Santiago, Sergio Gajardo.

Estudantes chilenos lotam ruas da capital Santiago em mais um protesto pela melhoria da educação
Estudantes chilenos lotam ruas da capital Santiago em mais um protesto pela melhoria da educação
Foto: AFP

Os estudantes chilenos voltaram a desafiar o governo e realizaram uma grande marcha pelas ruas de Santiago em defesa do fortalecimento da educação pública, que terminou em um violento confronto com a polícia. Pela terceira vez, em menos de um mês, milhares de estudantes, professores, pais e crianças ocuparam várias quadras da Avenida Alameda, no centro da capital, numa manifestação colorida, e que, tal como aconteceu nas outras duas vezes, resultou em incidentes com a polícia.

Quando a marcha já estava em andamento, longe do palácio presidencial, foram registrados confrontos, com a polícia usando gás lacrimogêneo e jatos d'água. Os manifestantes responderam com pedradas e paus, comprovou a AFP.

Segundo as autoridades, a passeata reuniu 30 mil pessoas; para os organizadores, a participação chegou a 80 mil. Ao contrário das manifestações de 14 e 30 de junho, não havia autorização oficial para passar diante da sede do governo. O subsecretário do Interior, Rodrigo Ubilla, afirmou que "eles estão brincando com fogo. A marcha não foi autorizada".

A convocação foi feita por líderes da Confederação de Trabalhadores do Chile (Confech) e do Colégio de Profesores, com concentração prevista na "Plaza Italia". "Vimos os líderes numa posição intransigente. Os estudantes têm que compreender que a rua não é só deles", afirmou por sua vez a porta-voz oficial do Executivo, Ena von Baer.

"Convocamos há dias para a manifestação na "Plaza Italia". Não entendemos por que tentaram mudar o nosso ponto de encontro. Isso para nós representa uma dificuldade tremenda", explicou o líder estudantil, Giorgio Jackson. De acordo com Jackson, todos defendem o fortalecimento da educação pública, num país que prevê um crescimento de mais de l6% para este ano, mas onde o Estado tem um papel secundário no sistema educativo - herdado da ditadura de Augusto Pinochet, que reduziu para menos da metade o aporte público à educação.

A manifestação foi convocada 10 dias depois de o presidente Sebastián Piñera propôr um "grande acordo nacional da educação", que inclui um fundo de 4 bilhões de dólares, mas que não trará uma reforma profunda para o sistema, tal como o desejam os estudantes.

AFP Todos os direitos de reprodução e representação reservados. 
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