Profissão de assessor de investimentos ganha espaço no mercado

Consultoria aponta que 77% dos assessores estão ligados à XP; remuneração média varia muito, já que eles não recebem salário fixo, mas comissões

22 dez 2020
05h13
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Com a popularização das plataformas abertas de investimentos, uma figura que ganha cada vez mais destaque no mercado financeiro é a do assessor de investimentos, que atua como agente autônomo (AAI) ligado às corretoras.

Segundo a Ancord (Associação Nacional das Corretoras e Distribuidoras de Títulos e Valores Mobiliários, Câmbio e Mercadorias), o Brasil fechou o terceiro trimestre com 11.305 AAIs credenciados, alta de 27,83% na comparação com o mesmo período do ano passado.

Destes, 8.981 estavam vinculados a pelo menos uma corretora, o que é obrigatório para exercer a profissão. Por lei, os AAIs só podem distribuir valores mobiliários por meio de uma única corretora.

A consultoria AAWZ aponta que 77% dos assessores são ligados à XP Investimentos, maior corretora do País. De acordo com a empresa, que disputa esse mercado com diversas corretoras e enfrenta o recente avanço do BTG Pactual, apenas em outubro foram adicionados 500 novos assessores à sua base.

Considerado uma evolução do tradicional gerente de banco, o AAI é um profissional especialista em investimentos, que trabalha diretamente no relacionamento com o cliente e ajuda o investidor na montagem da sua carteira. O AAI não pode recomendar produtos diretamente, servindo como uma ponte entre o cliente e a equipe de análise de cada corretora.

Para exercer essa função é necessário ter uma veia empreendedora e gostar de se relacionar com pessoas. "É um trabalho que também envolve educação financeira, uma vez que o assessor, muitas vezes, acaba sendo uma espécie de professor para o investidor iniciante", conta Bianca Juliano, responsável pela escola de MBAs da XP, ao Estadão/Broadcast.

Coordenador do MBA Banking da FIA, Roy Martelanc compara a função à de um caçador, tendo em vista que os resultados dependem do quanto cada assessor consegue captar no mercado. "O resultado depende do seu esforço e capacidade. Se a pessoa compreender bem como funciona o mercado de investimentos, pode crescer muito rápido."

Também é importante que o AAI goste e tenha noções sobre macroeconomia, para explicar ao investidor como cada investimento faz sentido dentro da estratégia. A profissão é considerada um dos principais responsáveis para o avanço recente das plataformas.

A remuneração média varia muito, uma vez que depende do volume de recursos na carteira de clientes. Os AAIs não recebem um salário fixo, mas comissões, chamadas de rebates, conforme o produto vendido. Um assessor que atende clientes do segmento private, mais endinheirados, tende a ganhar mais do que um profissional dedicado a investidores com patrimônio mais baixo, por exemplo.

Geralmente, os clientes com tíquete menor são direcionados a assessores mais jovens, que estão começando na sua carreira. Aqui, é importante ressaltar que a maioria dos escritórios de AAIs costuma priorizar o atendimento para investidores com patrimônio a partir de R$ 300 mil, R$ 500 mil, oferecendo modalidades digitais mais simples de assessoria para quem tem menos dinheiro.

Segundo Bianca Juliano, a XP repassa mensalmente à sua rede de AAIs cerca de R$ 20 mil por assessor, através das comissões. Contudo, ela também alerta para a importância de se fazer um planejamento sólido para quem pensa em migrar para a carreira. "É preciso tempo para formar um portfólio robusto, algo entre um ano e meio e dois anos."

Certificações obrigatórias

Para exercer a profissão de agente autônomo num escritório vinculado a uma corretora é necessário fazer o exame de certificação da Ancord, que passou a ser feito também online durante a pandemia.

Já para o assessor que trabalha dentro da corretora, as certificações necessárias são as mesmas de quem exerce funções parecidas em bancos. No caso dos profissionais que atendem diretamente os clientes, é preciso o CPA-20, emitido pela Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais), enquanto os brokers têm o PQO, da B3. Desde 2012, a prova da Ancord já abrange os conteúdos do CPA-20 e do PQO.

Além das certificações obrigatórias, existe o CFP, emitido pela Planejar (Associação Brasileira dos Planejadores Financeiros), que funciona como um atestado de aprimoramento pessoal. Mesmo não sendo requisito para praticar a profissão, o CFP é altamente recomendado, por dar outro status ao assessor.

Broker, aquele que não sai da mesa

Outra categoria menos demandada, mas também em crescimento, é a do AAI que atua como broker. Este trabalha na mesa de operações, com menos contato com os clientes, sendo responsável por operar o mercado e executar ordens de compra e venda de ativos. O broker raramente sai da mesa, mesmo durante o almoço, e precisa ficar atento ao mercado em tempo real, capturando oportunidades e de olho nas recomendações dos analistas.

Esse profissional funciona como elo entre a ponta compradora e a vendedora, o que demanda um perfil mais operacional, minucioso e ágil. O broker entra em contato com o cliente para oferecer opções de investimento no mercado acionário, sempre em linha com a estratégia traçada pelo assessor.

"Como ele vive o mercado intensamente, o broker também precisa ser resiliente, sem se abalar e mantendo a cabeça no lugar em momentos de queda generalizada", afirma Bianca Juliano.

A executiva ainda destaca o grau de atenção exigido, tendo em vista que o broker precisa dominar as ferramentas operacionais e não pode se dar ao luxo de errar nas operações. De acordo com ela, a remuneração também varia bastante entre os brokers, mas costuma ser próxima, em média, à dos demais assessores - e também é feita por meio de comissões.

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Estadão
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