Pesquisa revela as mentiras mais comuns em currículos e como recrutadores descobrem
Levantamento da Robert Half aponta que exageros em habilidades, experiências e conquistas estão entre as mentiras mais comuns
Em um mercado de trabalho cada vez mais competitivo, mentiras, ou exageros, em currículos continuam sendo um risco frequente nos processos seletivos. Uma pesquisa da Robert Half mostra que recrutadores estão atentos não só ao conteúdo dos documentos, mas também ao comportamento dos candidatos durante as entrevistas.
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Entre as mentiras mais notadas estão a exageração de habilidades técnicas, distorções sobre experiências profissionais, nível de idioma acima do real, justificativas maquiadas para saídas de empregos e conquistas infladas.
Do lado dos candidatos, a maioria afirma manter transparência: 74% dizem nunca ter omitido ou distorcido informações. Ainda assim, 15% admitem já ter ajustado o currículo, enquanto 10% consideraram fazê-lo. Entre os recrutadores, 58% afirmam já ter eliminado candidatos após identificar inconsistências ou falsificações.
As motivações para alterar informações variam. Entre as mais citadas estão o medo da concorrência, a tentativa de se encaixar no perfil ideal da vaga, receio de interpretações negativas sobre lacunas profissionais, pressão financeira e insegurança com a própria trajetória.
O levantamento também abordou como os recrutadores identificam as mentiras, como por meio de respostas mecânicas ou padronizadas, apontadas por 69% dos recrutadores. Em seguida, aparecem contradições entre o que está no currículo e o que é dito na entrevista (65%). Também chamam atenção a dificuldade em sustentar respostas espontâneas e a falta de profundidade ao detalhar experiências, ambos com 51%.
Outros sinais incluem a incapacidade de explicar decisões técnicas (39%), uso de linguagem excessivamente formal (36%) e descrições de resultados "perfeitos demais" (33%). Há ainda casos em que respostas soam muito semelhantes a modelos de inteligência artificial (30%), dificuldades ao falar de detalhes (28%) e até desconhecimento sobre atividades descritas no próprio currículo (26%).
Segundo a diretora da Robert Half, Marcela Esteves, o uso de tecnologia pode ajudar, mas é preciso ter limites. "Há diversos recursos que podem organizar ideias e a estrutura do currículo, mas nenhum deles substitui a experiência real do profissional. Como costumamos reforçar, a IA deve ser parceira, não substituta. Quando o documento se distancia demais da trajetória de um candidato, isso se torna evidente rapidamente durante as entrevistas e, por fim prejudicar sua reputação", afirma.