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Bolsonaro diz que Enem "começa a ter a cara do governo"

Declaração ocorre após pedido de demissão em massa no Inep de servidores que desempenhavam funções cruciais para a realização do exame

15 nov 2021 17h10
| atualizado às 17h27
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Presidente Jair Bolsonaro em cerimônia no Palácio do Planalto
10/03/2021
REUTERS/Ueslei Marcelino/File Photo
Presidente Jair Bolsonaro em cerimônia no Palácio do Planalto 10/03/2021 REUTERS/Ueslei Marcelino/File Photo
Foto: Reuters

O presidente Jair Bolsonaro disse nesta segunda-feira (15) que o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) "começa a ter a cara do governo". A declaração ocorre após pedido de demissão em massa no Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), com a saída de 37 servidores que desempenhavam funções cruciais para a realização do exame.

O presidente disse que o ministro Milton Ribeiro, da Educação, garantiu que o Enem será realizado sem impactos pelas demissões. A prova será aplicada nos dias 21 e 28 de novembro para cerca de 3,1 milhões de candidatos ao ingresso no ensino superior.

"O Milton é do ramo. Ele mandou uma mensagem há pouco e disse que a prova do Enem vai ocorrer na mais absoluta tranquilidade", disse Bolsonaro, durante entrevista na Expo Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. "Começam agora a ter a cara do governo as questões da prova do Enem. Ninguém precisa agora estar preocupado com aquelas questões absurdas do passado, o tema da redação não tinha nada a ver com nada. Realmente é algo voltado ao aprendizado", disse Bolsonaro.

Os servidores do Inep que pediram exoneração alegaram na carta de demissão "fragilidade técnica e administrativa da atual gestão máxima" do instituto, além de situações de assédio por parte do presidente do instituto, Danilo Dupas. O pedido de demissão coletiva começou inicialmente com 13 nomes, mas na sequência mais funcionários decidiram assinar a carta.

"É um absurdo o que se gastava com poucas pessoas lá", acusou Bolsonaro, sem dar evidências, nem dizer a quem se referia.

No domingo, o Fantástico, da TV Globo, trouxe entrevistas com alguns dos 37 servidores do Inep que entregaram seus cargos. Eles relataram tentativas de interferência no conteúdo das provas para não desagradar ao Palácio do Planalto na elaboração das questões.

A debandada no Inep afeta, principalmente, a Diretoria de Planejamento de Gestão, que abrange duas áreas ligadas diretamente à aplicação da prova e à logística do Enem. Entre os servidores que pediram exoneração boa parte participou da equipe para gestão de incidentes no ano passado, que cuida de eventuais problemas no dia do exame. Por exemplo, são responsáveis pelo remanejamento de locais de prova em casos de problemas climáticos. E, na hora da prova, resolvem incidentes como a demora para a abertura de portões. Com as saídas agora, não está claro quem fará parte desse comitê de crise.

Servidores também acusam o presidente do Inep de tentar passar uma portaria se eximindo da responsabilidade por eventuais problemas no dia do Enem, o que ele negou em seu depoimento à Comissão de Educação da Câmara na quarta-feira da semana passada. Desde o início do governo Bolsonaro, o Inep sofre com a saída de servidores que alegam interferência política e desvalorização da técnica. Sete ex-ministros da Educação chegaram a divulgar em abril uma carta dizendo que o Inep estava "em risco".

Estadão
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