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Bisneta de cirandeiro, adolescente de 15 anos diz que foi mordida por 'bichinho da música' e sonha em ser violinista

Programa da Casa da Música de Paraty oferta 20 modalidades de ensino; cerca de 300 crianças e jovens da região participam do projeto

4 ago 2026 - 04h58
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Bisneta de cirandeiro, Elloá Santos Moreira, de 15 anos, já escolheu que também quer seguir o caminho da música
Bisneta de cirandeiro, Elloá Santos Moreira, de 15 anos, já escolheu que também quer seguir o caminho da música
Foto: Charles Trigueiro

Bisneta de cirandeiro, Elloá Santos Moreira, de 15 anos, já escolheu que também quer seguir o caminho da música, assim como seu familiar. A estudante tem o sonho de se tornar uma violinista profissional. "Um antigo professor me disse que o bichinho da música me mordeu. Quando ele morde, não tem mais como tirar. Eu sinto que sou chamada pela música, a música me fez ter um propósito", afirma a adolescente ao Terra.

Moradora de Paraty, no litoral do Rio de Janeiro, Elloá começou a se desenvolver na música desde os 11 anos. Em 2022, ela ingressou no projeto Orquestra Escola Pequenina Calixto, como aluna de violino, quando estudava na Escola Municipal de Ensino Fundamental Professora Pequenina Calixto. No programa, ela se destacou rapidamente e virou spalla da orquestra --função desempenhada pelo primeiro violino de uma orquestra, o principal líder dos instrumentistas e o braço direito do maestro.

Dois anos depois, em 2024, ela foi convidada a integrar a Camerata de Cordas, grupo avançado de instrumentos de cordas da Casa da Música de Paraty. Hoje, a adolescente cursa o Ensino Médio no Colégio Estadual Engenheiro Mário Moura Brasil do Amaral e, além de ser spalla da Camerata, atua na mesma função na Orquestra Jazz Sinfônica Jovem de Paraty.

Elloá ainda participa de grupos de música de câmara, com apresentações em duo de violinos e em duo de violino e piano. Recentemente, ela se apresentou na Casa Flip+Motiva, durante a Festa Literária Internacional de Paraty. 

"Desde criança, a música estava no meu caminho. Só que eu olhava e pensava 'nossa, deve ser tão difícil', até que eu entrei e a música deu uma amplitude de visão diferente. Hoje, não olho só para a música, enxergo outras coisas por trás. Eu não consigo mais escutar música sem pensar nas notas dela, não consigo mais fazer coisas que não têm música. O meu dia a dia tem música agora", destaca a jovem. 

Elloá começou a se desenvolver na música desde os 11 anos
Elloá começou a se desenvolver na música desde os 11 anos
Foto: Charles Trigueiro

Projeto de música gratuito

A Casa da Música de Paraty, da qual a estudante faz parte, oferece aulas gratuitas para cerca de 300 crianças e jovens da região, por meio do Programa Educativo da Música. Mais da metade dos participantes é formada por estudantes da rede pública que vivem em áreas periféricas ou rurais.

O programa reúne cursos de iniciação, formação e apreciação musical, além de aulas práticas em grupo, totalizando quase 100 horas semanais de atividades. São ofertadas 20 modalidades de ensino, incluindo instrumentos de corda, sopro, piano e percussão, além de práticas de conjunto como orquestras, cameratas e grupos de choro. O projeto é apoiado pelo Instituto Motiva. Neste ano, a organização renovou a parceria, firmada no ano passado, e investiu R$ 400 mil, por meio do Fundo para a Infância e Adolescência (FIA).

Projeto da Casa da Música de Paraty oferece aulas gratuitas para cerca de 300 crianças e jovens da região
Projeto da Casa da Música de Paraty oferece aulas gratuitas para cerca de 300 crianças e jovens da região
Foto: Charles Trigueiro

Para a presidente do Instituto Motiva, Renata Ruggiero, o projeto impacta para além da atuação musical, é um trabalho de desenvolvimento humano. "Isso reflete em aprendizagem escolar, isso reflete em sociabilidade. É um valor que a gente acredita mesmo dentro da educação e da cultura que é transformador para esses jovens", afirma.

Cristina Maseda, diretora-geral da organização social responsável pela gestão da Casa da Música de Paraty e da Casa da Cultura de Paraty, também ressalta que é gratificante poder descobrir novos talentos e apoiá-los para que eles tenham a "música como ar".

"Acho que tem impactado muito positivamente na vida desses jovens, porque eles adquirem essa prática musical. Com certeza, esse acesso, essa abertura, eu falo de janelas, de horizontes, isso traz de fato uma fruição cultural, que eles se apropriam da cultura, se apropriam das artes, e a gente precisa da arte para viver."

Circuito Cultural amplia o acesso de crianças e jovens do ensino público e projetos sociais a experiências culturais
Circuito Cultural amplia o acesso de crianças e jovens do ensino público e projetos sociais a experiências culturais
Foto: Charles Trigueiro

Outros programas em Paraty

A partir deste ano, o Instituto Motiva vai apoiar o Programa Inspirar para o Futuro, uma iniciativa da Casa da Cultura de Paraty voltada à ampliação das oportunidades de formação, participação social e qualificação profissional de jovens da rede pública de ensino, de 16 a 24 anos. O investimento é no valor de R$ 400 mil.

O programa conecta cultura, tecnologia, sustentabilidade e desenvolvimento humano, preparando os participantes para os desafios da vida acadêmica e do mundo do trabalho. A expectativa é beneficiar diretamente 200 jovens nas atividades de mediação cultural, receber cerca de 2 mil pessoas nas ações abertas ao público e formar uma turma de 20 alunos no Laboratório de Artes Visuais. 

O Instituto Motiva também conta com o Circuito Cultural, criado para ampliar o acesso de crianças e jovens do ensino público e projetos sociais a experiências culturais. A iniciativa promove visitas mediadas a museus, centros culturais e projetos de referência em diferentes cidades do País. Neste ano, o circuito estreou na Flip, onde em torno de 270 crianças e adolescentes de Paraty foram levados para participar da festa literária.

Com atuação em São Paulo, Rio de Janeiro e Salvador, o Circuito Cultural receberá investimento de R$ 1 milhão neste ano e prevê a realização de 83 visitas, beneficiando cerca de 3 mil jovens.

"A gente acredita que a cultura e a educação têm esse poder de ampliar repertórios. E com essa consciência mais ampla, você tem todo o trabalho de desenvolvimento do espírito crítico, e isso faz esses jovens, essas crianças, conseguirem entender melhor seu presente, pensar o melhor do seu futuro, não só individualmente, mas coletivamente como nação", diz Renata Ruggiero.

*A repórter viajou a convite do Instituto Motiva, patrocinador e parceiro oficial de mobilidade da Flip 2026.

Fonte: Portal Terra
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