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'As faculdades vão voltar para o presencial, mas com o uso mais intensivo da tecnologia'

Ensino superior vive um momento desafiador, mas o avanço da vacinação deve trazer aos poucos a normalidade

31 mai 2021 05h01
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O ensino superior vive um momento desafiador, com evasão, inadimplência, menor entrada de alunos e dificuldades advindas da pandemia. Mas na opinião de Rodrigo Capelato, diretor executivo do Semesp, o avanço da vacinação aos poucos trará um pouco de normalidade. E no pós-covid a palavra de ordem para o ensino superior no Brasil será "transformação digital".

Rodrigo Capelato, diretor-executivo do Semesp
Rodrigo Capelato, diretor-executivo do Semesp
Foto: MARIANA TOKARNIA / AGENCIA BRASIL / Estadão

Qual a situação atual das faculdades no País e a perspectiva?

O que tem acontecido na maioria dos casos é que as aulas teóricas se mantêm online, com a volta das atividades práticas principalmente na área da saúde. O esforço agora é para que esse retorno atinja as demais áreas. Veja, por exemplo, um último ano de um curso de Engenharia: você já esgotou tudo o que é remoto e precisa fazer o que é prático, em laboratórios de mecânica civil e elétrica. Mas hoje é bastante complicado e caro voltar, com todas as questões de distanciamento, a necessidade de turmas muito reduzidas. Em vez de dar aula para 30 alunos, precisa dar para 10 de cada vez. Aula normal mesmo só com o avanço da vacinação. Mas a expectativa no segundo semestre é de voltar com cerca de 30%, 35% dos alunos presencialmente, como foi no melhor momento até agora, no segundo semestre do ano passado.

E evasão e inadimplência?

A volta é importante sobretudo para os novos alunos. Muitos deixaram de ingressar na faculdade à espera de uma volta à normalidade. Isso causou um grande problema para as instituições. No segundo semestre de 2020, a entrada teve uma queda de 38%, na comparação com o ano anterior, e agora, no início de ano, a queda foi de 25%. Já a inadimplência cresceu 30% no ano passado e este ano a gente espera que cresça 40%. Muita gente foi afetada pelo desemprego, que bateu recorde, pela redução das fontes de renda...

E a saúde das instituições particulares também foi afetada?

É uma tempestade perfeita. Muita instituição está em dificuldades, com inadimplência, entrada de aluno menor que o normal, pouco uso da capacidade instalada, e também teve a evasão, que cresceu 17% no ano passado. As instituições perderam 30% a 40% da receita. Não houve fechamento até agora, mas ocorreram demissões de professores, devolução de prédios, uma situação delicada.

E no pós-covid, qual será o cenário, a palavra de ordem?

Transformação digital será essa palavra. As instituições vão voltar para o presencial, mas com o uso mais intensivo da tecnologia, com 'n' formas de entregar o curso para o aluno. Ele poderá continuar a assistir aulas remotamente, mas você poderá trazer professores do mundo inteiro para esses programas. E não será preciso ir todos os dias à instituição, você poderá facilitar a vida do estudante. Quando houver, as aulas presenciais serão interativas, em grupo, com o aluno como protagonista.

Estadão
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