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Após três meses de greve, UnB retoma aulas em clima de dúvidas

Após três meses de greve, UnB retoma semestre em clima de dúvidas

21 ago 2012 - 15h54
(atualizado às 16h05)
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Após a decisão pelo fim da greve dos docentes, tomada em assembleia realizada na última sexta-feira, a maioria dos alunos da Universidade de Brasília (UnB) foi ao campus esperando por aulas que não aconteceram. Amanda Leite, aluna de engenharia, chegou à Faculdade de Tecnologia às oito horas da manhã de segunda-feira e encontrou a sala vazia. "Ouvi dizer que as aulas de cálculo não vão recomeçar ainda, mas não tenho certeza. Nessa matéria ainda faltam duas provas, mas as outras disciplinas estão perto do final ou já acabaram", contou.

A maioria dos alunos da Universidade de Brasília (UnB) chegou ao campus da instituição esperando por aulas que não aconteceram
A maioria dos alunos da Universidade de Brasília (UnB) chegou ao campus da instituição esperando por aulas que não aconteceram
Foto: Paulo Castro/Agência UnB / Divulgação

Os professores questionam o resultado que deliberou pelo fim da greve, que já durava quase 90 dias. Após reunir 372 assinaturas, em iniciativa do Comando Local de Greve, pediram a convocação de uma nova assembleia para rediscutir a paralisação, que pode ser retomada.

"Essa volta às aulas acontece de forma errada", reclamou Vítor Câmara Leite, estudante de Ciências da Computação. "A maioria dos professores não apareceu. Os alunos estão gastando gasolina ao vir para a universidade", afirmou, dizendo-se surpreso com o fim da greve, uma vez que não houve avanços nas negociações com o governo.

No Pavilhão João Calmon, mais da metade das salas que tinham aulas previstas estavam sem ninguém. Em uma delas, a professora explicava como seria o procedimento de volta às aulas. "Não vamos fazer chamada nem avançar no conteúdo. Haverá a entrega da última prova. Vamos ter que esperar para ver como tudo vai caminhar. O momento é confuso e tenso. Quem tiver perguntas sobre a situação da greve, pode perguntar", disse a professora, que pediu para não ser identificada.

No Instituto Central de Ciências (ICC), o clima também era de indefinição e ansiedade. "Com três provas e dois trabalhos por vir, ainda não tenho notícias sobre como será o novo calendário ou se os seus professores das minhas matérias retornaram mesmo", disse a aluna Mariana Bernardes, da Letras.

Na Faculdade de Medicina, alguns professores informaram aos alunos que esperam definição do calendário pelo Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (Cepe) para retomar os conteúdos. Porém, receberam os alunos para adiantar atividades de organização das aulas, como marcação de provas e entrega de trabalhos. Outros docentes retomaram as aulas normalmente.

No prédio da Faculdade de Estudos Sociais Aplicados (FA), onde funciona boa parte das aulas dos cursos de direito, ciência política e relações internacionais, o movimento de professores e alunos foi fraco. Alguns estudantes vieram à universidade em busca de ajuda da secretaria, mas foram informados que a greve dos servidores técnico-administrativos continua e que esses serviços ainda não estão normalizados.

Além das assembleias docentes, os alunos também se reúnem para discutir se mantêm a paralisação iniciada logo após a dos professores. O Diretório Central dos Estudantes (DCE) conversa com os alunos sobre a paralisação estudantil e apresenta resultado de enquete sobre o tema. Há uma proposta, inclusive, de radicalizar o movimento, pedindo suspensão do semestre e do vestibular.

Depois de 72 dias de braços cruzados, os servidores técnico-administrativos da UnB suspenderam o movimento grevista. Na próxima segunda-feira, a categoria deve voltar aos postos de trabalho. O fim da greve está condicionado à assinatura do acordo pelo governo, que está programada para esta quarta-feira. Caso isso não aconteça, será realizada nova assembleia na quinta-feira, com encaminhamento de retorno ao movimento.

Calendário acadêmico

Embora os professores questionem o resultado da assembleia, até que uma nova decisão seja tomada permanece a deliberação tomada pelos docentes na última sexta-feira: fim da greve e retorno imediato às aulas. O reitor José Geraldo de Sousa Junior anunciou que convocará o Cepe para discutir um novo calendário acadêmico. "Não o farei essa semana em razão do calendário da consulta, mas isso não significa que as aulas estão suspensas. A retomada das aulas foi deliberada em assembleia. O que vamos discutir são as datas finais do calendário", afirmou.

Enquanto isso, o movimento de pessoas na universidade vai sendo retomado aos poucos. Segundo o Departamento de Transporte e Segurança da Universidade de Brasília, o movimento de carros no campus Darcy Ribeiro foi bem maior que nos últimos meses, mas ainda bem abaixo do normal em períodos letivos. Nos campi de Planaltina e do Gama, a circulação de pessoas também não foi grande. Parte dos professores ainda não retomou as atividades, ou por não estar disponível (alguns docentes avisaram alunos sobre participações em bancas e congressos), ou por não concordar com o fim da greve. O calendário letivo só será discutido após o primeiro turno da votação para reitor.

Com informações da Agência UnB

Fonte: Terra
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