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Especialista afirma que bambu e algas são a solução para substituir o plástico

1 ago 2018
16h16
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Ele é conhecido como "o Che Guevara da Sustentabilidade". Ainda que não pegue em armas, o trabalho do economista e empreendedor social belga Gunter Pauli é revolucionário, já que corre o mundo disseminando a Economia Azul, modelo que criou - e o consolidou no livro homônimo, lançado em 2009 - que propõe o fortalecimento da economia circular se utilizando apenas de recursos locais. Há mais de duas décadas, Pauli aconselha governos, empresários e pesquisadores a desenvolver e implementar inovações simples, baseadas na natureza, para atender às demandas sociais começando pela água, alimentação, habitação, saúde e energia.

Foto: BARC / DINO

"Quem não vem ao mundo para perturbar, não merece a atenção nem a paciência dos outros", é um lema que costuma repetir.

Em recente participação no Congresso Global de Bambu e Ratã (BARC), em Pequim, na China, ele falou sobre o quanto a indústria do bambu ainda é preterida por investidores e pela ciência.

Você disse que o bambu poderia substituir o plástico. Como isso funciona?

Quando você tem de substituir milhões de toneladas de plástico, precisa de um recurso renovável capaz de produzir milhões de outras toneladas. Só conheço dois: o bambu e a alga marinha. São as únicas espécies regenerativas na Terra capazes de produzir a biomassa que poderia ser convertida no que hoje é feito de plástico. O bambu e as algas são o milagre do mundo para prover a diversidade que precisamos. Existem mil tipos de bambu e mil tipos de algas, que nos oferecem a complexidade das moléculas do plástico. A natureza também produz isso, só nessas duas espécies.

Seria possível fazer isso em grande escala?

A ciência não está se concentrando nisso. O que precisamos é mobilizar a ciência para que nos permita ver o caminho e convencer os jovens cientistas e engenheiros químicos a olharem para essa questão.

Afinal, o que é o plástico?

Um óleo que com vapor se transforma num ácido. Depois adiciona-se açúcar. Toda planta produz açúcar. E o açúcar vira álcool. Ácido mais álcool, resulta em plástico. Tudo o que precisamos está disponível na natureza.

Como convencer as pessoas a substituir o plástico por bambu?

A inovação acontece quando se tem um mercado cativo em um território. É preciso ser estratégico e desenvolver a economia ao redor das áreas onde existem florestas de bambu. Como poderemos ter uma indústria estabelecida, para substituir milhares de toneladas de plástico se não há investimento? Escuto gente falando sobre desenvolvimento de ecossistemas com o bambu, mas ninguém fala de fazer plástico com o bambu. Se desenvolvermos a economia baseada no bambu, não chegaremos a lugar nenhum, porque nunca vamos conseguir competir com apenas um ingrediente sozinho.

E por que não há investimento?

O maior problema é a ignorância. Até engenheiros sentados na primeira fila das minhas palestras olham para as estruturas de bambu que apresento e não acreditam que é possível. O desafio que estamos encarando é a falta de investimento financeiro na indústria do bambu. Muito do que foi desenvolvido no passado, falhou. Como no Brasil, quando tentaram fazer papel com bambu, sem o devido estudo e investimento sério.

Como inspirar os empresários a investir no bambu?

É preciso falar para o cérebro e para o coração. As casas feitas de bambu na Colômbia, por exemplo, são frescas, ventiladas e não precisam de ar condicionado. Isso já comprova que é um ótimo investimento. Não fale sobre dinheiro, mas mostre uma proposta irrecusável e eles se convencem.

Quem está fazendo um bom trabalho neste sentido no Brasil?

Lucio Ventania, em Minas Gerais, e o belga Sven Mouton, em Ubatuba. A simplicidade do trabalho deles convida as pessoas a participarem do processo. É fascinante.

Como o bambu se insere na economia circular?

Ainda não percebemos até que ponto podemos ir. O bambu desperdiçado na construção tem muitas utilidades. Esse "resto" pode virar carvão de bambu, um material absorvente utilizado, por exemplo, em fraldas. Esta sobra também pode virar biomassa e enriquecer o solo com carbono. Transformando uma tonelada de sobra de bambu em uma tonelada de solo para o plantio de árvores frutíferas, em dez anos cada árvore estará produzindo 50 kg de frutas. Essa perspectiva vai além do que já sabemos sobre o bambu e sua contribuição ecológica. Por isso não podemos parar de pesquisar.



Website: http://www.gunterpauli.com
DINO Este é um conteúdo comercial divulgado pela empresa Dino e não é de responsabilidade do Terra

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