A tecnologia como aliada nas habilidades educacionais do século XXI
Durante muito tempo, inteligência, capacidade de resolver problemas e raciocínio lógico foram tratados como essenciais para que alunos tivessem sucesso em suas vidas. Nesse sentido, os conteúdos programáticos e as avaliações educacionais surgiram para medir essas competências, conhecidas como cognitivas, por estarem ligadas ao conhecimento. No entanto, diversas pesquisas na área educacional mostraram que não basta dominar as disciplinas se o indivíduo não souber se relacionar com os outros, não souber lidar com os desafios ou não conseguir controlar suas emoções, dentre outras características da personalidade. Para esse conjunto de habilidades, os educadores chamam de "competências não cognitivas ou socioemocionais".
Essa realidade passou a ser discutida mais precisamente em 1999, a partir do documento "Educação: Um Tesouro a Descobrir", da Unesco, que sugere quatro tipos fundamentais de aprendizagem: aprender a conhecer, aprender a fazer, aprender a viver com os outros e aprender a ser, e, dessa forma, foram eleitos como os quatro pilares essenciais da educação. Como as crianças passam a maior parte do dia nos colégios, a comunidade escolar começou a pensar em como estimular habilidades não cognitivas como a colaboração, a autonomia, a estabilidade emocional, a sociabilidade, e outras.
Segundo Kelly Szabo, do SmartLab - projeto de tecnologia educacional do Grupo Santillana - esse processo deve ser construído desde a primeira infância: "Estamos educando pessoas e elas não vivem só de disciplinas como matemática e inglês. Com a convivência, os conflitos vão sempre existir e por isso, devemos estimular essas competências desde cedo. Percebo que na educação infantil isso é mais comum. Nessa fase, as crianças precisam aprender a dividir seus brinquedos, escolher o que vão comer e lidam muito com essa questão do convívio. Porém, na medida em que vão trocando de ciclos de ensino e as disciplinas aumentado, as mesmas ficam focadas nos conteúdos programáticos, e, consequentemente, as outras competências passam a ser secundárias".
Tecnologia e formação docente
O professor é uma figura estratégica, pois é ele quem está participando ativamente deste processo. O docente deve observar que alguns alunos são mais expansivos e outros mais retraídos. Além disso, eles trazem diferentes experiências vividas fora do ambiente escolar. Tendo em vista essas predisposições, o educador tem a liberdade de decidir qual estratégia deve adotar para alcançar as metas que precisa em sala de aula. A tecnologia é uma delas. "Os alunos possuem formas de aprendizagem diferente. Têm alunos que aprendem de forma tradicional, outros que preferem estudar com games, vídeos e quizz, por exemplo. Por sua vez, os recursos tecnológicos oferecem opções para maximizar as oportunidades de aprendizado e criar experiências significativas para os alunos", pontua Kelly, que também é consultora pedagógica.
Neste sentido, o SmartLab oferece várias Labs que auxiliam os professores a tirarem o proveito máximo de todos os benefícios que as novas tecnologias podem trazer à prática pedagógica. Reconhecida como "o netflix" da educação, a plataforma tem conteúdos dos melhores parceiros educacionais do Brasil e exterior e oferece várias atividades ligadas à robótica, empreendedorismo, cidadania digital, programação e espaço maker, por meio de uma única senha e login. Com a disponibilização de vários recursos, o SmartLab consegue promover a personalização do ensino, de acordo com as necessidades de cada estudante.
Um dos parceiros do projeto que proporcionam uma forma de aprendizado focada em desenvolver as habilidades socioemocionais é a Joy Street, empresa de educação que oferece soluções em tecnologias educacionais lúdicas e que está presente no SmartLab com o Plinks - plataforma gamificada que trabalha com crianças, de uma forma divertida no engajamento de português e matemática.
Adriana Martinelli, gerente de negócios da Joy Street, pontua que a cultura digital permitiu a colaboração, a comunicação e o compartilhamento, possibilitando à comunidade escolar a trabalhar nos estudantes o pilar "ser", da Unesco: "Essas competências são tão importantes porque a medida que você se conhece, é possível lidar melhor com o outro. É possível olhar para dentro e depois olhar para fora com outro paradigma. A tecnologia promove o diálogo, as crianças se fazem entender por meio de texto, vídeos, têm mais facilidade de se comunicar e desenvolvem aspectos de raciocínio lógico e do pensamento autônomo e crítico", ressalta.
No entanto, a tecnologia ainda encontra barreiras quando se depara com o modelo de escola tradicional, focada em conteúdo, notas e frequência. Para Martinelli, os professores e alunos, de uma forma geral já incorporaram os recursos tecnológicos em suas vidas, e por isso, a reformulação do ensino deve acontecer na estrutura da sala de aula e na forma do processo de aprendizagem. "Na infância, o indivíduo já vai desenvolvendo as habilidades sem nenhuma mediação. O que se faz necessário é acompanhá-las de forma intencional e positiva. Falta levar essa intencionalidade para a sala de aula. Os professores precisam olhar o aluno como ele é, partindo do princípio de que eles não são iguais, identificar essas particularidades e dar espaço para o aluno desenvolvê-las. Trabalhar socioemocionais significa trabalhar com o indivíduo e com a diversidade. A escola atual trabalha com a igualdade e padrões pré-estabelecidos. Dessa forma, as instituições precisam se inovar; não se prender a uma aula expositiva e usar os meios tecnológicos para estimular essas competências".
As competências socioemocionais não são mensuráveis. Deve-se atentar às atitudes, postura, observação mediante a uma tarefa. Trata-se de um processo de conscientização, onde o aluno precisa ser observado periodicamente. Por meio de várias Labs, a plataforma SmartLab, permite que estudantes e professores proponham atividades diferenciadas como desafios, missões, rankings e games; e gera um relatório em tempo real oferecendo assim, aos educadores uma diretriz para que tracem estratégias na sala de aula e possam desenvolver nos estudantes, as habilidades do século XXI.