Dia Mundial de Trocar Sua Senha: especialistas alertam para riscos de credenciais fracas
Com cerca de 23 bilhões de contas violadas globalmente até outubro de 2025, a adoção de senhas complexas e a troca periódica tornam-se essenciais para a proteção de dados pessoais e financeiros
No Dia Mundial de Trocar Sua Senha, celebrado em 1º de fevereiro, profissionais de segurança cibernética enfatizam que a atualização de credenciais deve ser uma prática rotineira para mitigar os efeitos de vazamentos massivos. O volume de violações de contas digitais atingiu a marca de 23 bilhões em outubro de 2025, segundo dados da Surfshark. O cenário reforça a vulnerabilidade causada pelo uso de combinações previsíveis em serviços de e-commerce, redes sociais e aplicativos bancários.
Pesquisas realizadas pela NordPass e NordStellar em 44 países indicam que a conveniência ainda se sobrepõe à segurança. A sequência "123456" permanece como a senha mais utilizada globalmente, presente em mais de 21 milhões de contas. Outras variações comuns incluem "admin" e sequências numéricas simples.
No Brasil, o padrão de risco se repete com o uso de termos como "mudar123" e "escola1234". Especialistas apontam que a ausência de percepção de perigo físico imediato contribui para que usuários mantenham hábitos de baixa segurança, apesar de o volume de fraudes digitais no país já superar a soma de outros tipos de crimes.
O Brasil concentrou 84% das tentativas de ataques cibernéticos na América Latina no primeiro semestre de 2025, totalizando 315 bilhões de incidentes. Estimativas indicam que 80% dessas violações derivam de senhas fracas ou reutilizadas em múltiplas plataformas.
Setores sensíveis, como o financeiro, são alvos frequentes. Em 2025, falhas sistêmicas e vazamentos no sistema Pix expuseram dados de milhões de usuários. Orientações técnicas sugerem que senhas ideais devem conter ao menos 15 caracteres, mesclando letras, números e símbolos, além de evitar informações pessoais como datas de nascimento.
Para a especialista em governança Marileusa Cortez, Data Governance Manager da Keyrus, o volume recorde de vazamentos mostra que a identidade digital precisa ser tratada como ativo crítico, senhas fracas ou reutilizadas representam falhas de controle. "Políticas de senhas fortes, autenticação multifator e revisões periódicas não são apenas boas práticas são requisitos mínimos de governança e compliance", destaca.
Para reduzir a vulnerabilidade, especialistas recomendam cinco práticas fundamentais:
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Autenticação em Dois Fatores (2FA): Priorizar o uso de aplicativos autenticadores em vez de SMS, que é suscetível a interceptações.
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Senhas Únicas: Utilizar gerenciadores de senhas para armazenar combinações complexas e evitar a repetição de credenciais.
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Troca Periódica: Estabelecer um calendário trimestral para contas bancárias e semestral para e-mails e acessos profissionais.
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Monitoramento: Utilizar ferramentas que verificam se dados foram expostos na dark web.
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Auditoria de Acessos: Revisar periodicamente os dispositivos conectados e revogar permissões de aplicativos de terceiros não utilizados.
A tendência para os próximos anos indica a substituição das senhas tradicionais por tecnologias de biometria e passkeys. O foco da segurança digital deve transitar do conhecimento de um código para a identificação biométrica e análise de comportamento do usuário, visando tornar a proteção um processo automatizado e integrado ao cotidiano digital.