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Demanda mundial por petróleo, gás e carvão atingirá seu pico em 2030, diz IEA

24 out 2023 - 08h52
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A demanda mundial por combustíveis fósseis deverá atingir seu pico em 2030, à medida que mais carros elétricos entrem em circulação e a economia da China cresça mais lentamente e mude para uma energia mais limpa, afirmou a Agência Internacional de Energia.

Vista geral da central eléctrica a carvão Emile Huchet GazelEnergie em Carling, França
12/06/2023
REUTERS/Yves Herman
Vista geral da central eléctrica a carvão Emile Huchet GazelEnergie em Carling, França 12/06/2023 REUTERS/Yves Herman
Foto: Reuters

A expectativa, indicou a IEA (na sigla em inglês), enfraquece a justificativa para qualquer aumento nos investimentos nesses setores.

O relatório da IEA, que presta consultoria aos países industrializados, contrasta com a opinião da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), que considera que a demanda por petróleo aumentará muito depois de 2030, exigindo trilhões em novos investimentos no setor petrolífero.

Em seu relatório anual World Energy Outlook (Perspectivas Energéticas Mundiais), divulgado na terça-feira, a IEA afirmou que os picos de demanda de petróleo, gás natural e carvão são visíveis nesta década em seu cenário baseado nas políticas atuais dos governos -- a primeira vez que isso acontece.

"A transição para a energia limpa está acontecendo em todo o mundo e é imparável. Não é uma questão de 'se', é apenas uma questão de 'quando' -- e quanto mais cedo, melhor para todos nós", disse o diretor-executivo da IEA, Fatih Birol.

"Governos, empresas e investidores precisam apoiar as transições de energia limpa em vez de dificultá-las."

Um gráfico no relatório da agência mostrou que a demanda mundial pelos três combustíveis fósseis atingirá seu pico até 2030.

Enquanto o uso de carvão entra em um declínio acentuado após 2030, o uso de gás e petróleo permanece próximo ao nível de pico nas próximas duas décadas.

Ainda assim, a IEA também disse que, na situação atual, a demanda por combustíveis fósseis deverá permanecer alta demais para manter dentro do alcance a meta do Acordo de Paris de limitar o aumento da temperatura média global a 1,5 grau Celsius.

"Isso corre o risco não apenas de piorar os impactos climáticos após um ano de calor recorde, mas também de minar a segurança do sistema de energia, que foi construído para um mundo mais frio com menos eventos climáticos extremos", disse a agência em um comunicado.

MUDANÇAS NO PAPEL DA CHINA

Até 2030, a IEA espera que haja quase dez vezes mais carros elétricos nas ruas de todo o mundo e citou as políticas de apoio à energia limpa nos principais mercados como um fator de peso para a futura demanda de combustíveis fósseis.

Por exemplo, a IEA agora espera que 50% dos novos registros de carros nos EUA sejam elétricos em 2030, em comparação com 12% em sua perspectiva de dois anos atrás, em grande parte como resultado da Lei de Redução da Inflação dos EUA.

A IEA também considera que o papel da China como principal fonte de crescimento da demanda de energia está mudando.

Embora a China tenha sido responsável, na última década, por quase dois terços do aumento do uso global de petróleo, o ímpeto por trás de seu crescimento econômico está diminuindo e o país é uma "potência de energia limpa", disse o relatório, acrescentando que mais da metade das vendas globais de veículos elétricos em 2022 foram feitas na China.

A IEA disse que a chave para uma transição ordenada é aumentar o investimento em todos os aspectos de um sistema de energia limpa, e não em combustíveis fósseis.

"O fim da era de crescimento para os combustíveis fósseis não significa o fim do investimento em combustíveis fósseis, mas reduz a justificativa para qualquer aumento nos gastos", disse o relatório.

No início deste mês, um relatório da Opep afirmou que os apelos para interromper os investimentos em novos projetos de petróleo eram "equivocados" e "poderiam levar ao caos energético e econômico".

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