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Vacina de Oxford gera resposta imunológica em idosos

Resultado já havia sido divulgado em outubro, mas agora foi publicado, com detalhes, na revista científica Lancet

19 nov 2020
05h05
atualizado às 07h33
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A segunda fase dos testes clínicos da vacina contra a covid-19, desenvolvida pela Universidade de Oxford, mostra que ela é segura em idosos saudáveis e causa uma resposta imunológica, relata a revista médica The Lancet nesta quinta-feira, 19. O resultado já havia sido divulgado pela universidade em outubro, mas só agora foi publicado em uma revista científica, com detalhes. Segundo a The Lancet, os primeiros resultados sobre a eficácia da vacina - extraídos da fase 3 de testes - podem ser divulgados "nas próximas semanas".

Voluntária recebe dose de candidata a vacina para Covid-19 em Porto Alegre
08/08/2020
REUTERS/Diego Vara
Voluntária recebe dose de candidata a vacina para Covid-19 em Porto Alegre 08/08/2020 REUTERS/Diego Vara
Foto: Reuters

Em colaboração com a farmacêutica AstraZeneca e outras organizações, os pesquisadores testaram a preparação, denominada ChAdOx1 nCoV-19, em um experimento com 560 adultos saudáveis, incluindo 240 com mais de 70 anos, com o objetivo de observar seu impacto no sistema imunológico e possíveis efeitos colaterais.

Os "resultados preliminares promissores" indicam que esta vacina SARS-CoV-2 oferece "resultados de segurança e imunogenicidade semelhantes em idosos saudáveis ??do que naqueles com idade entre 18 e 55 anos."

De acordo com "The Lancet", a Fase 2 permite concluir que o antídoto causa "poucos efeitos colaterais" e "induz uma resposta imune em ambas as partes do sistema imune em todas as faixas etárias tanto em dose baixa como em dose padrão".

Segundo o estudo, a vacina britânica gera uma resposta de células T (capaz de encontrar e atacar células infectadas pelo vírus) 14 dias após a primeira dose, e uma resposta de anticorpos 28 dias após a dose de reforço (que atacaria o vírus ao circular pelo sangue ou sistema linfático).

Os autores observam que a Fase 3 dos ensaios clínicos, que está em andamento, deve confirmar esses resultados e determinar "até que ponto a vacina é eficaz na proteção contra a infecção por SARS-CoV-2" em um grupo maior e mais heterogêneo de pessoas, o que inclui idosos com patologias prévias.

No estudo divulgado nesta quinta, que não mede a eficácia da vacina para proteção do vírus, 560 adultos (160 entre 18 e 55 anos; 160 entre 56 e 59 anos e 240 mais de 70) em bom estado de saúde receberam tanto a vacina Oxford quanto um antídoto de controle.

Os voluntários com mais de 55 anos foram divididos em dois grupos e receberam uma ou duas doses da vacina em um período de 28 dias. Todos foram observados desde o início para detectar efeitos adversos, bem como a resposta imune.

Os autores observam que os efeitos colaterais do ChAdOx1 nCoV-19 foram "leves" (como dor à injeção, fadiga, dor de cabeça, febre ou dor muscular), embora mais comuns do que com a vacina de controle. Foram detectados treze casos graves nos seis meses após a primeira dose, mas não são considerados relacionados às vacinas.

Os pesquisadores explicam que os efeitos colaterais foram ainda menos comuns em adultos mais velhos do que jovens, e a resposta imunológica foi "semelhante" em todas as faixas etárias após a dose de reforço.

A vacina induziu anticorpos contra a proteína spike do coronavírus 28 dias após a primeira dose baixa ou padrão em todas as faixas etárias. Após a vacinação de reforço, o nível de anticorpos aumentou 56 dias após o início do experimento, e o mesmo aconteceu com os anticorpos neutralizantes 42 dias depois.

Por sua vez, a resposta das células T contra a proteína spike do coronavírus culminou quatorze dias após a primeira inoculação, independentemente da idade ou da dose.

A pesquisadora Sarah Gilbert diz que este estudo "responde algumas das questões" levantadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre a necessidade de vacinas da covid-19 para proteger os idosos.

No entanto, ela ressalta, outras "questões sobre a eficácia e a duração da proteção" ainda precisam ser respondidas e a vacina também deve ser testada em idosos com patologias para garantir que ela proteja aqueles que têm maior risco de adoecer gravemente.

Os autores reconhecem que a sua experiência "tem limitações", por exemplo, que as pessoas mais velhas tinham uma idade média de 73 ou 74 anos e eram saudáveis, o que não reflete a situação de lares de idosos.

Além disso, acrescentam, a maioria dos voluntários de qualquer idade eram brancos e não fumantes, portanto, na terceira fase dos testes clínicos, os testes serão estendidos a pessoas de diferentes origens./EFE

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